quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Debate: Beber ou não beber


Não beba nem um único copo!”, esta foi a advertência feita recentemente por um estudo publicado na revista científica The Lancet® que qualquer quantidade de bebida alcoólica ingerida é nociva à saúde, contrariando assim alguns estudos que indicavam o contrário, isto é, os benefícios do consumo moderado de bebidas alcoólicas para reduzir o risco da diabetes ou de doenças cardíacas.
Entre os 15 e os 49 anos, o consumo de bebidas alcoólicas é o fator de risco mais comum de morte e incapacidade. Em 2016, o álcool representou 6,8% das mortes nos homens e 2,2% nas mulheres.
A diferença entre álcool e tabaco é que não nos surpreendemos que o tabaco mata”, diz a autora principal do estudo, Emmanuela Gakidou, professora de ciências médicas na Universidade de Washington, “De fato causa-nos muita surpresa, inclusive entre investigadores, que o álcool seja tão mau para as pessoas como na realidade é”, adianta a mesma investigadora.
Porém, estes dados devem ser analisados com precaução. O estudo foi realizado com base em estimativas, o que significa que o cálculo dos riscos não é igual para todos.
Posto isto, a nossa conclusão pessoal é semelhante à máxima de Shakespeare: “Um bom vinho é uma coisa boa e sociável, quando de ele não se abusa”.
Texto: Nicholas Bakalar in New York Times, 28-08-2018
Foto: Revista Veja, BR

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Ainda há heróis? Claro que há!


E são muitos, graças a Deus!
Sem delongas para não retirar o brilho ao texto de José Luís Martins, aqui Vos deixo esta sublime prosa:
«O herói não costuma ser o general
Não são precisos muitos meios para se alcançar o heroísmo. Aos que têm bastantes recursos costuma faltar a coragem para enfrentar o sofrimento e o desapego próprios de quem destina o céu a si mesmo.
A nossa vida não tem nem mais nem menos sentido porque estamos mais acima ou abaixo nas hierarquias humanas.
Não precisamos do poder de uma qualquer espada para lutar pelo bem, em muitas situações, uma esfregona e um balde podem bem ser os instrumentos mais indicados.
Aquilo a que a vida nos desafia é a sermos bons. A perfeição é mais uma questão de entrega do que de atenção à harmonia de todos os detalhes.
Passamos grande parte do nosso tempo a ser cobardes, porque o mais difícil é ser-se fiel nas pequenas coisas, nas insignificâncias, naquilo onde julgamos que nada está em questão.
Precisamos de assumir o protagonismo da nossa vida. Atribuirmos a nós mesmos o papel de heróis em vez de esperar que sejam outros, ou as circunstâncias, a levarem-nos à concretização dos nossos anseios.
São muitas as pessoas que parecem falhadas, em virtude das aparências da sua condição, mas que, na verdade, são aquilo que nós devíamos ser. São exemplos que não reconhecemos, são lições às quais não queremos prestar atenção. Como se a felicidade fosse algo de luxuoso, sofisticado e repleto de vaidades.
Aqueles que na vida social não ocupam nenhum cargo especial, quais soldados rasos, têm os mesmos deveres do que quem dispõe de muito mais armas. Aos grandes feitos nada é acrescentado ou retirado quando são reconhecidos perante qualquer plateia.
Ser herói, santo, sábio ou feliz é a mesma coisa. Trata-se sempre de, com simplicidade, nos concentrarmos e fazermos o que pode e deve ser feito… a nossa missão não é sonhar com outras missões, é cumprir o que somos, com o que temos. Sem desculpas, nem muitas demoras.
A maior arma dos que sabem que esta vida faz parte de outra maior é saberem que a liberdade é a mais poderosa de todas as responsabilidades. São senhores de si mesmos e são grandes… por serem bons.»
José Luís Nunes Martins in Ecclesia 25-08-2018

Imagem: Ecclesia
 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A vergonha continua


Não estou a falar de um muro, estou a falar de uma invasão.
Os israelitas preparam-se para construir na Cisjordânia (território palestiniano usurpado por Israel) mais mil casas para colonos israelitas, prevendo-se que estas venham a ser reforçadas com a construção de mais 382 outras.
Neste momento são mais de 600.000 os judeus israelitas que vivem em cerca de 140 colonatos construídos em território da Palestina.
“Nunca, em direitos humanos, tanto foi devido por tantos a tão poucos”, escreve Robert Fisk no Independent UK de ontem.

Foto: Independent UK
 

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

QUINTOS continua de pé!


Manifestamos aqui o nosso contentamento pela intenção do atual governo tentar reverter a loucura de Miguel Relvas e repor a Verdade sobre o ordenamento do território. Exigimos que sejamos ressarcidos do que nos roubaram, mesmo sem juros ou indemnizações.
Quintos é um aglomerado populacional milenar que não pode ser roubado por decreto-lei. 

Imagem: Google Maps
 

sábado, 18 de agosto de 2018

Não tenho medo de ouvir Le Pen


Porque subscrevo, e dispenso-me a comentários, transcrevo com a devida vénia:
«Não tenho medo de ouvir Le Pen
Na última edição da Web Summit assisti a um painel no qual estava presente Nigel Farage, o ex-líder do UK Independent Party e um dos principais arquitetos do Brexit.
Após ter explicado, jocosamente, que as meias que trazia com um padrão da Union Jack eram uma celebração do divórcio com a União Europeia, Farage falou, num tom mais sério, sobre como o movimento que liderou usou as redes sociais e as plataformas de comunicação digital para obter o resultado desejado no referendo de junho de 2016.
Explicou como o UKIP identificou cedo que, como partido insurgente, não poderia tentar obter atenção através de meios convencionais, como a BBC, e optou por utilizar canais como o YouTube.
No mesmo painel estava Brad Parscale, que foi o guru digital da campanha presidencial de Donald Trump, também em 2016. Parscale falou sobre como a campanha utilizou o Facebook e outras redes sociais para levar o magnata republicano à Casa Branca, e como essas empresas estavam de tal forma empenhadas em captar parte do orçamento publicitário que até colocaram funcionários nas sedes da campanha para ajudar na estratégia.
Não fiquei traumatizado nem me tornei num apoiante do Brexit ou de Donald Trump. Sobrevivi e até aprendi algumas coisas sobre como as duas campanhas, vistas como outsiders à partida, conseguiram convencer o eleitorado recorrendo à tecnologia.
Conto esta história para explicar a minha surpresa com o convite e ‘desconvite’ da Web Summit a Marine Le Pen.
O Governo diz que não interveio no processo. Podemos acreditar ou não e, provavelmente, nunca iremos saber. Mas sabemos que, por alguma razão, Paddy Cosgrave mudou de opinião e disse a Le Pen que não precisava de vir a Lisboa. Le Pen lidera uma organização xenófoba e, apesar de o negar, com tendências neo-nazis.
Obviamente que não concordo com a ideias que representa, mas também não consigo concordar com o argumento que não se podem usar fundos públicos para essas ideias serem apresentadas em Lisboa. Marine Le Pen não é inexperiente, duvido que viesse expressar hate speech numa plataforma global. Se o fizesse seria crime, claro.
Se nunca tivesse sido convidada seria outra história, mas a remoção do convite infantiliza-nos de alguma maneira – afinal, somos assim tão permeáveis e sensíveis? Temos mesmo de ser intolerantes com os intolerantes?
Pior do que isso, retira a possibilidade de percebermos como é que a União Nacional (ex-Frente Nacional) opera, como ganha terreno, como pudemos fazer com Farage e Parscale no ano passado. Retira também a possibilidade de Le Pen ser confrontada e questionada sobre as soluções extremas que propõe.
Seria certamente mais interessante do que foi o evento público com Costa e Macron em Lisboa, em julho, que parecia mais um coro sobre as mesmas ideias, muitas acertadas, mas que já ouvimos mil vezes.
A realidade é que Le Pen existe e chegou à segunda volta das eleições presidenciais num dos países mais importantes da Europa. Tal como Farage e Parscale, tem formas de persuadir milhões sobre as suas ideias.
Temos orgulho no facto de, em Portugal, um país com pouco extremismo político, podermos discordar em alta voz. Mas, para discordar, temos de ouvir e, para isso, temos de deixar os outros falar.»
Shrikesh Laxmidas in Jornal Económico 

Foto: Blondet Elliot | PA Images
 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A mais bela praça do mundo


Para assinalar o 20º aniversário da nomeação da Grande Praça de Bruxelas como Património Mundial da Unesco, a organização decidiu celebrar com um enorme tapete feito com cerca de 500.000 flores (dálias e begónias) dedicado a Guanajuato, uma região mexicana com uma cultura excepcionalmente rica, histórica e com enorme tradição de flores.
Este enorme puzzle/tapete ocupa uma área de 1800 metros quadrados (75x24) foi feito por cerca de cem voluntários em menos de oito horas.
Esta obra prima pode ser visitada entre os dias 16 e 19 de agosto.
Foto: retirada, sem menção de fonte, de The Telegraph UK

 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

14 de agosto, 633 anos atrás


A crise de 1383-1385. Portugal tinha terminado há pouco uma guerra frutuosa, mas extenuante com a reconquista do território aos árabes. Para piorar as coisas, o ano de 1383 fustigou o nosso país com períodos longos de chuvas que provocaram escassez de cereais e levaram muitos portugueses à fome e à morte. Para piorar o cenário há que juntar outro mal, a falta de higiene (normal e usual na época) provocou epidemias, a pior delas a peste.
A 22-10-1383 morre o rei D. Fernando que agudizou a situação ao deixar a sucessão do trono complicada, uma vez que D. Beatriz é a sua única filha e está casada com o rei de Castela.
A sucessão do trono origina um conflito. De um lado, o clero e a nobreza a apoiar D. Beatriz, do outro, a burguesia e o povo que apoiavam D. João, o mestre de Avis. Quando morre D. Fernando, a sua mulher, D. Leonor Teles, influenciada por conde Andeiro, decide aclamar D. Beatriz como rainha de Portugal. O caldo entornou-se! Alguém tinha que que acabar de vez com o conde Andeiro. O escolhido para essa missão foi D. João, filho bastardo de D. Pedro, mestre da Ordem Militar de Avis e meio-irmão de D. Fernando. Em 6 de dezembro de 1383, D. João entra no paço com um grupo de homens armados e mata o conde Andeiro. Rebenta a crise.
D. João de Castela, a pedido de D. Leonor Teles, cerca Lisboa a 29-05-1384. Heroicamente os habitantes de Lisboa, comandados por mestre de Avis resistem à fome e à peste negra. O exército castelhano não resistiu à peste e foi forçado a levantar o cerco e bater em retirada.
A 6 de abril de 1385, nas cortes de Coimbra, foi aclamado D. João mestre de Avis rei de Portugal. Os castelhanos não gostaram e invadem de novo Portugal. A 14 de agosto de 1385, em Aljubarrota, perto de Leira, deu-se a célebre batalha onde o poderoso e numeroso exército castelhano foi totalmente derrotado por cerca de 10 mil portugueses.
Como forma de agradecimento pela vitória, D. João I mandou construir o Mosteiro da Batalha.
Imagem: Batalha de Aljubarrota de Jean de Wavrin

sábado, 11 de agosto de 2018

Circo de feras


Gosto de futebol, apesar de aqui em San Marcos ser manifestamente residual e sem brilho. Não sou fanático, felizmente!
Aqui em San Marcos, TX, o futebol (soccer) e uma coisa tão estranha quanto é o hóquei no gelo em África, apesar de praticantes e adeptos nos EUA ter aumentado exponencialmente nos últimos 20 anos.
Sigo, sempre que posso (a diferença horária é ingrata) o futebol europeu, em especial o português.
No entanto, e infelizmente, o senhor Embaixador Francisco Seixas da Costa está coberto de razão no post que hoje publica no seu blogue 2 ou 3 coisas:
«O circo chegou
Já chegou! Mais um ano de irracionalidade, de insultos, de conflitualidade artificial, de “A Bola”, de “foi-não-foi-penalti”, do “Record”, de “estava-não-estava-fora-de-jogo”, de “O Jogo”, de árbitros insultados, de mentiras, de subornos, de advogados comentadores, de luvas e comissões, de claques ajavardadas, de “misters” reverenciados, de “cultura de balneário”, de televisões incendiárias, de conferências de “imprensa”, de dirigentes sempre com ar grave e linguagem primária, de “jornalistas” a fingirem de jornalistas, propalando a sua “verdade” colorida pelo viés clubista. Já aí está montado o grande circo do ano, onde os pais ensinam aos filhos que uma falta de um jogador da sua equipa ”não é bem” uma falta, que o adversário é o inimigo a odiar e combater. Aí está ele, o país sectário que finge que gosta de um desporto chamado futebol quando, no fundo, apenas pretende alimentar o culto acéfalo de uma religião criada em torno de um emblema qualquer, tal como pode ter uma obsessão em favor de um partido ou de uma igreja. E há muito quem leve isso a sério, como se essa adesão a uma cor fosse a coisa mais importante do mundo! E da vida! (E, coitados!, para eles, se calhar, é.) Eu, cá por mim, tendo também afetividade por um clube, gostando de o ver ter sucesso, mas estando muito longe de cultivar essa estima de forma doentia, gosto é de ver futebol. E muito!»




sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Os homens da escapadela


Pergunta, legitimamente, o Embaixador Seixas da Costa no seu blogue duas-ou-tres-coisas de hoje o seguinte: “Sem gente como ele (Loureiro dos Santos) e como Ramalho Eanes, no seio do MFA, pergunto-me hoje se poderíamos ter escapado então a uma guerra civil.”
É, indiscutivelmente, um pergunta pertinente.
Mas, pergunto eu hoje, sem adjetivar a minha pergunta, se todos fossem como eles (Loureiro e Eanes) teria havido 25 de Abril?
Fotos: Observador (Loureiro dos Santos) | Visão (Ramalho Eanes)


 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Os palermas

Vivo em San Marcos, Texas, mas vivesse eu em Londres, Albergaria dos Fusos, São Paulo ou Katmandu, não poderia estar mais de acordo com o senhor Embaixador Francisco Seixas da Costa.
Dispensando-me a qualquer trocadilho do “Vasquinho da Anatomia”, transcrevo e subscrevo, com a devida vénia, o post de ontem do senhor Embaixador no seu blogue 2 ou 3 coisas:
«Palermas
Já alguém pensou em lançar uma campanha de civilidade explicando que quem fala ao telemóvel em público, obrigando os outros a ouvirem as suas desinteressantes conversas - para a família, os colegas ou para o diabo que os carregue -, são apenas uns saloios mal-educados, uns energúmenos deslumbrados por um aparelho que acham que lhes dá estatuto, e que, no fundo e apenas, não passam de uns palermas?
Quem por aqui me lê e se acaso assim procede quando está nos cafés e restaurantes, em salas de espera, nas praias, nos comboios e autocarros e em outros locais públicos deve “enfiar a carapuça”, porque isto também é eles, desculpem lá!»