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| Fuga de água em boca de incêndio. Williamsburg, Brooklyn 08/06/2011 |
segunda-feira, 13 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Reflexões
A Paroquia de Quintos publica um boletim informativo dirigido a todos os seus paroquianos.
Há anos - quantos, não sei - que mensalmente o Boletim Paroquial chega a todas as casas em Quintos. Distribuído na missa dominical aos presentes - poucos, infelizmente - e entregue porta à porta aos restantes.
O SINO, foi o nome escolhido pelos seus responsáveis.
O atual responsável é o senhor diácono José da Rosa Costa.
O Sino deste mês de junho, traz na sua quarta página um artigo da responsabilidade de D. António Vitalino Dantas, Bispo de Beja, que aqui reproduzimos:
Notas Soltas
A voz do nosso bispo:
«No dia um de maio celebrou-se, em todo o mundo, o dia do trabalhador. Este ano, esta data ocorreu num ambiente de crise económica mundial, que tem levado ao desemprego milhões de pessoas. Nas manifestações desse dia acentuou-se mais uma luta contra os cortes dos salários e das reformas do que a falta de trabalho, mas é nisto que se manifestam as mais graves consequências da crise. Sem trabalho em condições dignas da pessoa humana, com justa remuneração, de modo que o trabalhador e sua família possam viver honesta e dignamente, não conseguiremos construir uma sociedade pacífica e coesa...»
O Sino, junho 2011
sábado, 11 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Amor desequilibrado
Poderia ter guardado este post até ao final do mês e elegê-lo como o melhor de junho.
Era justo!
É provável que vá encontrar por aí outro ou outros de igual valia. Mas duvido que encontre outro de valia superior.
Este poeta da prosa faz-me lembrar, pela forma como diz verdades desconcertantes, o meu escritor de eleição: António Lobo Antunes.
Eis o desequilibrado Amor que positivamente me equilibrou o espírito:
o equilibrista bêbado
Sei sempre que alguém me está a mentir ou, vá lá, a faltar involuntariamente à verdade, quando me diz que vive um Amor equilibrado. Ou então é de mim, que nunca me equilibrei decentemente em nenhum dos Amores que vivi. Estou sempre a cair. Na melhor das hipóteses sinto-me um equilibrista bêbado a andar no arame a dez metros de altura.
Um amigo disse-me isso hoje durante um uísque on the rocks, que vive um Amor equilibrado porque gosta tanto dela como ela dele. E eu ri-me. Se ele acha isso é porque já não a Ama. Se a Amasse ia sempre achar que gostava mais dela do que ela dele. É inevitável. Não lho disse assim, talvez por falta de coragem, mas ri-me. E ele perguntou-me abruptamente "o que é que foi?". Foi isso mesmo. Ele não está apaixonado. Não pode.
Apaixonado estou eu. O que não estou é equilibrado. A última vez que me equilibrei foi porque estava triste ou, pior do que isso, nem triste estava. Não estava nada. Nada de nada. Nem sequer embebecido. Depois apaixonei-me e comecei a andar todo torto, com vertigens e vómitos. Acho sempre que gosto mais dela do que ela de mim. Isso entorta-me. Pronto.
Tenho a certeza que se um dia destes me endireitar é porque deixei de a Amar. O Amor é isso: desequilibra-nos para que nos apoiemos em quem Amamos. O resto é fácil, quando nos deixamos de apoiar é porque não Amamos. Tão certo quanto um e um serem dois.
O que é que foi? Perguntou ele outra vez. Pedi mais dois uísques levantando o meu copo vazio. Estás bêbado, disse ele. E eu concordei. Aliás, discordei. Não estava bêbado coisa nenhuma. Sou é um equilibrista bêbado, que é diferente. Ainda bem.
Publicada por bagaço amarelo em 09/06/2011
sábado, 4 de junho de 2011
Six Horse Power
Com a potência dos seus seis cavalos este agricultor arava os seus terrenos na passada quinta-feira, 02 de junho.
Não, não é no sudeste asiático.
É em New Wilmington, Pensilvânia, Estados Unidos da América.
É um agricultor Amish.
terça-feira, 31 de maio de 2011
O post do mês de MAIO
Para este mês escolhemos um retrato de África.
Ainda não tive o prazer de visitar Moçambique, mas o post deste mês faz um retrato, com algum humor, deste jovem país.
Conheci este blogue ontem, mas já o adicionei aos meus favoritos.
Vale a pena visitar.
Eis o post que elegemos como o melhor deste mês:
[welcome to mozambique] as pulseiras mais fashion
Uma das coisas que mais gosto de comprar e que sei que as minhas amigas mais apreciam são as pulseiras exóticas, feitas em pau preto, sândalo e pau rosa que se vendem na chamada Feira do Pau Preto, aos domingos em Nampula, onde se pode comprar de tudo, desde vassouras feitas com fibra de coco até lamparinas feitas de latas de conserva vazias, passando pelas inevitáveis capulanas e medicamentos tradicionais e, claro, aquilo que dá nome à feira, as famosas obras de arte lindíssimas em pau preto, feitas de uma só peça, apenas com um canivete, por homens que aprenderam sozinhos, ou com alguém próximo, a difícil e paciente arte de talhar a madeira.
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| Feira do Pau Preto, fotos daqui, que nem por sombras levaria a minha máquina fotográfica para as compras na feira... O que ganharia em registo gráfico perderia em poder negocial. (Nampula, Moçambique) |
- Bom dia, senhor, novidades*?
- Tudo bem, não sei do seu lado...
- Salama**, obrigada.
- Ah... Senhora, estou a vender pulseira.
- Sim estou a ver, estas pulseiras são de quê?
- Rabo de elefante...
- Ah, muito bem. E custam quanto?
- Está a 20 cada uma...
- A 20 meticais? E quanto me faz se levar cinco?
- Fica a 15 cada uma.
. Está bem... E quem fez as pulseiras?
- Eu mesmo, mamã!
- Ah, muito bem, parabéns, são muito bonitas! Mas onde é que arranjou o rabo de elefante?
- É um caçador que vende.
- Um caçador? E onde é que ele caça?
- Não sei, mamã...
- Mas ele mata os elefantes para lhes cortar o rabo?
- [Atrapalhado, sem saber o que dizer a esta mukunya***, que nem comprava nem desgrudava literalmente do seu pé...] Não... corta o rabo, só.
- Hum... Olhe, pode dizer, que eu levo na mesma...
- O quê, mamã?
- Não são de elefante, pois não?
- [Com pouca convicção] São sim...
- Mas pode dizer, não tem problema...
- [Baixando os olhos, envergonhado] Ah, mamã... São di pineu...
- De quê?
- Di pineu, mamã.
- Mas o que é um pineu? É parecido com quê?
- Pineu... Não sabe o que é pineu? Pineu di carro!
- De pneu?!
- Sim, mamã. Nós corta o pineu di carro e dentro do pineu tem o miolo que faz o fio...
- Ah... Levo cinco, então!
* Novidades - Como está [de saúde]?
** Tudo bem.
*** Mukunya - Branca
Publicado por Beijo de Mulata em 04/05/2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A morte de José e Maria
A morte saiu à rua e levou as vidas de José e Maria.
Não foi uma morte qualquer. Foi uma morte vil, assassina e cobarde que lhes roubou as vidas.
Foi na passada terça-feira 24 que José Cláudio e sua esposa Maria do Espírito Santo foram assassinados perto de sua casa em Nova Ipixuna, Pará, Brasil por defenderem a Floresta. José Cláudio, esposa e outros defensores da floresta entregaram um documento assinado no Ministério Público de Marabá a denunciar a atividade ilícita e criminosa dos madeireiros. A esse documento / manifesto deram o nome "A floresta pede socorro, mas o homem não quer ouvir".
Os ricos e poderosos madeireiros não gostam que ninguém se atravesse no seu caminho. Por isso matam. Pior, matam impunemente! Já o fizeram em 1988 com o seringueiro Xico Mendes e com a missionária Dorothy Stang em 2005. Apenas 2 exemplos que foram mundialmente noticiados. Muitos outros têm anonimamente tombado em defesa da Sua Floresta, da Nossa Floresta!
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| José Cláudio e Maria do Espírito Santo |
«De pé em cima do palco, mulato grisalho, de boina, jeans e T-shirt, José Cláudio explicou à plateia como em 1997 a região dele tinha 85 por cento de floresta nativa e com a chegada das madeireiras passou para pouco mais de 20 por cento, "um desastre" para quem vive da floresta.
Mais: como as madeireiras significam risco de morte violenta. "Vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito, por isso eu vivo com a bala na cabeça a qualquer hora. Porque eu vou para cima, denuncio os madeireiros, denuncio os carvoeiros, e por isso eles acham que eu não posso existir. A mesma coisa que fizeram no Acre com o Chico Mendes querem fazer comigo, a mesma coisa que fizeram com a irmã Dorothy querem fazer comigo. Eu posso estar hoje aqui conversando com vocês e daqui a um mês vocês podem saber a notícia de que eu desapareci. Me perguntam: "Tem medo?" Tenho. Sou ser humano. Mas o medo não empata de eu ficar calado. Enquanto eu tiver força para andar, estarei denunciando todos aqueles que prejudicam a floresta. Essas árvores que tem na Amazónia são as minhas irmãs."»
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Bravo Tango Tango
Bravo Tango Tango significa, no alfabeto fonético, BTT.
É uma mera recordação de oficial de transmissões que fui em tempos.
No próximo domingo 29 realiza-se na nossa vizinha Cabeça Gorda o "VII Raid BTT" organizado pela secção de BTT do Ferrobico.
Bravo Ferrobico!
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| Imagem do cartaz 'sacada' ao Álvaro Barriga no seu Aldeagar |
domingo, 22 de maio de 2011
Crónica de afetos
Publicou a revista Visão no passado dia 12 uma crónica de António Lobo Antunes intitulada Cartilha maternal.
É - tal como quase tudo o que escreve - sublime!
Com a devida vénia - ao escritor e à revista - aqui a transcrevo.
Cartilha maternal
A minha mãe tem noventa e três anos, está cega, está surda, é um farrapinho que o menor sopro leva e, no entanto, lembra-se do peso com que os seis filhos nasceram, das peripécias de cada parto, dos primeiros dentes, do momento em que começaram a falar, a andar, a tudo o resto, doenças, operações ao apêndice, gracinhas, e dá-me ideia que os considera, ainda hoje, como as crianças que foram, mascaradas de adultos. Ontem, ao despedir-me dela, beijei-a e a reação foi
- Isso é maneira de se dar um beijo?
seguida de
- Um beijo como deve ser, se fazes favor
e lá lhe pus, na bochecha, um beijo como deve ser. E tinha razão porque me limitara a roçar-lhe a testa com a boca. Várias vezes a ouvi perguntar aos meus irmãos
- Não sabes dar um beijo como deve ser?
de pé, minúscula, mirando as sombras que agora somos para ela e que, mesmo assim, consegue avaliar
- Estás mais gordo, estás mais magro
com uma exactidão infalível. Passa connosco os jantares de quinta-feira em silêncio, o Pedro grita-lhe na orelha as poucas coisas que lhe dizemos, vive, sem uma queixa, numa solidão absoluta
- O que é que faz o dia todo?
- Penso
às voltas com recordações, memórias. Uma ocasião, ainda o meu pai estava vivo, sentiu-se mal. Formaram-se duas brigadas de filhos, metade permaneceu em casa a acompanhar o meu pai, a outra metade partiu com ela para a Cuf. Sem uma queixa, exigiu, antes de partir, subir ao primeiro andar para se pôr mais bonita: maquilhou-se melhor, penteou-se melhor, apareceu com uma écharpe, um broche e um sorriso
- Até logo ou até ao outro mundo
e, por acaso, foi até logo. Isto sem alarme, sem pânico, sem patetismo algum: absolutamente tranquila:
- Até logo ou até ao outro mundo
e que lição de dignidade vinda de uma pessoa que diz ter muito medo da morte. Eu sou o mais velho e, ao nascer, quase a matava de uma eclampsia. Depois de me tirarem a ferros quem ia indo desta para melhor era eu, porque toda a gente, ocupada com a moribunda, se esqueceu de mim. Segundo a lenda familiar foi uma tia velha, uma das primeiras senhoras a matricularem-se em Medicina, quem me descobriu sem respirar. E, não me lembro como, porque a memória dos meus primeiros minutos, ignoro porquê, não é lá muito boa, conseguiram reanimar o crianço. Mas antes disso, quando transportavam a minha mãe para a sala de partos, já com visão dupla e os outros sintomas todos, conta ela que a maca passou pelo meu pai, encostado à parede do corredor. A minha mãe
- Eu não te disse que ia morrer?
E o meu pai não encontrou melhor resposta do que
- E o que é que queres que eu faça?
e até ao dia de hoje ela não esqueceu esta frase. Ao falar nisto, muito mais tarde, o meu pai continuava sem lhe entender a indignação
- E o que é que tu querias que eu fizesse, realmente?
como se continuasse, encostado à parede, a ver passar a mulher moribunda. Aliás a doença e a morte são assuntos a que nos referimos pouco entre nós, o pudor sempre nos impediu a expressão, em voz alta, dos sentimentos mais íntimos, e gostamos uns dos outros sem falar nisso. Sofre-se calado e acompanha-se o sofrimento calado. Em regra tampouco se cumprimenta um de nós pelos seus sucessos ou se critica o que não gostamos: uma espécie de princípio de vasos comunicantes silenciosos chega. Quando de um problema de saúde na tribu, em lugar de soprar fosse o que fosse ao meu irmão que o teve ofereci-lhe um pião e o respectivo cordel, um pião igual àqueles que deitávamos em criança, de pau e com um prego a fazer de bico. Não se calcula a quantidade de emoções que um pião sabe explicar, ou como um pião é capaz de resumir os numerosíssimos afectos de uma vida inteira. O meu irmão percebeu. Eu sabia.
E chega.
Tenho estado para aqui a escrever sobre a minha mãe e, se calhar, parece que gosto muito dela: não é verdade. A nossa relação é demasiado complexa, como qualquer relação verdadeira, mas não vou, evidentemente, falar disso. E a relação de um homem com os pais foi sempre um assunto penoso, cheio de julgamentos implacáveis, muitas vezes injustos, muitas vezes cruéis, olhando-se mutuamente num rancor de acusados. Quando um amigo de Freud lhe perguntou como educar o filho, Freud respondeu
- Faças o que fizeres será mal feito
e eis uma verdade do tamanho do mundo, pela qual os pais e os filhos pagam um preço demasiado grande. Um preço insuportável. Não merece a pena andar com paninhos quentes dado que não se pode escapar disto. Recordo-me de uma senhora para o marido
- Gostas de mim, Zé?
e do marido
- Isso são coisas a que não se pode responder de ânimo leve
que me dá ideia, embora o senhor, na cabeça dele, estivesse a brincar, que me dá ideia de ser a única resposta honesta possível. A frase
- Isso são coisas a que não se pode responder de ânimo leve
gira-me há anos e anos, na cabeça, a mim que pertenço à classe dos eternos culpabilizados e questiono sempre tudo. Não me apetece insistir nesta matéria. Primeiro porque dói, segundo porque ninguém tem nada a ver com isso e terceiro porque não se deve pôr um coração debaixo de cada palavra. Os livros que escrevi, o livro que escrevo agora, os livros que, se tiver tempo, escreverei, falam o suficiente de vocês e de mim. A nossa sede de amor é inextinguível. Mas não vou passear pela rua de caneca na mão.
António Lobo Antunes in Visão 12 de Maio de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
Pelo pescoço
O vice-presidente do Parlamento ucraniano Adam Martynyuk, à direita, agarrou o adjunto Oleg Lyashko durante uma sessão legislativa em Kiev, quarta-feira 18/05/2011.
Por cá ainda não chegámos a tanto...
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