sábado, 2 de novembro de 2013

Nikon Small World

  
A Nikon Small World é uma competição de fotografia captada em microscópio que se realiza desde 1974.
No passado dia 30 a Nikon anunciou os vencedores deste ano.
Reproduzimos a foto que ficou em 3º lugar, trata-se de um verme marinho ampliado 20 vezes obtida pelo Dr. Álvaro Esteves Migotto do Centro de Biologia Marinha da Universidade de S. Paulo, Brasil.
  

Foto: Dr. Álvaro Esteves Migotto
 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A amargura da azeitona

  
Noticia hoje a Rádio Pax que a ACT identificou 21 trabalhadores romenos ilegais em explorações agrícolas no Baixo Alentejo.
Só? Pergunto eu, porque este número é no mínimo ridículo.
Há cerca de um ano Luís Tavares denunciava aqui essa exploração sem escrúpulos, em Quintos.
Pedro Pimenta Braz, inspetor-geral da ACT, explica que o trabalho não declarado é um “fenómeno que tem vindo a crescer nos últimos tempos, nomeadamente no setor agrícola”, diz a Rádio Pax.
O que tem sido feito para travar esta exploração?
Muito pouco ou quase nada. Quem explora esta situação continua impune.
No passado domingo estive em Quintos e o trabalho ou falta dele veio à baila. Fui aconselhada a ir ao Monte dos Pisões para ver a situação degradante de trabalhadores romenos que por lá se amontoam num casão agrícola, tal como no ano passado.
Foto: Apanha da azeitona, pirogravura

Fui. Tentei falar com alguns moradores portugueses dos Pisões mas não foi fácil. Há medo. São pessoas já bastante idosas a quem os romenos batem constantemente à porta a pedir de tudo. É só miséria, dizem-me. Já são poucos, cerca de uma dúzia, mas há pouco tempo atrás eram cerca de trinta, maioritariamente homens, as mulheres eram sete. Dormem todos numa única divisão do armazém, com as camas dispostas ao redor das quatro paredes, numa autêntica promiscuidade. O armazém situado no nº 22 do Monte dos Pisões está transformado num motel degradante. Eram cerca das quatro da tarde quando lá estive, o cheiro a fezes e urina era insuportável junto ao casão. Como só têm uma casa de banho (não sei se operacional) fazem as suas necessidades fisiológicas onde calha. Os habitantes portugueses anseiam por chuva para "abafar" este cheiro horrível. Os contentores do lixo deitam um cheiro nauseabundo, os romenos deitam o lixo (de todo o tipo) a granel, isto é, não acondicionado em sacos.
As autoridades sabem disto, perguntei. Ninguém soube ou quis responder.
Se a ACT por aqui viesse faria maior identificação de ilegais do que fez em todo o Baixo Alentejo, não creio que aqui haja um único romeno legal.
Tentei falar com alguns deles, mas mostraram-se desconfiados e falam muito pouco português. Andaram na colheita azeitona na Herdade da Lobatinha, mas já terminaram, ao que me disseram.
Para o próximo ano haverá mais, ilegais obviamente.
  

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Apartamentos MAX

 
Nos anos 80 do século passado havia em Beja algumas figuras que habitualmente designamos por castiças; exemplo: o Chiça e o Max.
Deste último ficou célebre a frase/questão «Para onde é que vocês querem levar-me o apartamento?» dirigida aos trabalhadores da recolha do lixo da Câmara de Beja, quando estes se preparavam para recolher as caixas de cartão onde o Max costumava pernoitar.
Rimo-nos da desgraça alheia, mas a hipótese de qualquer um de nós poder vir a "morar" num apartamento de cartão nunca esteve tão perto.
Na foto, captada hoje, um «MAX» anónimo dorme numa caixa de cartão numa rua de Madrid.
Dizem que vivemos numa sociedade cada vez melhor, mais justa, mais rica, mais solidária, mais tecnológica, mas, paradoxalmente, há cada vez mais Max's.
Será isto evolução?


Foto: Andres Kudacki / Associated Press


domingo, 27 de outubro de 2013

A mentira

  
Quando é que vamos acordar?
Onde nos levará esta guerra sem tréguas ao meio ambiente?
Já mentimos a nós próprios como se pode ver na fotografia.
Ontem em Hong Kong um turista tirava uma fotografia com um cenário montado atrás dele, para esse efeito.
Seria essa a bela imagem não fosse a excessiva poluição do ar.

  
Foto: Lam Yik Fei / Getty Images
 

sábado, 26 de outubro de 2013

Escutem-me, porra!

  
Não sei se Passos Coelho utilizou esta interjeição, mas que está desanimado com a falta de escutas pela NSA à sua pessoa, lá isso está.
A rapaziada da NSA também não lhes custava nada fazer uma escuta, mesmo pequenina, ao nosso primeiro.
Mas teimam em não escutá-lo, acho que é birrinha.
Birra digo eu, o Ferreira Fernandes tem outra explicação.
Ei-la:
 
Não é novidade, ninguém nos escuta!
Ninguém espia o levantar do Sol. Não é nenhum segredo, é sempre ali. Portugal é igualmente previsível. Não que a NSA, a tal agência de segurança americana que escuta toda a gente, não quisesse espiar também os portugueses. Mas teve de desistir porque era sempre detetada: os portugueses ouviam o agente americano a bocejar. Esta semana, começou com o Hollande indignado pelos 70,6 milhões de chamadas francesas gravadas e acabou com a Merkel surpreendida por o seu próprio telemóvel ter sido escutado pelos americanos. Ontem, na cimeira europeia, em Bruxelas, parecia a Casa dos Segredos, todos a saberem que os seus cochichos tinham sido gravados. Todos, não: Passos Coelho disse que não tinha "informações específicas" sobre escutas dos EUA a portugueses! Olha, talvez tenha sido uma retaliação americana: também eles não ouviam nenhuma "informação específica" quando espiavam os portugueses. Fartos de tantos "eh pá, sei lá!", "vamos a ver..." e "seja o que Deus quiser", desligaram-nos as escutas. Ninguém espia Portugal pela mesma razão de que ninguém corre atrás do comboio já apanhado. Os únicos segredos que temos são os de justiça. Mas mesmo estes não necessitam de aparelhagem sofisticada para os apanhar. Basta ir aos quiosques. Portugal, que já era o único país do mundo onde se passam horas no restaurante a pedir a conta, tem, para ser tomado a sério, de ir manifestar-se para a embaixada americana, acenando com os telemóveis.

Ferreira Fernandes in Diário de Notícias 26/10/2013


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Arte em grande escala

  
Esta obra de arte situa-se em Belfast, Irlanda do Norte e foi realizada pelo cubano Jorge Rodríguez-Gerada.
Ocupa uma área superior a 4 hectares e é composta por 2 mil toneladas de areia, outras tantas de terra e cerca de 30 mil estacas de madeira.
Inserida no 2013 Ulster Bank Belfast Festival at Queen’s que teve início no passado dia 17, esta obra tem o título de "Wish" (Desejo) e retrata uma rapariga de Belfast, com 6 anos de idade, mas cuja identidade não foi revelada.
A obra permanecerá visível até dezembro de 2013.

  
Foto: Cathal McNaughton / Reuters
 

Eclipse Solar em Beja

  
No próximo dia 3 de novembro haverá eclipse parcial do sol.
Eclipse parcial do Sol é um fenómeno astronómico, em que somente uma parte do Sol é ocultada pelo disco lunar. Isto sucede quando a Lua, em fase de Lua Nova, passa nos nodos da sua órbita (interceção com o plano da eclíptica) ou na sua proximidade.
Será total nalgumas partes de África, nas longitudes de S. Tomé e Príncipe e do Golfo da Guiné, por exemplo.
Na Península Ibérica assim como em Angola ou Moçambique será um eclipse parcial.
Em Beja terá início às 11h 38m 23,5s, a maior fase registar-se-á às 12h 26m 26,7s e terminará às 13h 14m 58,2s.
Em Beja terá uma magnitude muito pequena (0,148), uma obscuridade de 6,7% e uma duração de 1h 36m e 34,8s.
Mesmo com estes valores baixos, e se as condições meteorológicas o permitirem, não deixe de usar óculos de proteção se pretender olhar o eclipse.
O próximo eclipse solar visível na nossa região será em 20 de março de 2015. Será também parcial, mas com uma cobertura solar mais extensa que o de 3 de novembro.
Fontes: Time & Date / Observatório Astronómico de Lisboa
Imagens: Time & Date

 







 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Purificação

  
São várias as formas de nos purificarmos, a melhor, obviamente, é não pecar.
O arrependimento através da confissão é uma delas. O batismo é também um ato de purificação.
Na passada segunda-feira um peregrino ortodoxo russo purificava-se nas águas do rio Jordão em Qasr el Yahud, na Cisjordânia.
Muitos peregrinos ortodoxos visitam este local por acreditarem que Jesus Cristo foi aqui batizado.

  
Foto: Abir Sultan / European Pressphoto Agency
 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Para meditar

  
"Não esperes de mim um estilo ataviado e polido. Empregá-lo-ia se quisesse mas a verdade escapa-se quando estamos a escolher muito as palavras e usamos de rodeios: isso é nem mais nem menos que enganar. Se é isso que desejas, recorre a Cícero, pois é esse o seu ofício. O que eu disser será bastante belo, se bastante verdadeiro. As belas frases convêm aos retóricos, aos poetas, aos áulicos, aos namorados, às cortesãs, aos proxenetas, aos aduladores, aos parasitas e semelhantes, para os quais o falar bem é um fim.
Oxalá que tudo aquilo que eu atentamente elaboro, depois de elaborado tu o recebas com o mesmo espírito e precaução, e o julgues com são critério: e que tudo aquilo que parecer falso, tu o destruas com razões sólidas, e não, como fazem os invejosos e alguns ignorantes, com injúrias ineptas e que nada invalidam; aquilo, porém, que parecer justo, oxalá que tu o aproves e confirmes".

Excerto do livro "Quod nihil scitur" (Que nada se sabe) de Francisco Sanches, médico português nascido em Braga no ano de 1550.
Francisco Sanches foi professor de medicina na Universidade de Toulouse, França, cidade onde morreu em 1623.
 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um solene disparate

  
Imagem: Óleo sobre tela de Diego Velázquez
“O proselitismo é um solene disparate” - afirmou o Papa Francisco numa recente entrevista a um dos maiores jornais italianos, o “La Repubblica”. E acrescentava o Santo Padre: “A nossa missão não é proselitismo, é amor. Amor pelo próximo”.
O proselitismo é a tentativa de, à força, alguém convencer outro a abraçar as suas ideias, a fazer parte do seu grupo, a assumir as mesmas atitudes. Vemo-lo no plano religioso, mas igualmente no ideológico e mesmo naquele dos comportamentos.
Já em 2007, em Aparecida, na sua visita ao Brasil, o Santo Padre Bento XVI tinha dito o mesmo: "a missão de Cristo realizou-se no amor (...). A Igreja não faz proselitismo". E acrescentou: "A Igreja cresce muito mais por 'atração': como Cristo 'atrai todos a si' com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da cruz, assim a Igreja cumpre a sua missão na medida em que, associada a Cristo, cumpre a sua obra conformando-se em espírito e concretamente com a caridade do seu Senhor".
Muitas vezes é nesta diferença entre “proselitismo” e “amor pelo próximo” que nos deixamos confundir. Seja porque achamos que não é necessário anunciar Jesus Cristo e evangelizar - e, assim, ficamos de braços cruzados à espera que o cristianismo nasça em alguém de forma espontânea; seja porque (no extremo oposto) queremos, à força, obrigar todos a pensar e a agir como nós.
Mas o proselitismo não acontece apenas no plano religioso. Também no plano ideológico e moral. E com muito mais frequência que aquela que julgamos: o caso do “culturalmente correcto”, que nos obriga a pensar e a agir como dita a “moda”, e como “a tribo” dos meios de comunicação social entende, por muito disfarçado que esteja de “rebeldia”, continua a ser proselitismo, ou seja: “um solene disparate”.

D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa in Voz da Verdade