domingo, 10 de janeiro de 2010

Ai Destino ...

Quis o destino que eu há dez anos atrás fizesse parte de um seminário sobre fiscalidade de offshores.
Nesse seminário realizado em Austin, capital do estado do Texas, apareceu como orador convidado um jovem jurista mestrando em fiscalidade pela UTA (University of Texas at Austin). Quando ouvi o seu nome julguei tratar-se de um hispânico. Fiquei admirado pelo brilhantismo do seu discurso. Perante um auditório recheado de pós-doutorados com muitos anos de experiência no offshore na área quer do direito quer da fiscalidade, esse jovem conseguiu prender a atenção da plateia. Quando me disseram que ele era português não acreditei. Julguei tratar-se de piadinha pelo facto de eu ser o único português naquele seminário.
Eu estava enganado. O jovem em causa era de facto português, mais precisamente, o responsável por eu estar aqui e agora a escrever, Luís Tavares. Foi aí que o conheci. Foi a partir daí que nos tornámos amigos. Amizade essa fortemente solidificada nestes dez anos, criando a sensação de sermos amigos desde tenra idade.
Quis o destino que o Luís me viesse bater à porta, literalmente, para ser administrador deste blog. Não gosto de desapontar os amigos, mas recusei. Recusei com factos, com provas. Ou melhor, coloquemos a coisa no singular, porque é apenas um facto ou prova que argumentei em minha defesa: nunca escrevi num blog! Nem em comentário!!
Dispenso-me a transcrever os contra-argumentos do Luís. É, entre outras, a especialidade dele. Tanto assim é que me convenceu. Não totalmente, mas a amizade também foi um argumento de peso.
E assim, quis o destino, que eu vá escrevendo por aqui até ao final deste ano. Não vai ser fácil para mim, porém todos os possíveis farei para cumprir este desígnio. Já só faltam 355 dias ...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Foi Um Prazer Estar Consigo

Este é o post número cem deste blog.
Este é o meu primeiro post do ano 2010.
Este é também o meu último post do ano 2010.
Meras coincidências.
Fui convidado para desempenhar funções na área da consultadoria jurídica num organismo público. Trata-se de uma função com carácter extraordinário e com termo em 31-12-2010.
Por uma questão deontológica não poderei publicar nada neste ou em outro blog.
Apesar da minha tomada de posse estar agendada para o próximo dia 6, decidi terminar já a minha participação na blogosfera.
Ultimamente tenho-me desdobrado em contactos vários para escolher um novo administrador para este blog.
A Ana e o Petr são apenas convidados e é com esse estatuto que continuarão. A Deolinda é administradora mas, por motivos académicos, tem a sua função suspensa.

A minha escolha recaiu sobre um homem que não é de Quintos. Nem nunca esteve em Quintos.
José Falcão é o seu nome. Economista, 47 anos e vive no Reino Unido, país onde está instalado o servidor deste blog.
José Falcão é apenas licenciado, mas a sua carreira profissional é invejável. Sempre ligado ao mundo do petróleo, foi durante alguns anos administrador delegado da Exxon Mobil. Hoje trabalha no ICBT da BP em Sunbury-on-Thames, Londres.
Culto, afável, com uma inteligência muitos furos acima da média, é a pessoa indicada para este “cargo”.

Ao Dr. José Falcão, de quem tenho a honra de ser amigo, o meu muito obrigado e muitas felicidades.

Aos meus/nossos leitores um bom ano e um até sempre.

Luís Tavares

O Melhor Post de Dezembro

Coube-me a tarefa – ingrata – de escolher o melhor post de Dezembro.
Ser-me-ia bem mais simples se me fosse permitido escolher um blog russo (são os que mais visito!). Mas não, a administração deste bolg disse-me logo que isso estava fora de questão.
Como tal, tive que visitar mais de 400 blogs portugueses ou escritos em português.
Escolhi um post que, curiosamente, não tem título. O autor deste blog não dá títulos aos seus post.
É um poema de amor. Bonito. É com amor que fechamos o ano de 2009, quanto a O melhor Post do mês.

Vou até ao mais íntimo de mim
ao mais básico do meu ser
(se é que isso é possível, tamanho emaranho!)
para dizer-te que carrego no peito
o trago amargo dos dias
estes dias sem ti (dos).
Trago no coração uma tamanha força
Abrupta! Sinto-a a cada vez que dou um passo,
cada vez que procuro esquecer o vazio que deixaste.
Violentamente sinto-a no corpo,
deixa-me sufocado, como se os pulmões estivessem entupidos,
não respiro direito (e não culpes o tabaco!)
Como se me tivessem amarrado a uma cadeira,
não me deixando partir.
Contudo, na alma sinto uma paz... (inqualificável!)
E um sentimento (incomensurável!) divino, perfeito.
Que não sei como ou de onde veio,
Apenas que chegou, e sem pedir licença
Abriu a porta, entrou e sentou.
E por aí ficou… assim, a espera
Durante dias longos
momentos... sem ti (dos).

Publicada por João on 12/19/2009 01:46:00 AM

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dia Mundial da Paz

Hoje é o dia por que todos lutamos. Paradoxalmente, é o dia da Paz.
Confesso que sou fraca em sociologia antropológica, mas creio que o Homem nunca foi pacifista. Isto é, defensor da Paz.
Ainda hoje, mais de dois mil anos depois do nascimento de Cristo, o Homem preocupa-se mais com a intriga, o combate, a guerra, do que propriamente com o bem estar de todos, a harmonia civilizacional, a PAZ!
Há quem diga que a guerra gera biliões e a paz só dá prejuízo.
Sua Santidade Bento XVI apelou hoje, mais uma vez, ao desarmamento total e ao respeito por todas as culturas.
Seria óptimo que todos nós parássemos um pouco e meditássemos na mensagem do Santo Padre.
Já é tempo de construirmos pontes em vez de muros.
Um bom ano a todos vós.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Segurança Está Segura?

A segurança é uma matéria que me é querida.
Como militar, desenvolvo a minha actividade na área da segurança. Não segurança aero-portuária.
Mas é justamente sobre a aero-portuária que vou falar, ou melhor, escrever.
Aos voos tendo como origem ou destino os Estados Unidos fica proibido:
Uso de telemóvel, GPS, internet, etc.
A tripulação não pode dar indicação do local nem trajectória/plano de voo, nem haverá recurso aos mapas virtuais de posicionamento da aeronave (isto no espaço aéreo dos EUA).
Não é necessário ser perito em segurança aérea para saber que estas medidas são folclore. Salvo se o receio da CIA e da NSA for de ataque por míssil terra-ar.
A segurança de uma aeronave faz-se no solo. Antes e durante o embarque. Depois da descolagem não há sistemas de segurança, a não ser contra-medidas para míssil.
É claro que há uma intenção nestas medidas “rígidas”. É desviar a atenção. Ao se implementar estas medidas de segurança, que de segurança nada têm, as pessoas acreditam que algo se está a fazer para as proteger e sujeitam-se aos sacrifícios. No entanto estas medidas escondem o cerne da questão: a segurança é feita no solo e, no caso do voo da Delta Air Lines essa segurança falhou. Ou melhor, a CIA e a NSA falharam.
Concordo e defendo que se deve não só intensificar como melhorar a segurança no embarque. Mesmo que isso choque mentes mais sensíveis e preocupadas com a privacidade (ou ausência dela) nessa metodologia de segurança. É um custo que todos temos de pagar para nossa própria segurança.
E nunca nos podemos esquecer: segurança total não existe. O risco está sempre presente. Em segurança a falha, técnica ou humana, nunca pode existir ou pelo menos, tem que ser minimizada a valores residuais. E aqui, não confundir falha com erro; são coisas completamente diferentes.
Quanto ao resto poupem-me.
Ou melhor, poupem os passageiros.

A Pobreza … de ideias

Há meses dizia-se que o governo de José Sócrates tinha um comportamento quase ditatorial.
Só fazia o que lhe dava na real gana. Arrogante. Desprezo pelos outros. Etc.
A maioria absoluta acabou.
Mas José Sócrates continua a governar.
A governar bem. Como sempre.
Sejamos sinceros, há décadas – muitas – que não víamos um Governo digno desse nome.
Pena é que não tenha corrido ainda com o esquerdismo residual do PS: M. Alegre, M. Soares, J. Sampaio e outros (poucos, felizmente).
Pena é que a Direita portuguesa, num puro acto de loucura colectiva, continue a atacar este governo.
O CDS vive para um homem: Paulo de seu nome. Tinham um homem que poderia dar uma nova dimensão ao CDS, Nuno Melo, mas já o despacharam para Bruxelas.
O PSD é uma coisa híbrida. Não sabe se deve ser Democrata ou Social (será socialista?!). Neste momento cheira a mofo e tornou-se amorfo.
Quanto aos comunas e afins, continuam a arrastar-se na lama que adoram: a maledicência.
Parece criminoso dizer isto, mas não é: o Partido Socialista é – neste momento – o único partido português com dignidade. Porque os outros é só pobreza … de ideias.

sábado, 26 de dezembro de 2009

À Procura do Rosto de Deus

Foi este o título da homilia de natal de D. José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa.
Lamenta D. José Policarpo a indiferença, o agnoticismo e mesmo o ateísmo da sociedade portuguesa.
Eu também lamento.
Lamento a indiferença e o ateísmo não da sociedade portuguesa, porque o comportamento dessa até é compreensível, mas da Igreja portuguesa.
A Igreja é composta não apenas por cardeais, bispos e padres. Mas também – e principalmente, digo eu – por crentes. Crentes praticantes, porque ser apenas crente e não ser praticante é pouco ou nada melhor que agnóstico.
Não me vou pronunciar sobre o comportamento da Igreja onde actualmente moro. É um grande centro urbano, ninguém conhece ninguém, e como tal, a Igreja pode utilizar isso como desculpa.
Vou-me pronunciar sobre o comportamento da Igreja na aldeia que dá título a este blog: Quintos.
Quintos é uma pequena aldeia com cerca de 100 habitantes residentes e dista cerca de 15 km de Beja. À semelhança de outras aldeias alentejanas todos, ou quase todos, se dizem crentes. Ir à missa, por exemplo, já vai contra os seus princípios.
Mas há resistentes! Há quem se desloque semanalmente à igreja para assistir à missa dominical.
São mais católicos do que aqueles que preferem ficar em casa?
Não! São menos católicos do que os que ficam em casa. Bastante menos!
Ser católico é praticar o bem. Ser católico é preocupar-se com o sofrimento alheio. Ser católico é ser solidário.
Em Quintos todos os que frequentam a igreja desprezam os outros. Tratam tudo e todos com indiferença e até, por vezes, com algum cinismo.
A esmagadora maioria dos habitantes de Quintos é idosa. Pobre. Carente. Carente até de afectos. Já alguém em Quintos viu aqueles que frequentam a igreja preocupar-se com o bem estar (ou mal estar) dos velhos e velhas de Quintos? Nunca! Até hoje – 26 de Dezembro de 2009 – isso nunca aconteceu!
Quem se preocupa são aqueles que não vão à missa.
Ah, mas esses não são católicos!
Não?!
Se calhar bem mais que os outros ...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal

É a capital do Estado de Rio Grande do Norte no Brasil. Lá trabalhei durante quatro anos de 1998 a 2002.
Reza a história que a cidade de Natal foi fundada no dia de … natal!
Corria o ano de 1599 e Portugal encontrava-se ocupado pelos seus vizinhos espanhóis.
Adorei lá trabalhar. Adorei lá viver. Adorei aquela gente. É, para mim, a melhor cidade do Brasil. A dimensão do Rio, SP ou BH torna-as cidades fantásticas. Mas nenhuma delas tem o encanto de Natal. Ponta Negra é o ex-líbris desta maravilhosa e pacífica cidade brasileira. Todos os anos faço questão – de honra! – de passar alguns dias em Natal.


Natal. Outro natal. A data, o acontecimento, o nascimento que é celebrado nesse dia. O The New York Times tem hoje por cima do seu logo a mensagem, com link para contribuição, “Hoje é véspera de Natal. Lembre-se dos mais necessitados”. É uma mensagem louvável. É uma contribuição para uma causa, não direi nobre, mas útil. Necessária. Eu contribui. Não com o que devia, é certo. Mas contribui. Sei que a minha contribuição em nada contribui para acabar com os mais necessitados. Os mais necessitados, os mais pobres, os sem-abrigo e indigentes são necessários. Sem eles não havia comissões para o combate à pobreza. Sem eles não podíamos fazer a nossa acção de graça nesta data festiva. Festiva para nós, não necessitados. Os outros não são apenas necessitados, são também necessários.
Se os pobres deixassem de existir, nós os ricos morreríamos no segundo seguinte.

Nota de rodapé:
Há cerca de dez meses o meu amigo Luís T convidou-me para escrever para o blog que ele iria criar. Recusei. Estava na altura numa missão que me impedia de publicar fosse o que fosse, mesmo sob pseudónimo. Hoje, apesar de estar a mais de 10 mil km de Portugal, decidi escrevinhar alguns textos. Até que a Drª. Deolinda termine a sua tese.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Aero Parque em Beja

Segundo o jornal Público o célebre Aeroporto de Beja - ou será do Alentejo? - afinal não passa de parque de estacionamento. Para aviões.
Eu acho que o deveriam ter feito subterrâneo para proteger os pobres aviões das intempéries alentejanas.
Há aqui uns anos, quando os alentejanos diziam que Alqueva ia servir para irrigar campos de golf e turismo os 'entendidos na matéria' diziam que eram calúnias!
Hoje, esses e outros 'entendidos' calam-se ...
Quanto ao aeroporto, só alguns parvos acreditaram que aquilo traria algo de benéfico para a região. Eu fui um desses parvos.
O tempo veio dar razão aos cépticos.
O tempo veio demonstrar que eu não tenho queda para bruxo.
O aeroporto de Beja ou do Alentejo é uma miragem.
Só faltam os camelos.
Será que faltam?!

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Sino - Boletim Paroquial de Quintos

Há dias que recebi O Sino – Boletim Paroquial de Quintos. Por motivos de ordem profissional e académica não me foi possível publicar este post mais cedo.
Escolhi para publicação uma crónica de Maria Susana Mexia “O Esplendor da Velhice”.
Nos dias que correm, e refiro-me à população idosa de Quintos, não há grande esplendor. Olhando para o passado recordam sofrimento, trabalho árduo de sol-a-sol, exploração e vida de miséria muitas vezes com fome. Olhando para o presente e ao que resta do futuro vêem insegurança, reformas miseráveis, médicos a teimar em receitar medicamentos de marca em vez de genéricos e, como tal, terem que os pagar.
No entanto há quem tenha uma velhice esplendorosa. Mas esses certamente nunca trabalharam.



O Esplendor da Velhice

A vida longa já não é um caso raro, nem uma excepção.
A ciência e a medicina no seu progresso vão retardando a chegada da morte e multidões de idosos, em número crescente, povoam a terra. No começo do século XX a esperança de vida rondava os 40 anos, hoje aproxima-se dos 80.
A velhice é um período rico e luminoso que permite contemplar serenamente o passado e dar um sentido pleno a toda a existência.
O menosprezo pelo idoso será um sinal de pobreza espiritual, pois a experiência da vida só ele a tem, só ele tem histórias para recordar e contar, só ele se pode dar ao luxo de olhar para trás e sentir a tranquilidade da missão cumprida.
No entardecer da vida, a hora da velhice pode também ser um tempo para rezar por tudo e por todos, pelos que já partiram, pelos que ainda cá estão e por todos os que hão-de vir.
Para alguns, os que não tiveram a felicidade de encontrar Deus no seu caminho poderá até ser um momento de conversão.
Abandonar o passado, o presente e o futuro nas Suas mãos é uma fonte de leveza, de serenidade e de Paz.
O recurso ao Sacramento disponível para esta idade – a Unção dos Doentes – é ainda uma forma de preparar a viagem no último capítulo da história terrena.
“Fica connosco Senhor por que se faz tarde e a nossa vida está a chegar ao fim” é um apelo no crepúsculo, na hora da viragem, é a ânsia da chegada à pátria definitiva para todo o sempre.
No dizer de Guies Deleuze – filósofo francês – a velhice será uma sabedoria e uma arte de bem saber acabar de viver.

Maria Susana Mexia

Nota: Por motivos académicos – fase final do doutoramento – não me é possível continuar a escrever neste blog. Publicarei apenas, mensalmente, uma crónica do Boletim Paroquial de Quintos. Depois de terminar o doutoramento retomarei, se me for permitido, as postagens com a periodicidade que tinha até aqui.