segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A sujidade


«Até hoje, a maioria dos norte americanos tinha um respeito quase reverencial pelo seu Presidente, quer fosse um pouco ou nada ético Nixon ou um incompetente Bush, até que descobriram um senhor chamado Donald Trump que destruiu todo esse respeito porque um presidente também pode pensar, falar e atuar como um inútil.»
Martín Caparrós, The New York Times, 27-09-2018

Foto: Carlos Barria | Reuters
 

sábado, 29 de setembro de 2018

Quintos na rota do motociclismo


A Freguesia de Quintos foi hoje atravessada de lés-a-lés por cerca de 300 motards. Tratou-se da 3ª etapa da 4ª Edição do “Portugal de Lés-a-Lés Off Road”.
Com um percurso total de cerca de 1000 km, esta edição foi divida em 3 etapas:
27 de setembro - Macedo de Cavaleiros / Castelo Branco
28 de setembro – Castelo Branco / Reguengos de Monsaraz
29 de setembro – Reguengos de Monsaraz / Albufeira
Diz a Organização (Federação de Motociclismo de Portugal) que é «Uma verdadeira oportunidade de aventura e convívio onde terá que pôr em prática as técnicas de condução fora de estrada que o todo-o-terreno exige, sem contudo deixar de poder desfrutar da tranquilidade e do ambiente turístico inerentes à facilidade do percurso.»
Foi também cativante assistir durante quase 4 horas ao desfilar de todas estas motos pelas estradas de Quintos.
Os nossos agradecimentos à Organização por se lembrar de Quintos.

Foto: FMP

 

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Segundos antes da morte

O fotógrafo captou esta imagem 1 ou 2 segundos antes que a garça engolisse o peixe.
É percetível o pavor do peixe.


Foto: Dave Potts | Mercury Press

domingo, 23 de setembro de 2018

Um mal menor


Para mal dos nossos pecados esta malazenga não nos desampara a loja. Diz Paulo Barriga no seu editorial do Diário do Alentejo da passada sexta-feira que isto é um mal menor. O senhor, desculpe-me a frontalidade, é sovina!
Com a devida vénia, um pequeno excerto:
«A questão de fundo é que que as autarquias, esta [Barrancos] como as restantes e sem exceção que se conheça e que possa servir de exemplo, estão enxameadas de amigos, de camaradas e de todo o tipo de compagnos de route que chegam e entram pela porta grande, sem bater. Que é como quem diz: sem prestarem provas das suas reais competências (quando as possuem). Enquanto o compadrio estiver instituído na base da cadeia e até legalmente institucionalizado e enquanto a prevalência nas escolhas mais elementares for a cor do cartão que se traz na carteira, a corrupção em Portugal será sempre um mal, claro que sim.
Mas, pelos vistos, um mal menor.»
Paulo Barriga, DA nº 1900 de 21-09-2018

Paulo Ventura, demitido da CM Barrancos por suspeita de corrupção
Imagem: RTP
 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Lá como cá, infelizmente


Em Pedrógão Grande o senhor Presidente da Câmara (acerca da reconstrução de casas após os incêndios do ano passado) diz que fez tudo o que era possível fazer e de uma forma correta.
Faz agora um ano que Maria (o furação) devastou, entre outros, Porto Rico. Jornalistas do New York Times visitaram Porto Rico para ver o que (como prometido por Donald Trump) foi reconstruido. Sobre a reconstrução de Porto Rico, há dias afirmou Trump que “fizemos um trabalho magnífico”, no entanto um entre muitos milhares de outros residentes de Porto Rico afirmou “Gostava que ele fosse capaz de dizer-me isso na cara!”.
Mais palavras para quê?!

 
Foto: Andres Kudacki | TIME

sábado, 15 de setembro de 2018

Num pinto!


Expressão tipicamente alentejana que se aplica em absoluto a esta imagem em que Robert Simmons Jr. e o seu gatinho saíram com vida da inundação provocada pelo Florence em New Bern, Carolina do Norte, EUA.
Foto: Andrew Carter | The News & Observer via AP

 

O pão nosso de cada dia II

Khartoum, Sudan
Um rapaz brinca com o seu melhor brinquedo, um pneu usado.
Foto: Ozge Elif Kizil | Anadolu Agency | Getty Images



O pão nosso de cada dia I

Beit Lahiya, Gaza
Um palestiniano transporta ao colo o seu filho sob os disparos de militares israelitas.
Foto: Felipe Dana | AP



Ao ataque!


Eu – pecador me confesso e me penitencio – tiro o meu chapéu ao brilhante texto de Ruy Ventura no DA de ontem.
É uma autêntica pedrada em muitos (em mim, inclusive), um pequeno excerto, com a devida vénia:
«Ataques
Existe uma grande distância entre o ataque, quase sempre injurioso, e a crítica ponderada, ainda que dura, duríssima mesmo.
Atacam-se os padres, quando dá jeito e se quer atingir certos objetivos. Atacam-se os políticos… Atacam-se os professores… Atacam-se os polícias… os médicos… os juízes… os advogados… os funcionários públicos… quando dá jeito e se quer atingir certos objetivos… quase sempre inconfessáveis. Ou quando é mais fácil cuspir na cara dos outros do que olhar para o espelho e ver a nossa pobre imagem refletida (…).
Dou por mim a pensar que, na doutra ciência dos autores, da miríade de autores desses ataques, (…) [os atacados] nasceram de geração espontânea e vivem sozinhos ou, então, em comunidades fechadas. Ou seja, não têm avós, nem mães, nem pais, nem filhos, nem primos, nem sobrinhos, nem tios, nem vizinhos, nem nada desse género… Aliás, na opinião de certos doutos, as pessoas que atacam – com bons ou maus pretextos – não devem pertencer à mesma espécie humana onde se incluem os seus achincalhadores.
Por isso lhes chamam “animais”, “monstros”, “filhos da puta”, “cabrões”, “chulos”, etc, etc. (…)».
Ruy Ventura, poeta e ensaísta in Diário do Alentejo de 14-09-2018

Foto: Woman, Inc.
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A fome


Como escreveu Martín Caparrós, colaborador do New York Times, “a fome continua a ser o horror solucionável que menos importa: mata mais do que qualquer doença, mas ataca sempre os outros, aqueles que não pensam como 'nós'”.
Assim reagiu Caparrós aos números apresentados pela ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO) que indicam que, pelo terceiro ano consecutivo, o número de pessoas que sofrem com a fome no mundo aumentou. O primeiro passo para combater esse mal, adianta Caparrós, é sentir que isso é uma incumbência nossa.
Segundo a FAO não é fácil saber quantos homens, mulheres e crianças passam fome. Os esfomeados vivem em países complicados, com Estados que não apenas não são capazes de assegurar a sua alimentação, como tão pouco têm meios para controlá-los.
Afirma a FAO que em 2016 haveria cerca de 784 milhões de indivíduos a passar fome, esse número, em 2017, subiu para 804 milhões e em 2018 tudo indica que sejam mais de 821 milhões.
Este é o grande problema do números, informam-nos mas depressa os esquecemos. É fácil olhar para eles e não pensarmos; que nos importa que uma em cada nove pessoas no mundo não come o suficiente, se por norma não conhecemos essas pessoas, adianta Caparrós.
Há 821 milhões de pessoas pobres que não comem o suficiente porque a produção global de alimentos é estruturada para satisfazer os mercados desenvolvidos, para concentrar em si a riqueza alimentar. Nunca na história da Humanidade se produziram tantos alimentos como agora, o problema não é escassez de comida, o problema é uma enorme escassez de dinheiro para comprá-la.

Foto: Thomas Mukoya | Reuters