sábado, 16 de fevereiro de 2019

Pobreza versus saúde



Para que conste, e sem outro tipo de comentário, aqui Vos deixo um pequeno excerto da entrevista de Francisco George ao Diário do Alentejo (15/02/2019):
«Mas se existem fatores individuais, como o fumo, alimentação desequilibrada ou a falta de exercício físico, há um que é “determinante” para a saúde ou para a doença: a pobreza.
A pobreza é, comprovadamente, geradora de desigualdades e cava um fosso entre as famílias com mais e menos rendimentos, de tal forma que as doenças, a incapacidade e a demência surgem 15 anos antes nas famílias mais pobres quando comparadas com outras de mais rendimento.»

Sentença de Mãe!




Mais palavras para quê?


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Fundamentalismos

 
Foi hoje publicada em Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros nº 21/2019 que extingue a expressão “Direitos do Homem” e substitui-a por “Direitos Humanos”.
Esta moda – medo da palavra homem – parece que veio para ficar.
Aguardo com alguma perplexidade a breve extinção do “Dia do Trabalhador” que será substituído por uma aberração qualquer. A expressão “médico de família” também deverá estar em vias de extinção, o “cartão de cidadão” idem e outras se seguirão.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Baile da Pinha em Quintos


O Baile da Pinha em Quintos foi durante muitos anos o maior acontecimento cultural da freguesia de Quintos.
No tempo de Salazar e Caetano realizaram-se algumas vezes o cortejo de oferendas com o objetivo de apoiar instituições públicas (hospital de Beja, por exemplo) em que viaturas engalanadas, maioritariamente de tração animal, percorriam os vários montes da freguesia de Quintos onde recolhiam as dádivas (oferendas) para a causa. No final realizava-se uma festa popular com comes, bebes e baile nas traseiras da antiga escola primária.
Nunca este acontecimento atingiu a projeção do Baile da Pinha.
Mais tarde surgiu um outro acontecimento cultural – o almoço de celebração do 25 de Abril. Foi durante décadas o expoente máximo de atividade cultural da freguesia de Quintos.
Hoje, quer o Baile da Pinha quer o almoço do 25 de Abril estão com frequência residual, o primeiro bem mais residual que o segundo. Porquê? Há explicações mas por agora não interessam.
O que interessa é homenagear e dar um enorme Bem Haja a quem ainda teima em manter tradições muito peculiares de Quintos.
Humildemente aqui Vos deixo a todos Vós os meus parabéns!


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Os sem palavras




Para ler e meditar. Crónica (excerto) de Helena Matos publicado em Observador a 13/01/2019:
«Primeiro os velhos tornaram-se idosos. E um dia, não se consegue já precisar qual, os cegos passaram a invisuais e o morrer tornou-se partir.
O chumbo ou reprovação transformou-se em retenção.
Os gordos passaram a obesos.
Os trabalhadores deram lugar aos colaboradores. Os despedidos a dispensados.
O sexo passou a género.
Os maridos e mulheres deram lugar ao assexuado cônjuge ou, como recomenda a União Europeia, a parceiro/parceira.
Os homens e mulheres são agora indistintamente pessoas.
Os homossexuais tornaram-se gays.
Mas eis que se constatou que tal exercício de busca de sinónimos não era suficiente. Foi aí que chegaram as perífrases ou seja esse bizarro falar por rodeios. E assim os idosos que já não eram velhos passaram a terceira idade. As prostitutas tornaram-se trabalhadoras do sexo.
Os invisuais a quem já não se podia chamar cegos deram lugar às pessoas portadoras de deficiência.
As empresas deixaram de falir e passaram a estar em reestruturação de serviços.
Os trabalhadores despedidos que entretanto tinham passado a colaboradores dispensados começaram a ser designados como elementos cuja colaboração cessou.
As coisas mais simples passaram a ter de ser referidas por sequências de palavras frequentemente sem sentido. As categorias profissionais tornaram-se uma espécie de cabides em que se acumulam palavras como quem pendura casacos: as hospedeiras deram lugar às assistentes de bordo e as funcionárias das escolas tornaram-se auxiliares de ação educativa.
Neste zelo de uma linguagem livre dos pecados do machismo, racismo, homofobia… as expressões aplaudidas num determinado momento logo se revelam desadequadas. E assim, os velhos depois de terem sido idosos e terceira idade tornaram-se seniores.
Os pretos que tinham passado a negros e em seguida a pessoas de cor são agora referidos como africanos. E para não ser acusado de discriminação de género o “Ladies and gentlemen” passou a “Hello, everyone”.
Tornámo-nos uma sociedade em que nada é dito diretamente. Falamos por rodeios. Somos os perifrásticos. Agarramo-nos a expressões neutras como sinal da nossa tolerância; por todo o país empresas e organismos oficiais produzem documentação recomendando que se recorra à linguagem neutra para “promover a igualdade entre homens e mulheres”.
Compomos frases enormes para não termos de dizer o óbvio. Recorremos ao eufemismo para mascarar a realidade. Temos medo das palavras. Usamo-las com mil cuidados não vão elas revelar o que de facto pensamos e não a forma como devemos ver o mundo.»

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Bezerra, em Quintos





Há anos (+ de 30) houve um episódio com uma bezerra, não em Quintos mas com vários jovens de Quintos; um dos protagonistas ficou com o indelével cognome “Zé da Bezerra”.
Hoje, uma bezerra (ou bezerro) jaz junto à antiga estação de caminhos de ferro de Quintos.
No dia 29 de dezembro de 2018 um habitante de Quintos fotografou o dito animal (fotos A e B) e participou o caso à GNR de Beja.
Ontem, 06 de janeiro de 2019 o que resta do animal ainda lá se encontrava (fotos C e D).
Poderia e deveria ‘soltar alguns impropérios’ com esta situação, mas não o vou fazer na esperança que, quem de direito, remova o que resta do animal urgentemente.


domingo, 16 de dezembro de 2018

O suicídio




É um tema que, por norma, está reservado a psiquiatras, mas habitualmente as suas palestras revelam-se demasiado herméticas, isto é, incompreensíveis para o comum dos mortais. Deveriam ler – eles, os psiquiatras e todos os que não são – o texto sublime sobre esta temática que escreve Vítor Encarnação na última edição do Diário do Alentejo.
Com a devida vénia aqui Vos deixo essa magnífica crónica de “Nada mais havendo a acrescentar...” com o subtítulo de “Buraco”:
«Todos temos um buraco dentro de nós, fica dentro da cabeça, existe dentro do pensamento. Tapamo-lo com o raciocínio, o amor e a autoconfiança, evitamo-lo fazendo uso da nossa vontade de viver, enquanto quisermos viver e soubermos viver, enquanto brilhar a luz dos desejos e dos planos, o buraco não nos engole.
O buraco não se alimenta de alegria, quando há certezas e harmonias dentro do nosso cérebro a brecha não nos puxa para si. Mas o buraco está atento, o buraco pressente o mais leve desequilíbrio, abre-se ao menor rumor de desorientação, o buraco é um caçador de tristezas, o buraco devora existências.
Mas não as come de uma só vez, ninguém cai para o buraco de uma só vez, primeiro a pessoa estremece, escorrega-lhe um pensamento, depois outro, começa a duvidar, toma uns comprimidos para dormir, queixa-se, às vezes ouvem-na, outras vezes não, os outros também têm os seus próprios buracos para tapar, depois resvala, agarra-se ao que pode, principalmente às obsessões, falta-lhe a força, mete-se em casa, matuta, matuta, deixa de comer, vai caindo, caindo, vai abrindo uma cova, o barulho faz-lhe confusão, o silêncio faz-lhe confusão, a vida faz-lhe confusão, pensa em coisas que já são mais morte que vida.
E cai, já não tem outro remédio a não ser cair. E o buraco é já um abismo.
Desafortunados são os que caem dentro dele para sempre.»
Vítor Encarnação in DA 14-12-2018

domingo, 11 de novembro de 2018

O que é Amar?


Ana Matos Pires, médica psiquiátrica, in Diário do Alentejo 09-11-2018 responde, é isto:
«Amar alguém ou algo é amar “com” (as diferenças, os defeitos, as divergências) e não “apesar de“ (das diferenças, dos defeitos, das divergências).»
Simples, não é?
Parece, mas não é. Complicamos em demasia.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Chuva, amor e ódio

Foto: Brett Gundlock
É muito antigo o ritual da dança da chuva. Mais recente são as procissões a pedir chuva. Desconhecia que havia “técnicas” para evitar ou reduzir a chuva, mais precisamente, o granizo.
É por causa dessa “técnica” que está a população camponesa de Puebla, no México, em pé de guerra com uma fábrica local da Volkswagen que está a recorrer a uma arma anti-granizo (nada científico!) para evitar danos nos carros. Trata-se de um canhão (na foto a torre branca ao centro) que dispara uma forte onda de ar comprimido para as nuvens quando se está a formar a tempestade, com o objetivo de reduzir o tamanho das pedras de gelo fazendo com que elas se transformem em água e assim reduzir o impacto nos automóveis parqueados. Os agricultores de Puebla e arredores acreditam que esta “técnica” é responsável pela grave falta de chuva que tem afetado a região nos últimos meses.


Fonte: The New York Times 09-11-2018

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Como lidar com um aluno problemático


  
Para ler e refletir. Texto de João André Costa no Público de hoje.
«A culpa do mau comportamento nas escolas não é das crianças, nunca foi, não será e não pode ser. A culpa é nossa, dos adultos, a começar pelos pais e familiares mais próximos e a acabar nos professores e na escola.»