Com a devida vénia ao jornal Notícias de Beja aqui publicamos o artigo.
Para não se tornar cansativo, decidimos dividir o referido artigo em 3 post, publicando hoje o primeiro.
Uma peça fundamental da arte portuguesa
O projecto ducal visava a execução de uma loggia de planta rectangular, rasgada por três arcadas plenas na frontaria e duas outras de cada banda, com pilastras e cunhais em aparelho bujardado e entablamento liso, tendo o interior duas naves de três tramos quadrados cobertos por abóbadas assentes sobre colunas de capitéis coríntios. Consubstanciou-se, deste modo, o único exemplar conhecido em Portugal de um espaço aberto e público perfeitamente integrável na tipologia renascentista que alcançou o seu máximo expoente na arcaria da praça principal de Florença e gozou de repercussão internacional. Algo muito adequado, importa reconhecê-lo, ao que se pretendeu introduzir em Beja, cidade próspera e influente, à qual os duques titulares quiseram dotar de um esplendor conforme ao seu sereníssimo estado.
Transparece aqui a intervenção de um mestre erudito, perfeitamente familiarizado com a tratadística coeva, cujo nome tem sido alvo de acesa discussão. Das várias hipóteses trazidas a lume constam vultos destacados da arte portuguesa, como Francisco de Holanda, Miguel e Francisco de Arruda ou Diogo de Castilho, todos eles activos no Alentejo. Porém, a alternativa mais consistente parece recair sobre Diogo de Torralva [1500-1566], genro do segundo Arruda. Oriundo do Piemonte ou de Espanha, foi profundo conhecedor da arquitectura italiana e desenvolveu uma obra notável, parte da qual teve como epicentro Évora. Não se torna difícil conjecturar a sua presença em Beja, ao serviço do 5.º duque, príncipe esclarecido, famoso pela larga cultura e pela visão cosmopolita, que permaneceu amiúde no meio eborense, atraindo o convívio dos círculos intelectuais, e fomentou a arquitectura e as demais artes.
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