terça-feira, 9 de abril de 2013

ASAE versus Tribunal Constitucional

  
Perdoem-me a arrogância mas parece que está tudo louco. 
Exemplo 1, fictício:
Na passada sexta-feira a ASAE deslocou-se ao restaurante “Passada de Coelho” e apreendeu quatro quilos de banha de porco que se encontrava com o prazo de validade ultrapassado. A gerência do dito restaurante acusa a ASAE de inviabilizar o fabrico de «Rojões à Moda do Minho». 
Exemplo 2, real:
Foto: Carla Rosado in Público
 

Na passada sexta-feira o Tribunal Constitucional declarou a inconstitucionalidade de quatro normas do Orçamento de Estado que está em execução. 
Aqui-d'el-rei, gritam desalmadamente os defensores deste governo.
Mas, humildemente pergunto, a Lei só deve ser aplicada quando não colide com interesses instalados?
A Constituição está suspensa ou foi alterada por portaria ou decreto-lei? 
São os loucos de Lisboa?


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Rua!

  
Fora de cena quem não é de cena.
Há muito que esta saída se esperava.
Foi tarde, muito tarde, tarde de mais talvez.
A Comissão de Trabalhadores da RTP pede que Relvas leve com ele a administração da televisão portuguesa.
Nestes tempos de crise não podemos ser tão exigentes...
Mas já que pedir ainda não paga imposto, ótimo seria que Relvas levasse consigo - e para bem longe! - o resto deste maldito governo.

  
Foto: Daniel Rocha in Público
  

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O futuro a Deus pertence

  
O futuro a Deus pertence, mas há outros deuses menores que o querem prever. Chamam-se astrólogos, bruxos, analistas políticos, e outros. Todos estes deuses menores têm uma coisa em comum: por norma, nunca acertam. As raras vezes em que acertam é pura casualidade.
Sobre esta tremenda incógnita – O Futuro – escreveu Ricardo Vargas na revista Start&Go de março/abril, um excelente artigo, que transcrevemos, com a devida vénia:

Futuro, terra incógnita

É humano e não há nada a fazer. Tendemos a lidar mal com a incerteza. Por isso inventamos mezinhas e rezas, consultamos astrólogos e adivinhos, pagamos a investidores e especialistas financeiros para que nos digam o que vai acontecer a seguir.

Não aceitamos a aleatoriedade, o acaso, a ambiguidade. Parece-nos impossível que uma coisa possa ser boa e má ao mesmo tempo, sob diferentes pontos de vista. A maioria de nós precisa de caixinhas fechadas para classificar a realidade e iludir-se acerca do seu controlo. Pensamos que por conhecer algumas das regras que gerem os acontecimentos eles ficam sob nosso domínio. A gestão é um ofício que depende da previsibilidade. Por isso os futurólogos têm um lugar tão central no nosso imaginário. Damos como boas as suas previsões sem pôr em causa os pressupostos com que analisam os factos, nem validar os seus critérios de seleção de informação. Permitimos-lhes que pensem por nós. Preocupamo-nos quando nos dizem que o momento é difícil e investimos quando nos dizem para o fazer. Quando tudo corre bem, as previsões dos especialistas diferem entre si algumas décimas de milímetro e nada mais. Todos seguem a mesma cartilha que lhes permite parecer que sabem do que falam sem correr o risco de afirmar algo tão fora das expectativas que possa ser facilmente desconfirmado a posteriori.
Mas quando a imprevisibilidade dos mercados atinge níveis elevados é vê-los de cabeça perdida. Basta ouvir o que dizem: “Esta é a maior crise desde a Grande Depressão”, “Vai passar tão rápido como a de 1987, não chega à de 1929”, “Já estamos a recuperar”, “Ainda não batemos no fundo”, “Invistam agora”, “Refugiem-se agora”. Visto de fora é quase divertido. A verdade é que se fosse possível fazer algum tipo de previsão os senhores teriam previsto o atoleiro em que nos encontramos. Onde estavam eles quando precisámos que nos avisassem para não avançar na direção do abismo? A fazer previsões marginalmente diferentes uns dos outros baseadas em factos do passado. Porque é assim que a coisa funciona. Os futurólogos analisam séries de dados do passado, caracterizam as semelhanças com a situação atual e “preveem” que o futuro será semelhante ao que aconteceu no passado a seguir à série de dados considerados. Não é espantoso? Os futurólogos olham para o passado para prever o futuro. Colocam uma “régua mental” sobre os gráficos existentes e traçam o ponto provável onde estaremos a seguir, utilizando esse padrão. Esquecem que os atores, as condições e os contextos que criaram os padrões de acontecimentos passados já não existem. Por isso as suas previsões são estatisticamente menos fiáveis do que o boletim meteorológico. O próprio conhecimento dos acontecimentos passados será utilizado pelos atores de hoje para maximizar os seus resultados amanhã. O jogo muda quando muda uma das suas variáveis. E no caso do mercado mudam todas de cada vez que uma oportunidade se apresenta. O futuro é uma terra incógnita. Não sabemos que povo o habita, que língua fala, que leis o regem, que valores tem. Não sabemos que doenças o afetam, nem se somos imunes a elas. Não conhecemos os seus negócios nem os seus líderes. Tudo o que sabemos sobre o povo do futuro é que será tão parecido connosco quanto os filhos se parecem com os pais. O que é quase nada. Por isso eu prevejo que algumas coisas muito boas e algumas coisas muito más acontecerão nos próximos tempos. Mas estudando as previsões do passado prevejo que as coisas verdadeiramente relevantes não serão previstas por ninguém.

Ricardo Vargas, CEO, Consulting House in revista Start&Go, nº 1 março/abril 2013

 

domingo, 31 de março de 2013

Francisco e o seu gesto

  
Um gesto vale mais que mil palavras?
Vale.
Como escreveu André Lobato Ferreira no seu blogue em 28-11-2011:
«São gestos que fazem de nós aquilo que somos, através daquilo que fazemos.
São os gestos que mostram as nossas ações e aquilo que queremos.
»
Prostrar-se enquanto orava durante a celebração da Paixão do Senhor, na Basílica de São Pedro no Vaticano na passada sexta-feira, foi um pequeno gesto, mas diz tudo da grandeza deste homem, o Papa Francisco.
  

Foto: Max Rossi / Reuters
 

sábado, 30 de março de 2013

Orando em Daca

  
Simpatizantes do partido islâmico Islami Andolan Bangladesh orando nas ruas de Daca, capital do Bangladesh, ontem.
 
Foto: Munir uz Zaman / AFP / Getty Images
 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Honrado Comunista

 
Ser Comunista é uma utopia. É algo supremo de mais, inatingível, portanto. Ser Cristão não é diferente.
Dizer-se comunista ou cristão é, não só banal, como fácil. Sê-lo, é outra coisa completamente diferente.
Eu, pessoalmente, não conheço nenhum, comunista ou cristão. Conheço, entretanto, alguns que por lá andam perto, mas estar perto é uma coisa, estar lá é outra muito diferente.
Conheci mal João Honrado, como tal não vou fazer juízo de valor sobre a sua pessoa, mas concordo quase em absoluto com o tema de Paulo Barriga no Editorial desta semana do Diário do Alentejo.
Com a devida vénia aqui o transcrevo:

Honrado 
  
A ambição pessoal é a primeira de entre todas as difíceis provações do ser-se comunista. Combatê-la, expurgá-la, amansá-la, numa luta incessante, que se reacende a cada instante com redobrada violência, não está ao alcance de qualquer um. Ser-se comunista, antes de qualquer razão ideológica ou programática ou mesmo mística, consiste precisamente nesse combate permanente contra as investidas do individualismo. O que não é nada fácil, já se disse. A natureza humana, na sua mais imperfeita condição, é contrária à utopia coletivista. A primeira aspiração do operário é ascender a manajeiro. A primeira vontade do rural é dar em lavrador. O primeiro desejo do soldado é comandar o pelotão. No fundo, a primeira ambição do proletário é vestir a fatiota do burguês. Ser-se comunista, comunista à séria, no sentido elementar do termo, do tornar comum, é afinal lutar contra a vil tentação do individualismo. Pregando a todo o momento as virtudes do coletivismo. Não é usual encontrarem-se comunistas assim. Gente desapegada. Verdadeiramente fraterna e plural. Tão despojada e crente e pura quanto os primeiros cristãos o foram. Comunistas que residem (ou resistem) muito para lá do Partido. Muito além dos partidos. João Honrado, que há uma semana nos deixou, foi das poucas pessoas que conheci a quem o rótulo “comunista” lhe não caía mal. Na sua ética, na sua coerência, na sua convicção inabalável, Honrado representa um tempo, uma geração de homens e de mulheres, que já não existe. Um exemplo, um modelo que qualquer um teria gosto em seguir. Mas que à partida o saberia inalcançável. A vida e a luta de João Honrado vencerão, por certo, a lei do esquecimento. Porque ser-se comunista não está ao alcance de qualquer um. E João Honrado foi dos raros combatentes que venceu todas as duras batalhas que travou contra as investidas do individualismo. Que é a maior das provações do ser-se comunista. 

Paulo Barriga, Editorial do Diário do Alentejo, 28-03-2013
  

terça-feira, 26 de março de 2013

Lixo nunca mais!

  
Um tema cada vez mais atual, os resíduos que vamos deixando daquilo que utilizamos, ou seja, o lixo. Para bem do ambiente, e por conseguinte de todos nós, temos o dever e a obrigação de o tratar e reaproveitar.
É sobre isso mesmo que escreve Fernando Leite, administrador da empresa Lipor no número 1 da revista Start&Go.
Com a devida vénia, eis o artigo:

Lixo nunca mais

Embora seja um título agreste, é importante usar estes termos, quer a mensagem se destine ao cidadão comum, quer aos profissionais da área do Ambiente.

Todos nós, enquanto Cidadãos, produzimos resíduos que em épocas de prosperidade, atingem produções significativas, de 1,5Kg/habitante/dia, até 2Kg/habitante/dia, e até mais. Acresce que numa Sociedade de abundância, numa Sociedade num ciclo económico expansivo, nunca se conseguiu desacoplar o crescimento económico de um impacte ambiental forte, com intensa utilização de recursos naturais e fortes episódios de poluição, como intensa produção de gases de efeito de estufa.
Os resíduos são produzidos pelos Cidadãos, essencialmente, enquanto trabalhadores, enquanto residentes e enquanto visitantes/turistas num determinado local.
Estes resíduos são normalmente destruídos/ou depositados em Aterros, e a visão que os Cidadãos têm desses mesmos resíduos é de desprezo, de algo que não tem valor, que deve ser colocado longe da “vista”.
Esta não é, verdadeiramente, a Visão que devemos ter, que devemos promover.
Um resíduo não deve ser descartado, deve ser, antes, aproveitado, reaproveitado, valorizado, deve ser um valioso começo de um novo ciclo. Dar uma segunda vida a um resíduo, é torna-lo p.e. uma nova matéria-prima, é reutilizá-la para uma nova função é aproveitá-lo para gerar energia.
Através da Inovação, do desenvolvimento de “produto”, de uma gestão sustentável dos resíduos, compreendendo todas as ligações da Cadeia de Valor dos Bens, poderemos, com qualidade, gerar riqueza a partir de um resíduo.
Um resíduo como um recurso é a melhor resposta e o convencimento de que “lixo nunca mais.”

Fernando Leite
Administrador delegado
Lipor
in Revista Start&Go, nº 1 março/abril 2013
  

segunda-feira, 25 de março de 2013

Santa Genoveva

  
Hoje, segunda-feira santa, penitentes da Irmandade de Santa Genoveva participaram numa procissão em Sevilha, Espanha.
Durante a Semana Santa da Páscoa centenas de procissões são realizadas em toda a Espanha.
  
Foto: Emilio Morenatti / Associated Press
   

domingo, 24 de março de 2013

Ser Solidário

  
É certo e sabido que os mais solidários e generosos são aqueles que pouco ou nada têm. Estão sempre dispostos a ajudar o próximo sem outro objetivo que não esse, ajudar.
Infelizmente há cada vez mais quem precise. Muitos dos necessitados de hoje, há uns anos atrás faziam parte de uma classe dita média-alta onde nada falta (bens materiais, obviamente), hoje vivem nas ruas da amargura, literalmente alguns deles.
Faço minhas as palavras do senhor diácono José Rosa Costa no boletim paroquial de Quintos «O Sino» deste mês “Nesta Quaresma partilhe com quem mais precisa, seja solidário e Deus lhe retribuirá a merecida recompensa. Não tenha dúvidas. Deixamos aqui o nosso apelo. A resposta será sempre sua.
Neste sentido, a Caritas Diocesana de Beja apela à sua generosidade quando preencher a sua declaração de IRS de 2012 e dê 0,5% do seu imposto a esta instituição. Transcrevemos o apelo da Caritas Diocesana de Beja:
Ao preencher a sua próxima declaração de rendimentos de IRS, relativa ao ano de 2012, indique o número de contribuinte da Caritas Diocesana de Beja – 500 918 449 – no Quadro 9 do anexo H da sua declaração.
A Caritas Diocesana de Beja agradece e congratula-se com a colaboração, em 2011, de todos aqueles que, generosamente, através deste simples gesto de partilha e sem qualquer custo, ajudaram a apoiar 5542 pessoas carenciadas, através dos 13.003,81 euros angariados.
O seu contributo é valioso e fará a diferença na vida daqueles que tanto carecem do nosso auxílio.
Colabore com a Caritas Diocesana de Beja.
  

 

sábado, 16 de março de 2013

Extravagante

 
Igual a si próprio, como sempre. Alice Cooper ontem no festival dos caprichos em Crans-Montana, Suiça. Desta vez carregando uma boa.
  

Foto: Oliver Maire / European Pressphoto Agency