sábado, 26 de fevereiro de 2011
Beleza em concurso
Concurso de beleza em Verden, Alemanha.
Esta fotografia foi tirada na passada quinta-feira, 24.
Pessoalmente, desconheço as medidas ideais para este concurso.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Gestão danosa?
Publicou o blogue jansenista no passado dia 17 uma mensagem no mínimo preocupante.
Não sou economista, mas olhando para esta mensagem fico com uma dúvida:
O que andam a tramar a bem da nação?
O blogue Lobi do Chá, não ficando atrás, pergunta hoje: Podemos pôr o Estado em tribunal por gestão danosa do dinheiro público?
Mensagem do jansenista:
É mesmo para pagar? Esperemos que não
Um país em recessão e que, quando resolve crescer, nunca cresce acima dos 2% (e sabe Deus) anda a endividar-se a juros anuais de 6 ou 7% para quê? A situação não admite, sequer, interpretações alternativas, e resume-se a isto: ou o país não tenciona pagar o capital mutuado e renega-lo-á mais para a frente (com a reacção que se imagina), ou então está a comprometer inteiramente a viabilidade financeira de um futuro não muito distante, e por muitas gerações. Esta é a crua realidade; ou como se diria no ambiente anglo-saxónico, esta é a realidade "sine stercore tauri".
Publicado por Jansenista em 17/02/2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Quem te deu licença de morrer?
É este o título da crónica de António Lobo Antunes na Visão.
Por vezes agressivo, outras de uma doçura desconcertante Lobo Antunes continua a escrever como ninguém: brilhantemente!
Eis a crónica do meu escritor predileto.
Quem te deu licença de morrer?
Soube ontem que o Pontinha morreu em agosto. Era pobre demais para que alguém se interessasse por ele, falasse dele. Vivia na franja da miséria, com uma reforma ridícula, que tentava melhorar engraxando sapatos, aos domingos, no Campo Grande. Nunca o vi maldisposto, nunca o ouvi queixar-se. Aceitava. Foi ordenança da messe de oficiais em Marimba, cortava-me a comida em bocadinhos de dois por três centímetros, que eu conferia com uma fita métrica, no pretexto do tamanho da minha goela. Um milímetro a mais e soltava um berro
- Pontinha
mostrando-lhe, de dedo apontado, que não cabia. O Pontinha levava aquilo para dentro e procedia a novas medições. No encontro anual da Companhia fazia questão de me preparar o almoço, às vezes mandava-o sentar-se ao meu lado e o Pontinha, impante, designando os outros soldados
- Mijam-se todos de inveja de eu estar aqui à sua beira
a triunfar, radiante de júbilo, torto, feio, feliz. Não usava arma, trazia um pano sujo pendurado do ombro. A higiene não era o forte dele mas, na desgraça em que vivíamos, quem se ralava com isso? Várias vezes lhe ordenei
- Tira o polegar da minha sopa
O Pontinha tirava, chupava-o, perguntava-me
- Já está limpo, não está?
e, sem dar por isso, metia-o lá dentro outra vez. No meio daquela água chilra distinguia-lhe o cuspo, e engolia o polegar, água morna e alguns feijões. À tarde, se estava no aquartelamento, pedia-lhe chá e torradas, mais duras que os meus dentes, com uma leve sombra de manteiga em cima. Quanto ao chá sabia, em partes iguais, a borras de café e a Pontinha. O Pontinha era atirador, mas como a sua coragem se mostrava um bocado vacilante passou para a messe, um casinhoto horrível, diante do pau da bandeira e das trovoadas. O segundo comandante, de quem eu gostava
- Porque é que vocês têm aqui esta coisa?
fitando o Pontinha num desgosto à beira das lágrimas, e no entanto mantivemo-lo firme, com a sua sujidade e os seus dentes mal plantados, porque o Pontinha era tão mau que se tornava esplêndido e dava um vago colorido às nossas tristes existências. Acho que acabámos por ter uma certa ternura por ele
(que palavra tão esquisita na guerra, ternura)
e nos comovia o seu desamparo. Se calhar ele também tinha uma certa ternura por nós e comovia-o o nosso desamparo. Epidemias de cólera, solidão, saudades. Só o Pontinha se me afigurava contente no meio dos seus tachos em desordem: servir os senhores oficiais, que privilégio. E este agosto morreu. Nos encontros da companhia admitia que a mulher lhe dava porrada:
- E tu?
o Pontinha, convicto
- Lá lhe vou batendo também
mas menos que ela, mais desembaraçada no bofetão. Não parecia sofrer com essas lutas, orgulhava-se sinceramente da ferocidade da esposa:
- Não é para graças
exultava ele
- Não é para graças
orgulhoso da sua padeira de Aljubarrota, que lhe ficava com o dinheiro porque o Pontinha sofria de inclinações para o tinto. Na última ocasião não veio, alguém comentou vagamente
- Parece que não está muito bem
e não sei quê nos ossos enfiou-o numa caixa. Agora já não lhe batem, nem dá banho ao polegar em nenhuma sopa. Porque é que a sua morte me entristece? Por ele, claro, mas por mim também. Por ele, dado que o Pontinha apreciava viver, mesmo no meio da aflição dos seus dias. Por mim, pelo facto de o meu mundo se ir despovoando. Não me agrada que me roubem o passado, me depenem de recordações, memórias, torradas, panos sujos. Apetece-me berrar
- Pontinha
e o Pontinha vir a correr, relativamente a correr visto que a pressa não fazia parte das suas características, suspender-se no limiar com o pano sujo, interrogar
- É o lanchinho senhor doutor?
(não me tratava pelo posto, tratava-me por
- Senhor doutor)
e proceder, num imenso chinfrim de metais, à confeção das suas fatias de granito. Apetece-me inquirir
- Enfiaste o dedo na caneca do chá?
escutar de volta
- Quer que prove a ver se tem bastante açúcar?
Uivar-lhe
- Não
com o Pontinha já a sorver um golo, chamar-lhe
- Seu cabrão
e no fundo achar graça a tanto desvelo maternal, tanto cuidado. Há anos anunciou-me
- Você precisa é que vá para sua casa tomar conta de si
e quase estive de acordo com ele. Insistiu
- Não quer que vá para sua casa tomar conta de si?
por uma unha negra não disse
- Quero
e de novo as mangueiras de Marimba, tão lindas, entre a Administração e o posto médico, e de novo a comida cortada em dois por três centímetros, e de novo as imensas noites de Angola na estreiteza de Lisboa. E de novo nós com vinte anos e de novo estrelas desconhecidas, sem fim, a garantirem-nos que éramos eternos, que seríamos eternos eternamente. Alguns cadáveres à nossa volta, claro, mas a gente eternos. Foste-te com uma coisa nos ossos, imagine-se. Com que direito? Se caíres na asneira de me aparecer à frente torno a chamar-te
- Seu cabrão
já que, vendo bem as coisas, não era má ideia estares em minha casa a tomar conta de mim.
- Se eu tomasse conta de você o senhor doutor andava aí como uma rosa
e palavra que me dava jeito andar aí como uma rosa, as pessoas
- Anda aí como uma rosa
e eu
- É que tenho o Pontinha comigo
para os que não possuem a sorte de ter o Pontinha com eles, nem de exigirem
- Dois por três centímetros, Pontinha, nem mais um milímetro
e o Pontinha, de fita métrica, a conferir o rosbife.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
S. Valentim
Do boletim paroquial de Quintos - «O Sino» - de fevereiro 2011 transcrevemos o seguinte artigo dedicado ao dia que amanhã se comemora:
S. Valentim
Diz a lenda que S. Valentim é o protetor dos namorados, talvez fundamentada no facto de no século III, quando o imperador Cláudio II, envolvido em campanhas militares, considerou que os seus soldados davam menos rendimento na guerra por estarem sempre com pressa de voltar para as noivas ou para as esposas, proibiu todos os noivados e casamentos em Roma.
Contrariando esta determinação imperial, o bispo Valentim continuou a casar jovens apaixonados.
Quando o imperador soube, mandou prender o bispo, ordenando a sua decapitação, a 14 de fevereiro de 270.
Foi canonizado em 498 e os namorados declararam-no seu protetor.
O costume de aproveitar este dia para oferecer algo a quem se ama surgiu em 1840, quando Esther Howland começou a produzir lembranças para comemorar a «Valentine's Day».
Beja namora a 14 de fevereiro
Com a devida vénia, transcrevo da página do município de Beja esta informação.
O Amor vai andar à solta em Beja
No Dia dos Namorados, 14 de Fevereiro, Beja mergulha num ambiente de paixão e amor inspirado em Mariana Alcoforado. “Sexy Food” é o mote da iniciativa que compreende ementas românticas com pratos afrodisíacos, um workshop de comida afrodisíaca, um espectáculo inspirado nas cartas de Mariana Alcoforado e, por fim, um espectáculo no Pax Júlia pelo Grupo Mariel Martinez Tango Quintet.

O Município de Beja e vários restaurantes da cidade que aderiram à iniciativa entrelaçaram um programa recheado de surpresas. A Pousada de S. Francisco preparou um workshop sobre comida afrodisíaca limitado a 15 participantes. Os inscritos têm ainda direito a dois jantares românticos na Pousada, a dois bilhetes para o Tango Quintet e à apresentação do espectáculo “A Paixão de Mariana Alcoforado”, pela Homlet, Companhia de Teatro da Capricho. Muitos outros restaurantes da cidade também se aliaram à data festiva e prepararam ementas românticas. De entre os variadíssimos exemplos destacamos tâmaras de sedução, creme de tomate e gengibre, sopa de cupido, desejo de camarão com caril, tamboril romântico em molho de açafrão, frango com gengibre enamorado, filete de vitela DOP embebido em molho de café afrodisíaco, bacalhau à paraíso, miminhos de Adão e Eva. As sobremesas foram igualmente pensadas ao pormenor e, além das iguarias conventuais que fazem saltar o nome de Beja para fora de portas, foram ainda preparados bombons sensuais, pudins do amor, carícias – duo de chocolate branco e negro, entre muitas outras sedutoras propostas. Todos os clientes dos restaurantes que aderiram ao “Sexy Food” ganham, no Dia dos Namorados, um bilhete para assistir gratuitamente ao espectáculo do Pax Júlia: Mariel Martinez Tango Quintet.
E desenganem-se os que pensam que o dia 14 de Fevereiro é apenas comemorado por casais românticos ou com longas histórias de amor bem sucedido. Uma boa organização pensa em tudo e foi o que sucedeu. Para quem não tem namorado ou namorada, o bar Ritual está a preparar para esta noite a “Festa dos Encalhados”. Boa música, um copo, dois dedos de conversa e, com certeza, um bom clima. Beja é conhecida além fronteiras pelas ardentes cartas de amor de Mariana Alcoforado. A grande paixão da freira de Beja dá por isso o mote ao Festival do Amor que o Município de Beja está a preparar para o início de Junho, tendo sido escolhido o Dia dos Namorados para anunciar o Programa do Festival. A apresentação da imagem e do programa do Festival do Amor acontece na Pousada de S. Francisco.
Restaurantes que aderiram ao “Sexy Food”:
Luís da Rocha, Herdade dos Grous, Marisbeja, A Pipa, Seara (Beja Parque Hotel), Pousaki, O Árbitro, Espelho de Água, Pousada de S. Francisco, A Horta, A Esquina, Frango à Guia, O Arcada, O Charoco, Tem Avondo, O Pena, o Pavilhão da Caça (Vila Galé), Pizaria Salada de Frutas, D. Dinis.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Fonte de energia... sem alternativa
Arredores de Islamabad no Paquistão, 4ª feira, 9 de fevereiro.
Uma mulher transporta à cabeça um molho de lenha.
Quando vi esta foto veio-me à memória cena igual que - há 40 / 50 anos - tantas e tantas vezes vi nas ruas de Quintos, nos Montes Novos, Corvo ou Pisões.
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| Islamabad 2011; Quintos 1960 |
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Vai roubar pra outro lado!
Fecharam-se hospitais.
Fecharam-se escolas.
Agora fecham-se postos de polícia ou de GNR.
O gatuno, distraído ou porque não andou à escola, sujeita-se a esta humilhação retratada hoje no Diário do Alentejo.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Era uma vez
Até ao próximo dia 5 de março está patente ao público na Pousada S. Francisco em Beja a exposição «Era uma vez» do artista plástico Ricardo Passos.
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| Perpétua Roxa |
Ricardo Passos nasceu em Lisboa em 1963. Cedo se apaixonou pelas artes plásticas tendo publicado até hoje mais de 200 Obras. Com mais de uma centena de exposições individuais e coletivas em Espanha, França, Dubai, Japão, Brasil e EUA. Por diversas vezes foi distinguido nas várias áreas de expressão artística que vão desde a pintura, cerâmica, design gráfico até à cenografia e joalharia.
Como apresentação de «Era uma vez» escreveu, em junho de 2010, Ricardo Passos: “... Agora trato de rainhas dos nossos dias, cuja imagem é fruto daquilo que os meios de comunicação social querem que elas sejam, contradizendo-se muitas vezes uns aos outros, levando-nos a um grande desnorte e a uma grande incapacidade em saber o que é credível ou não, pois ao sermos 'informados' relativamente a um assunto, pelos diversos meios, deparamo-nos com incoerências, com estórias contraditórias entre jornais, revistas, canais de televisão... Notícias que no fim de contas não se complementam nem se sobrepõem. É como se ao juntarmos toda a informação que obtemos nos deparássemos com um puzzle cujas peças não encaixam.”
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