segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Uns míseros trocos



Há cerca de cinco anos a República Popular da China desenvolveu um plano para obter uma maior influência global, mediante o financiamento de grandes projetos na Ásia, Europa do leste e África.
Com essa cartada conseguiu um importante posicionamento global na disputa com os EUA em áreas primordiais como são a economia, o desenvolvimento tecnológico e a política internacional.
Na passada semana, tentando contrariar a cada vez maior influência chinesa, Donald Trump aprovou um pacote de 60 000 000 000 (sessenta mil milhões!) de dólares para financiar projetos de infraestruturas em África, Ásia e América Latina com o objetivo de bloquear as ambições expansionistas de Pequim.
Fonte: New York Times 15-10-2018

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

‘Tá tudo preso!

Foto: David Swanson | The Inquirer

Adoramos que alguém, mesmo que apenas indiciado de um crime, vá preso. É a justiça a funcionar, seja esse alguém culpado ou não, porque, a nossa sentença está sempre protegida pela máxima demolidora que “não há fumo sem fogo”.
Partindo do princípio que “a execução da pena de prisão, servindo a defesa da sociedade e prevenindo a prática de crimes, deve orientar-se no sentido de reintegração social do recluso, preparando-o para conduzir a sua vida de modo socialmente responsável, sem cometer crimes” o melhor local para o criminoso é a cadeia… ou não.
Sem mais delongas e com a devida vénia um excerto do belo texto de José Lúcio, juiz Presidente da Comarca de Beja no LN:
«Se atentarmos nas reclamações que explodem diariamente nos meios de comunicação social e nas redes sociais – vejam-se as caixas de comentários – somos levados a pensar que meio país só ficava satisfeito depois de conseguir prender outro meio. E como o sentimento dessas metades é inevitavelmente recíproco, não se descortina ninguém insuspeito para ficar do lado de fora guardando a multidão de presos.
O júbilo com que é acolhida a notícia de que alguém foi para a cadeia e a imensa frustração com que são recebidas as notícias referindo alguém que não foi, a ânsia e a aspiração exuberante a mais e mais prisões, parecem naturalmente intrigantes. Esta devoção pela cadeia, ou crença ingénua de que as prisões em massa podem resolver problemas sociais de diversa ordem, devem ser algo de novo, próprio da nossa época e sociedade.
(…)
Olhe-se para o exemplo americano e aí sim constata-se uma taxa de encarceramento impressionante. Presos aos milhões. Todavia, temos que perguntar pelos resultados. A sociedade americana é mais segura, pacífica e tranquila do que a nossa? Existem menos assaltos, menos tiroteios, menos homicídios? Quais foram os resultados dessa política? Quem souber responder que responda.»

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Crescer bem, envelhecer melhor


Qual é o segredo para envelhecer bem? Os especialistas indicam que o melhor é estar satisfeito: aceitar que o avanço da idade é apenas mais uma etapa para poder lidar melhor com o que surge à medida que nos aproximamos da velhice.
O exercício físico (caminhadas, natação, etc) assim como o exercício mental (leitura, jogos de paciência, etc) são excelentes contributos para nos manter o mais em forma possível. Mas a melhor forma de responder ao envelhecimento não está no ginásio, está na sua (nossa) mente.
Imagem: Robert Nicol
Texto adaptado de The New York Times 08-10-2018

 

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A nossa justiça


É, contra tudo e contra todos, a melhor Justiça. O resto são pormenores insignificantes.
Sobre um dos temas da atualidade mediática internacional transcrevo e subscrevo o texto de Ricardo Pereira na publicação Magg da passada sexta-feira:
«Quando pedem justiça, as pessoas não querem justiça, querem apenas que se decida de acordo com a sentença que já traçaram nas suas cabeças.
O caso do suposto crime de violação que poderá ter sido cometido por Cristiano Ronaldo tem tido esse efeito na sociedade portuguesa, e tem mostrado que, de facto, muita gente não pede nem quer justiça, não quer que os tribunais analisem todas as provas e decidam de acordo com o que for encontrado pela investigação, preferem, antes, ser elas próprias a julgar de acordo com o que andam a ler, com o que ouvem no café ou o que “aprendem” em conversas de amigos. Se a decisão final sobre este caso não for ao encontro da opinião que entretanto formularam, então, não terá sido feita justiça.
Tal como quase toda a gente, o que sei sobre este caso é o que tenho lido em jornais, nacionais ou internacionais, e ouvido nas televisões. Não tenho qualquer certeza sobre o que aconteceu, sobre a culpa de Ronaldo ou as intenções de Kathryn Mayorga, mas há factos que ninguém pode desmentir [e os factos são]:
1. Houve uma relação sexual entre Ronaldo e Kathryn Mayorga, a 12 de junho de 2009, num hotel em Las Vegas;
2. No dia seguinte, Kathryn apresentou na polícia de Las Vegas uma queixa afirmando que tinha sido violada;
3. A polícia de Las Vegas fez testes a Kathryn e confirmou que a então modelo teria sido “penetrada no ânus”, de acordo com o relatório das autoridades;
4. Perante esta queixa, a polícia de Las Vegas interrogou Ronaldo, que confirmou o ato sexual, admitiu que “ela disse não e para várias vezes”, embora se tenha mostrado “disponível”. Admitiu que foi “rude”, que durante o ato não mudaram “de posição”, que o mesmo durou “cinco a sete minutos”, e que no final lhe garantiu que não era “como os outros”, pendido-lhe “desculpa” depois de terem tido relações sexuais.
5. Alguns meses depois destes interrogatórios, os advogados de Kathryn e Ronaldo iniciaram conversações no sentido de chegarem a um acordo que contemplaria o silêncio da modelo sobre o caso, a troco de uma indemnização, que acabou por se fixar em 375 mil dólares;
6. Motivada pelo movimento #MeToo, e para tentar perceber se o mesmo teria acontecido a outras mulheres, Kathryn quebrou o silêncio e contou a sua versão da história, tendo os seus advogados manifestado disponibilidade para devolver os 375 mil dólares que Kathryn recebeu, para que o caso possa ser devidamente julgado pela justiça;
7. A polícia de Las Vegas reabriu o caso.
Tudo isto são factos, não é especulação, não é diz-que-disse, não é uma versão da história. Perante isto, como é que a esmagadora maioria das pessoas reagiu em Portugal, usando sobretudo as redes sociais? Insultando Kathryn, questionando as suas motivações, vitimizando Ronaldo. Muito pouca gente teve o bom senso de dizer apenas: “Vamos esperar para que sejam analisados todos os factos e depois logo se vê se Ronaldo é culpado ou não”. E era isso que deveria ter acontecido. Nem Ronaldo é mais culpado por ser uma vedeta planetária, nem é menos culpado por ser o nosso herói. Quem vai ter de responder por esta acusação não é o jogador que marca golos de qualquer lado, não é o melhor do mundo, é o cidadão Cristiano Ronaldo Aveiro, que tem os mesmos direitos e obrigações que qualquer outro. É a isso que se chama justiça e é precisamente por ser assim que o símbolo da justiça é uma figura com os olhos vendados, porque todos são iguais perante a lei.»
Ricardo Martins Pereira in MAGG 05-10-2018

Foto: by Observador
 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

And the winner is...


Esta foi a abóbora classificada em primeiro lugar no festival RHS Harvest Show que se realiza hoje e amanhã em Londres.

 
Foto: Heathcliff O'Malley | The Telegraph

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A sujidade


«Até hoje, a maioria dos norte americanos tinha um respeito quase reverencial pelo seu Presidente, quer fosse um pouco ou nada ético Nixon ou um incompetente Bush, até que descobriram um senhor chamado Donald Trump que destruiu todo esse respeito porque um presidente também pode pensar, falar e atuar como um inútil.»
Martín Caparrós, The New York Times, 27-09-2018

Foto: Carlos Barria | Reuters
 

sábado, 29 de setembro de 2018

Quintos na rota do motociclismo


A Freguesia de Quintos foi hoje atravessada de lés-a-lés por cerca de 300 motards. Tratou-se da 3ª etapa da 4ª Edição do “Portugal de Lés-a-Lés Off Road”.
Com um percurso total de cerca de 1000 km, esta edição foi divida em 3 etapas:
27 de setembro - Macedo de Cavaleiros / Castelo Branco
28 de setembro – Castelo Branco / Reguengos de Monsaraz
29 de setembro – Reguengos de Monsaraz / Albufeira
Diz a Organização (Federação de Motociclismo de Portugal) que é «Uma verdadeira oportunidade de aventura e convívio onde terá que pôr em prática as técnicas de condução fora de estrada que o todo-o-terreno exige, sem contudo deixar de poder desfrutar da tranquilidade e do ambiente turístico inerentes à facilidade do percurso.»
Foi também cativante assistir durante quase 4 horas ao desfilar de todas estas motos pelas estradas de Quintos.
Os nossos agradecimentos à Organização por se lembrar de Quintos.

Foto: FMP

 

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Segundos antes da morte

O fotógrafo captou esta imagem 1 ou 2 segundos antes que a garça engolisse o peixe.
É percetível o pavor do peixe.


Foto: Dave Potts | Mercury Press

domingo, 23 de setembro de 2018

Um mal menor


Para mal dos nossos pecados esta malazenga não nos desampara a loja. Diz Paulo Barriga no seu editorial do Diário do Alentejo da passada sexta-feira que isto é um mal menor. O senhor, desculpe-me a frontalidade, é sovina!
Com a devida vénia, um pequeno excerto:
«A questão de fundo é que que as autarquias, esta [Barrancos] como as restantes e sem exceção que se conheça e que possa servir de exemplo, estão enxameadas de amigos, de camaradas e de todo o tipo de compagnos de route que chegam e entram pela porta grande, sem bater. Que é como quem diz: sem prestarem provas das suas reais competências (quando as possuem). Enquanto o compadrio estiver instituído na base da cadeia e até legalmente institucionalizado e enquanto a prevalência nas escolhas mais elementares for a cor do cartão que se traz na carteira, a corrupção em Portugal será sempre um mal, claro que sim.
Mas, pelos vistos, um mal menor.»
Paulo Barriga, DA nº 1900 de 21-09-2018

Paulo Ventura, demitido da CM Barrancos por suspeita de corrupção
Imagem: RTP
 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Lá como cá, infelizmente


Em Pedrógão Grande o senhor Presidente da Câmara (acerca da reconstrução de casas após os incêndios do ano passado) diz que fez tudo o que era possível fazer e de uma forma correta.
Faz agora um ano que Maria (o furação) devastou, entre outros, Porto Rico. Jornalistas do New York Times visitaram Porto Rico para ver o que (como prometido por Donald Trump) foi reconstruido. Sobre a reconstrução de Porto Rico, há dias afirmou Trump que “fizemos um trabalho magnífico”, no entanto um entre muitos milhares de outros residentes de Porto Rico afirmou “Gostava que ele fosse capaz de dizer-me isso na cara!”.
Mais palavras para quê?!

 
Foto: Andres Kudacki | TIME