segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sol que se apagou

  
Uma verdade que ocultamos a nós próprios, intencionalmente ou não.
Escreveu Hernâni Matos no seu blogue, que aqui transcrevemos com a devida vénia:

«A vida é uma longa caminhada, feita de afectos e emoções, alegrias e tristezas, ilusões e desilusões, medos e actos de coragem, vitórias e derrotas, avanços e recuos. Enfim, de tudo um pouco.
Atingir os objectivos pessoais previamente fixados, é fruto de muito esforço e disciplina, mas também de alguma imaginação. Condições favoráveis também ajudam. Porém, mal de nós se estivermos à espera que o maná nos caia do céu.
Podemos levar a vida a sério ou não. O que é certo é que a vida nos acaba sempre por pregar partidas. Quando damos por nós, somos um sol que se apagou.»

 
 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O cisne ataca, de novo

  
A ação passa-se no rio Cam que atravessa a cidade de Cambridge, Inglaterra.
Há uns anos havia por lá um cisne que tinha a mania de atacar quem passeava de barco pelo rio Cam. As autoridades foram forçadas em 2012 a retirá-lo do rio e levá-lo para um local seguro a cerca de 100 kms de Cambridge.
Quando todos já tinham esquecido o agressivo cisne eis que surge no rio um outro cisne, mais jovem e também mais agressivo que o anterior. É o pavor de quem passeia de barco no rio Cam. John Gale de Cambridge diz "É o cisne mais cruel que eu já vi!". Ataca sem dó nem piedade todos os que se passeiam no rio. Já se tornou vedeta fazendo com que muitas pessoas se desloquem à beira rio só para fotografar os seus ataques.
Recordo-me, quando miúda de tenra idade, visitar os meus avós numa quinta perto de Quintos onde havia, não cisnes, mas patos. Patos mudos, diziam. Perdi a conta às vezes que fugi chorando à frente deles. Para mim aquilo não eram patos, eram aves enormes e monstruosas tipo pterossauros!

Fonte: The Daily Telegraph
  
Foto: Geoff Robinson in Telegraph
  
 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Feira da conversa

  
O que nos leva a uma feira? Ou melhor, o que nos levava a uma feira?
A feira era o local onde tudo se podia comprar, desde gado, roupa, artigos diversos para a casa, alfaias agrícolas, etc.. Era um mundo onde a diversão também não faltava.
A feira da Salvada era uma feira especial, sui generis. Para além de tudo o que as outras feiras tinham – à sua escala, evidentemente – tinha como divisa a conversa. Sem a grandeza da feira de Beja, Serpa, Moura ou Ferreira do Alentejo, a feira da Salvada sempre encantou pela fraternidade, pela forma familiar como todos se tratavam fossem eles da terra ou não. A conversa à mesa ou balcão das várias tasquinhas fluía acompanhada com o bom petisco e o bom vinho que os salvadenses sempre souberam produzir.
A feira de Beja, majestosa como foi outrora, morreu, mas a feira da conversa continua de pé graças à vontade de quem não quer deixar morrer as tradições.
15, 16 e 17 de agosto são os dias em que a feira da Salvada se vai realizar.
Não tem a grandiosidade dos anos 60 e 70 do século passado, mas as tasquinhas, os produtos regionais, a diversão e acima de tudo “o saber receber bem” vão estar presentes.
Por tudo isto apareça pela Salvada este fim de semana!
  

  

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Sucata

  
Confesso que já não recordo quem foi o 'inteligente' que teve a brilhante ideia de construir um aeroporto em Beja. Para essa mente brilhante constrói-se uma infraestrutura desta envergadura e, com um estalar de dedos, as pessoas aparecem. Não sei por que se não lembrou de construir um porto de águas profundas junto ao moinho dos Machados, em Quintos...
O Paulo Barriga escreve esta semana no editorial do Diário do Alentejo que já se descobriu qual vai ser o destino final e rentável do aeroporto de Beja: um parque de sucata. Não, a ideia não é dele, é do presidente dos Aeroportos de Portugal.
Turismo? Plataforma logística? Investigação e fabrico de componentes aeronáuticos?
Nada disso, o lixo é que está a dar.
Bom, se isto também não der resultado pode ser transformado num aterro sanitário da Amalga.




segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Relâmpago em contínuo

  
Desde há séculos que um espetáculo estranho e único no mundo acontece na foz do rio Catatumbo, lago Maracaibo, Venezuela. Chama-se Relâmpago de Catatumbo.
É um fenómeno da natureza que produz entre 30 a 60 raios por minuto, ou seja, quase um por segundo. Estes raios têm uma intensidade entre 100.000 a 400.000 ampéres e pode a sua luz (relâmpago) ser vista a mais de 400 kms de distância, daí também serem denominados como Farol de Maracaibo.
Estas trovoadas acontecem cerca de 160 vezes por ano, entre abril e novembro e têm uma duração média de 10 horas.
Este fenómeno está registado no Livro dos Recordes Guinness.
Fonte: El País
Foto: Cordon Press




  

sábado, 2 de agosto de 2014

Feira de Agosto

  
A Feira de S. Lourenço e Santa Maria morreu há 14 anos. Já era secular, é certo, mas “por impedimentos logísticos”, disse a Câmara Municipal de Beja, não se realizou nesse ano de 2000… nem seguintes.
No início do século passado a Feira realizava-se fora dos terrenos da cidade, no local hoje ocupado pelo antigo Liceu Diogo Gouveia. Com o crescimento da cidade e com a construção do Liceu de Beja que veio a ocupar metade dos terrenos da feira esta deslocou-se para os terrenos agora ocupados pelo Pavilhão Desportivo, Hotel Francis e toda essa zona habitacional.
A Feira de S. Lourenço tinha como dia principal o dia do padroeiro, 10 de agosto, e era visitada pelos abastados da nossa praça. A Feira de Santa Maria tinha o seu auge a 15 de agosto e era o dia das massas. Chegou a haver comboio especial de Beja para Quintos para transportar de regresso as centenas de pessoas que se tinham deslocado à feira! Outros tempos...
A feira servia também como ponto de referência no calendário, era a altura em que se pagava a renda anual da casa ou da courela ao senhorio.
Este ano – 2014 – vai a Comissão de Festas de Beja com o apoio do município realizar as Festas em Honra de Santa Maria, de 14 a 17 de agosto. Haverá desfiles, fogo de artifício, tasquinhas, bailes e piqueniques. Não vai revitalizar a feira, como dizem, mas vale a pena visitar.
O programa completo das festas pode ser consultado aqui.
Foto 1 – Cartaz da festa
Foto 2 – Feira de Beja em 1930, retirada de Beja y Arrabaldes

  

 



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sieg Heil, Netanyahu!


Adolf Hitler mandou abater tudo e todos os que se opunham aos seus ideais.
Adolf Hitler invadiu e ocupou territórios vizinhos.
Os israelitas aprenderam bem a lição e seguem-lhe as pisadas.

Mais uma escola destruída em Gaza sem direito à evacuação dos seus ocupantes.
Foto: Marco Longari / AFP / Getty Images
 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Meo, já és de maior, pá!

  
É no próximo mês, de 6 a 10 que se vai realizar a 18ª edição do Meo Sudoeste em Zambujeira do Mar.
É um dos maiores festivais que se realizam em Portugal e o maior do Alentejo.
São 3 os palcos onde atuarão os diversos artistas com estilos de música para todos os gostos.
O bilhete varia entre os 48 euros para um livre trânsito diário e os 95 euros para um livre trânsito para todo o festival.
O cartaz completo pode ser visto na página oficial do festival.

  
 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Polícia de trator

 
No Dubai a polícia anda de Lamborghinis e de Ferraris, no País de Gales anda de... trator agrícola!
Não, não é para combater o crime. Serve apenas para atrair o público e tentar envolvê-lo nos eventos agrícolas da região este verão.
O trator foi emprestado por uma empresa de revenda de máquinas agrícolas.
Fonte: The Daily Telegraph

  
Foto: Mercury Press
 

domingo, 20 de julho de 2014

Gaza

  
Para ler e meditar.
Texto do Embaixador Francisco Seixas da Costa publicado hoje no seu blogue 2 ou 3 Coisas.
Gaza
Vai para duas décadas, dormi uma noite na Faixa de Gaza. Embora fosse novembro, a noite estava quente e abafada. A insónia fez com que eu me sentasse, por algum tempo, na varanda da espartana "guest house" que o governo de Arafat me tinha destinado. Recordo-me de ter dado por mim a notar o pesado silêncio da noite daquela que era, e ainda hoje é, uma das zonas mais densamente povoadas do mundo. Só ao fim de uns minutos realizei que, tendo sido assassinado horas antes o primeiro-ministro de Israel, Itzak Rabin, aquela não era para Gaza uma noite normal, numa terra que se habituou a conviver com a insegurança. O silêncio significava então algo mais: o medo.
Os últimos dias e noites não têm sido fáceis em Gaza e as muitas centenas de mortos árabes, para punir a mão-cheia de vítimas israelitas, repetem um "script" que todos conhecemos de cor.
Não faço a menor ideia de como vai acabar, se é que algum dia vai acabar, o triste conflito israelo-palestiniano. Uma coisa tenho por certo: as humilhações e os padecimentos, somados à pobreza e à raiva que vêm com eles, são o irreversível caldo de cultura em que foram criadas várias gerações de palestinianos. Nunca uma paz sustentável de construiu sobre a persistência do ódio e Israel sabe bem que, com esta sua postura, afasta, dia após dia, as hipóteses de uma paz negociada, numa guerra que nunca vai poder ganhar em absoluto. Pelo contrário, com a sua política de permanente desprestígio da Autoridade Palestiniana e desprezo notório pelas vidas dos seus vizinhos, Israel dá adubo ao terreno onde prosperarão sempre o Hamas e outros grupos radicais. O governo de Telavive recorre, ano após ano, às ações militares que só geram novos e eternos inimigos nas populações civis árabes, fartas de ver nascer, como cogumelos, sucessivos colonatos judaicos - sob a cínica complacência internacional - que afastam, a cada hora, a sua esperança de retornar à terra que as resoluções da ONU lhes atribuiu, mas que ninguém obriga Israel a cumprir.

Perante o mundo, desde os "taken for granted" EUA até à pusilanimidade europeia, os palestinianos parece só terem o dever à sua ritual humilhação. Israel, na assunção eterna do direito histórico à "terra prometida", potenciado pelo usufruto da memória da barbárie nazi e, mais recentemente, da onda anti-muçulmana depois do 11 de setembro, tem sempre mão livre para tudo quanto entenda fazer, não se lhe aplicando a condenação que atitudes idênticas provocariam, se acaso tivessem sido outros Estados a praticá-las. Por muito que alguns atos palestinianos sejam condenáveis, o saldo da violência israelita é incomensuravelmente maior, é uma insuportável bofetada no Direito Internacional, assumida com arrogância e com uma cegueira histórica que um dia acabará por se voltar, em definitivo, contra o Estado judeu.
Termino com uma pergunta: por que razão Israel não aceita que as Nações Unidas coloquem observadores internacionais com a responsabilidade de vigiarem as linhas de separação entre o seu território e as áreas atribuídas às autoridades palestinianas, que, por exemplo, facilmente poderiam denunciar os ataques feitos destes últimos para o seu território? É na resposta nunca abertamente dada a esta questão que reside a chave da verdadeira atitude de Israel perante todo este problema.