sábado, 14 de julho de 2018

O Calvário


É este o termo mais “soft” de quem tem que percorrer a estrada nacional nº 391 entre Salvada e Quintos, quer para visitar uma destas localidades quer para se deslocar de ou para Serpa utilizando o caminho de terra batida entre o Monte dos Pisões e a ponte do Guadiana.
Há meses fui informado deste purgatório, confesso, achei exagerado.
Hoje visitei Quintos.
Envergonhei-me. Envergonhei-me de ter achado exagerado o que me disseram sobre o mau piso desta estrada nacional. Envergonho-me de viver num centro urbano cheio de autoestradas e vias rápidas e outros (Salvada, Quintos, etc.) serem tratados como enjeitados.
Sobre esta calamidade de via foi há muitas semanas questionada a empresa Infraestruturas de Portugal (responsável pela manutenção e conservação desta via de trânsito). Resposta obtida, zero.
Não sei se as autarquias locais (junta de freguesia e município) já questionaram a empresa Infraestruturas de Portugal, mas, mesmo que o tenham feito, já poderiam ter minimizado o sofrimento de quem diariamente utiliza esta estrada tapando os buracos e retirando o enorme amontado de pedras que se encontram junto aos ditos buracos.
Seria um serviço público útil, à falta de vergonha de quem tem esse dever e obrigação.

 
Foto: meramente ilustrativa, via Google

terça-feira, 3 de julho de 2018

Depressivo eu?! Jamais!


Depressão, o que é?
«A depressão é uma perturbação mental, mais concretamente uma perturbação do humor, que afeta tanto o cérebro como o corpo. No entanto, é importante lembrar que a depressão tem tratamento.»
O mais grave na depressão é que ela é invisível ao seu portador e, pior que isso, quando se apercebe deste estágio tenta camuflá-la a quem o rodeia.
Sobre este assunto cada vez mais atual, transcrevo parte do artigo/entrevista de Ana Pimental in Observador à Doutora Alison Darcy que poderá ler aqui.
«Não sei onde está a ler este email, mas se desviar os olhos do ecrã durante dois segundos e olhar à sua volta, atente nisto: uma em cada quatro pessoas que o rodeiam está a sofrer, já sofreu ou há-de vir a sofrer com uma depressão. Se lhe perguntar se está tudo bem, o mais provável é que responda: “Claro que sim e contigo?”. Se for à sua página de Facebook, Instagram, Twitter ou blogue, vai estar tudo melhor ainda: não faltará sentido de humor apurado sobre os mais diversos tópicos e polémicas, nem as fotografias em eventos e sítios de fazer inveja a todo e qualquer comum mortal que nunca tem tempo para nada.
O tema não é novo. A pressão das redes sociais e a epidemia da solidão digital vieram enaltecer um estigma que é antigo e que todos nós conhecemos relativamente bem: que a depressão é coisa de “fracos” e que a ansiedade “está toda na nossa cabeça”. Quantas vezes já ouviu alguém dizer que “as tristezas não pagam dívidas”? Mas pagam: não há dívida mais prejudicial ao nosso bem-estar do que a emocional.
Alison Darcy conhece bem esta realidade: doutorada e investigadora em psicologia clínica na Universidade de Stanford, nos EUA, depois de ter trabalhado com pessoas que estavam mentalmente muito doentes, percebeu que quanto mais cedo chegasse a elas, melhor. E com um sistema de inteligência artificial que se socorre de táticas da psicologia cognitiva comportamental decidiu ajudar quem está emocionalmente mais vulnerável. Foi assim que nasceu o Woebot, um robô amarelo que tem pouco mais de um ano, com quem qualquer pessoa pode trocar mensagens (em inglês) sobre o seu estado de espírito.
A ideia não é a de substituir ajuda profissional, disse-me Alison, é a de encorajar a partilha entre humanos. Um sistema de inteligência artificial bem humorado pode ser bom para afastar um pensamento negativo, mas nunca substituirá aquilo que no fim do dia realmente interessa: quem esteve lá, quem perguntou, quem nos ouviu, quem nos abraçou e quem se lembrou.
Todos nós temos o nosso pequeno exército amarelo a quem recorrer. Usem o vosso, por favor ☺ Até terça!»


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

IGen | Geração i


Os adolescentes de hoje já não são como os de outrora. Saem menos, embebedam-se pouco e não se sentem tão obrigados como os seus antecessores a passar pelo rito iniciático das drogas.
São para qualquer pai os filhos perfeitos a não ser um pequeno detalhe: os adolescentes de hoje dizem ter mais dificuldade para fazer amigos.
Segundo a professora de psicologia Jean Twenge o principal suspeito desta mudança radical é o telefone inteligente (smartphone), para o bem e para o mal.
É uma tese defendida no último livro desta psicóloga americana e que bastante polémica tem causado. No entanto, e segundo a Organização Mundial de Saúde, o consumo de álcool e drogas entre os adolescentes tem descido bastante nos países desenvolvidos. Segundo o El País os dados referentes a Espanha indicam que os jovens que consumiam álcool todas as semanas passou de 15,9% em 2002 para 6,5% em 2014; no mesmo período os adolescentes espanhóis que dizem ter fumado canábis reduziu mais de 10 pontos percentuais.
Segundo o estudo de PISA (Programme for International Student Assessment) entre 2003 e 2015 todos os países da OCDE, exceto a Coreia do Sul, registaram uma diminuição de percentagem de adolescentes que dizem fazer amigos com facilidade no ensino secundário.


  

domingo, 21 de janeiro de 2018

Trocar o certo pelo incerto


Não está ao alcance de todos, apenas os melhores têm essa audácia. A Joana Gomes é uma Pessoa dessas. Bem haja!
Vendo esta tarde o programa 70x7 da RTP2 fiquei deslumbrado com o depoimento e entrega a uma causa nobre desta jesuíta Joana Gomes.
Não se é bom porque se quer, é-se bom porque merecemos, a Joana é excelente!
Há mais Joanas, infelizmente muito menos que as necessárias.
Para quem poder recomendo que vejam o programa da RTP2 70x7 da hoje, ou, em alternativa, acompanhem a página no facebook https://www.facebook.com/trocarocertopeloincerto/


domingo, 14 de janeiro de 2018

Adeus, descanse em paz

A única coisa sobre a qual temos a certeza enquanto vivos, é que um dia morremos. Mas curiosamente a morte é um tema que nos mete um medo... de morte. É um tema que, por norma, nem em brincadeira é bem-vindo.
Vítor Encarnação, na sua crónica no Diário do Alentejo “Nada mais havendo a acrescentar” desta semana trata a morte por tu.
Com a devida vénia a transcrevo:

«Quando eu morrer quero o caixão fechado, nunca gostei que me vissem quando estou deitado, a única diferença é que já não estou vivo, mas isso pouco importa, a privacidade é a última coisa a morrer, não quero que mais ninguém olhe para mim, sei lá quem é que olha para mim, um e outro, uma e outra, a entrarem com pêsames na boca e flores nas mãos casa mortuária adentro, a verem-me a dormir para sempre, a mirarem o que resta de mim e eu aqui sego de de vida, a espreitarem a rosto frio, a tocarem o rosto frio que nunca mais haverá de aquecer, nunca mais haverá beijo nem mãos que me aqueçam o rosto. Imagino o que está a acontecer, já aqui estive tantas vezes neste sítio para onde eu sabia que vinha, era um a questão de tempo, ninguém escapa, há flores em volta do caixão, há duas lâmpadas acesas a imitar velas, uma de cada lado do meu desmedido silêncio, as mulheres estão cá dentro, os homens estão lá fora, eu costumava estar lá fora, agora estou cá dentro, cada velório é um treino para a nossa própria morte, há de haver um dia em que chega a nossa hora. São horas de espera, para vocês, para mim não tanto, tenho agora todo o tempo do outro mundo. A notícia da minha morte é pública mas a minha morte é minha, é uma coisa íntima, pertence-me, faço dela o que eu quiser, vês-me tu, vê-me tua mãe e chega.»

Foto: Jornal O Povo

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Um violino não sei onde


O editorial desta semana de Paulo Barriga no Diário do Alentejo é sobre uma ‘provocação’ do jornal Washington Post (WP). Propôs este jornal americano que um virtuoso intérprete de violino fosse tocar, anonimamente, numa estação de metro da capital dos EUA em plena hora de ponta. Resultado, como seria de esperar, apenas 7 (sete) pessoas se detiveram vagamente para ouvir a sua récita. Récita, que não rendeu mais que uns míseros 32 dólares. Dez dias depois, esse mesmo violinista atuou em Boston com lotação esgotada e bilhetes a mais de 100 dólares.
Serviu esta “provocação”, segundo os editores do WP, para perceber “se somos ou não capazes de reconhecer a beleza das coisas em ambientes aparentemente incomuns e a horas supostamente inapropriadas ou se conseguimos identificar o verdadeiro talento em contextos inesperados”. E, remata Paulo Barriga, “Se não temos vagar para apreciar a interpretação de alguns dos mais belos trechos musicais alguma vez concebidos pelas mãos de um dos melhores músicos da atualidade, imagine-se a quantidade de coisas verdadeiramente extraordinárias que todos os dias nos passam ao lado sem que delas sequer nos apercebamos”.
São efetivamente muitas as coisas que nos passam ao lado, que não vemos ou fechamos os olhos para as não ver.
Quando estamos em grupo (quer de amigos, quer de desconhecidos) o nosso comportamento altera-se radicalmente e agimos, por norma (ou anormalmente!), sem raciocinar. É o que em psicologia se chama ‘efeito manada’.
E, por favor, ninguém atire pedras, porque telhado de vidro todos temos…

 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Semear ventos


Todos sabemos que quem os semeia colhe tempestades.
Há quem tenha fascínio por trovoadas, outros há por dias calmos. Donald Trump adora tempestades (quanto maiores, melhor), é uma tara que tem.
Dispenso-me a outros comentários e aqui Vos deixo os cartoons publicados hoje no The Times e no The Guardian.



terça-feira, 21 de novembro de 2017

Chamar os bois pelo nome


Publica hoje o Jornal Económico uma entrevista a André Silva, líder do PAN, do qual transcrevemos 2 perguntas e 2 excertos de resposta:
«P: O Governo acaba de lançar uma campanha de sensibilização para a poupança de água dirigida aos consumidores domésticos. Mas os setores da indústria e da agricultura são responsáveis por cerca de 80% do total de água doce consumida em Portugal. Como é que se explica este paradoxo de uma campanha que não se dirige aos grandes consumidores de água, onde o combate ao desperdício poderia realmente fazer a diferença e mitigar os efeitos da seca?
R: Por cegueira ideológica. A pecuária e a agricultura representam cerca de 75 a 80% do gasto de água do país e desconsiderar estes dados é omitir a verdade aos cidadãos. A força destes setores na política nacional é transversal a todos os partidos, da esquerda à direita, e isso vê-se factualmente na votação de subsídios a estas indústrias.
P: Em média, estima-se que um campo de golfe com 18 buracos consome entre 1,5 e 2 milhões de litros de água por dia. Todos os dias. Em Portugal há pelo menos 91 campos de golfe ativos. Estimativa global: consomem entre 136 e 182 milhões de litros de água por dia. Todos os dias. Porque é que o Governo não restringe o consumo de água dos campos de golfe, tendo em conta a situação de seca extrema no país? E esse consumo dos campos de golfe é contabilizado como “doméstico”, “indústria” ou “agricultura”?
R: Por motivos ideológicos, mais uma vez. Assistimos mais uma vez à subjugação do ambiente pela economia. O golfe é um ativo turístico muito presente em todos os governos portugueses. » 

Também no mesmo jornal, num artigo de opinião intitulado “Destruir o planeta para criar milionários”, escreve Pedro Miguel Cardoso, investigador, algo que pode encaixar que nem uma luva na entrevista de André. Um pequeno excerto:
«O mundo está cada vez mais rico. Mas quais são os custos humanos e ecológicos desse aumento da riqueza global? Será que a esmagadora maioria da população global está a ser beneficiada por esse aumento?»

Pois... Atão nam tá?!
 

sábado, 28 de outubro de 2017

Nada a acrescentar


Não é a primeira vez, e seguramente não será a última, que aqui transcrevo o artigo de opinião de Vítor Encarnação no Diário do Alentejo. Titula ele os seus artigos com a frase “Nada mais havendo a acrescentar...” que, no caso que aqui transcrevo, se aplica sem qualquer tipo de reservas. Tudo o mais que eu pudesse dizer sobre isso, seria excessivo.
Com a minha humilde vénia e aplauso, aqui Vos deixo o artigo desta semana:
«Paciência. Estou aqui sentado, é onde me sentam que eu fico, tanto se me dá onde me deixam, pode ser já aqui perto do silêncio, não vale a pena é ocupar lugar em frente à televisão, deixem essa cadeira para aqueles que ainda gostam de se entreter, os meus olhos já pouco veem, são só vultos, tudo à minha volta, e dentro de mim, são vultos, fantasmas a empurrarem-me para ver se caio. Tenham para aí paciência comigo. O que seria da minha vida se não fossem vocês, vocês, meus anjos brancos, são a minha família, a de sangue não quer saber de mim, vocês é que me consolam, desculpem-me terem de me limpar e de me lavar, de me sentar na sanita, de me cortar as unhas, o cabelo, a dor, terem de me despir, de me ver nu, eu que poucas vezes me vi nu, não era isto que eu queria, ninguém é velho e desgraçado porque quer, nunca imaginei tal coisa, o que um homem era, eu tenho vergonha mas não tenho ninguém que me acuda. Dizem-me para não descoroçoar, aqui há desgraças piores do que a minha, a vida não é como a gente quer, a vida é que manda, não passamos de uns bonecos nas mãos da vida. Somos trinta e tal e vocês são tão poucos, mas sempre ouvi dizer que o amor se multiplica. Abençoo as vossas mãos e abençoo a vossa voz, vou falar com a doutora, do pouco que tenho serão vocês os meus herdeiros, são vocês a minha família, a de sangue morreu. Tenham para si paciência comigo.»
Vítor Encarnação, in DA de 27-10-2017

Imagem: quadro ‘Old Man in Sorrow’ de Vincent Van Gogh

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Anti-assédio


O assédio – à semelhança de outros comportamentos que hoje reprovamos – não é, contrariamente ao que se possa pensar – um ato recente; existe há centenas de anos.
A nossa forma de agir ou interagir é, de facto, muito peculiar. De repente damos conta que existe pedofilia, que existe assédio (sexual ou outro) como se até hoje esse tipo de comportamento fosse residual. Nunca foi residual, bem pelo contrário. Nas últimas semanas os casos de assédio sexual sobre mulheres perpetrado por homens conceituados têm surgido como uma autêntica bola de neve.
Tardiamente, mas, como diz o povo, mais vale tarde que nunca.
Para muitos desequilibrados deste calibre, talvez um fato de banho deste género os afugentasse… ou não.

Foto: retirada de https://pplware.sapo.pt/