José Eduardo Agualusa escreveu um bonito livro que se intitula «O Vendedor de Passados» (D. Quixote, 2008).
Os maganos da fotografia vendem outro tipo de ilusão, vendem luares.
Bonita ilusão, sem dúvida!
Foto: resgatada de pplware
domingo, 28 de maio de 2017
domingo, 7 de maio de 2017
O Dia do Esquecimento
Não há o dia do
esquecimento, porque são muitos, para ser mais preciso, são 364
dias no ano comum, no bissexto há que somar mais um.
Eu sei que tenho
queda para desmancha-prazeres, e vir para aqui com uma conversa
destas neste dia é mais uma prova disso. É a vida…
E isto porquê?
Hoje é o dia da
mãe, nos restantes dias nem nos recordamos que essa “coisa”
existe (“coisa”, para os mais distraídos, leia-se mãe).
Mas há outros, há
o dia do pai, há o dia da criança, há o dia da liberdade…
Resumindo, no ano há sempre um dia de qualquer coisa, o resto do ano
é aquilo que todos sabemos e fingimos não saber.
domingo, 16 de abril de 2017
Uma ponte aqui tão perto
Era a ponte mais
emblemática da nossa região, a Ponte do Guadiana.
Fazia-se a sua
travessia quer de automóvel quer de comboio. De automóvel, para
além de termos que respeitar e aguardar a passagem do comboio,
tínhamos que aguardar a ordem de passagem dada pelo guarda
ferroviário de serviço, já que a ponte não permitia o cruzamento
de viaturas, só tinha uma via de trânsito, sobre os carris do
caminho de ferro.
Hoje (cheira a
hipocrisia a utilização deste advérbio) a ponte para além de
desativada apresenta este estado de podridão aqui fotografado por
José Ramos.
Infelizmente não é
apenas a ponte, mas todas as infraestruturas do extinto ramal de
Moura que se encontram neste lastimável estado de podridão.
Foto: José Alho Ramos
sábado, 8 de abril de 2017
Voz do Povo
É este o título de
uma coluna do semanário Diário do Alentejo.
Esta semana a
pergunta foi “Qual a causa da violência no futebol?”
(tendo por base a agressão de um jogador da equipa de futebol
Canelas 2010 a um árbitro de futebol).
A resposta eloquente
– que transcrevo e subscrevo – de Fernanda Amaro, 54 anos,
educadora de infância:
«O futebol deixou
de ser um desporto para ser uma atividade empresarial, em que os
clubes se preocupam exclusivamente com o resultado. As declarações
de alguns dirigentes promovem o comportamento violento. Têm por isso
responsabilidade na maneira como determinados adeptos se comportam.
Falo de futebol, porque a violência que aí ocorre não se observa
noutras modalidades.»
terça-feira, 4 de abril de 2017
O encanto da sereia
A sereia sempre
encantou o homem, pelo menos em sonhos (ou pesadelos!).
A sereia da imagem
(não duvido que possa encantar alguns homens) mas a sua missão é
encantar as crianças que diariamente visitam o Aquário de Virgínia,
EUA.
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Foto: Steve Helber |
AP
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sábado, 1 de abril de 2017
O Pardal
Diz-se
em Quintos (não sei se apenas em Quintos) que o pardal gosta da
companhia dos humanos. Nos montes habitados há pardais, quando esses
montes ficam desabitados os pardais também emigram. Diz-se.
Ontem,
escrevia no Diário do Alentejo Vítor Encarnação na sua coluna
“nada mais havendo a acrescentar...” o texto que
transcrevo e subscrevo, apetecendo-se dizer, passe a imodéstia,
“também sou Pardal” ou, como hoje virou moda
“Je Suis Pardal”.
«Gosto
de pardais. Os pardais são o proletariado dos pássaros. Na
hierarquia dos pássaros, os pardais ficam na base, são a classe
mais baixa. Abaixo deles não há mais nada.
Se
os pardais tivessem nome, teriam nomes curtos e comuns e seriam mais
conhecidos pelas alcunhas.
Os
pardais são o povo e por isso não voam muito alto. Contentam-se com
pequenos voos, vão ali a um bocadinho do céu e voltam felizes.
Gosto de pardais porque eles não abalam quando faz frio, ficam,
aceitam o vento e a falta de sementes e borboletas, acatam a míngua
dos campos, buscam migalhas, assumem que há invernos e que depois
haverá primaveras e com elas virão rouxinóis e pintassilgos e
outros pássaros coloridos e de belas plumagens.
Há
quem goste mais destes, eu prefiro os pardais.
Se
os pardais tivessem boca, bebiam vinho tinto, comiam petiscos,
cantavam em grupos corais, cantavam fado, traduziam filosofias para
décimas de baldão e rimas de despique, diziam mentiras e verdades,
falavam de bola, gritavam e beijavam.
Se
os pardais soubessem o que é o tempo, escreviam poemas sobre a
saudade, a esperança, a paixão e a morte.
Se
os pardais tivessem dedos, abriam as gaiolas e soltavam todos os
pássaros coloridos.
Os
pardais são os pássaros mais parecidos com a nossa vida: uma
inquietação coberta de penas.»
quinta-feira, 30 de março de 2017
Ai Alentejo, Alentejo...
O
Alentejo já não é o que era, rendeu-se às novas "tecnologias"
agrárias.
Quintos,
porque inserido em pleno Baixo Alentejo, também não foge à regra.
A
cultura do trigo, cevada, aveia, grão e, até mesmo girassol, é
extremamente difícil de vislumbrar. A paisagem alentejana está
repleta de olival de cultivo/produção superintensivo. O
lucro é rápido e muito, os malefícios a médio e longo prazo não
são poucos, mas, isso que importa?! Quem está mal, mude-se...
Alqueva
- a barragem - arrisca-se a transformar, paradoxalmente, o Alentejo
num deserto num futuro não muito longínquo, mas, repetindo uma vez
mais, quem está mal, mude-se. O que interessa é o presente, e no
presente, quem não tem terra aluga-a com contratos a 20 ou 25 anos e
enche-a de oliveiras. É o que está a dar… Em Quintos e não só.
Há
resistentes a este tipo de cultivo, poucos mas há. No entanto, uma
parte significativa destes resistentes opta por um tipo cultivo que
nada tem a ver (ou não tinha) com o Alentejo, plantam pinheiros...
enfim.
Nos
últimos dois ou três anos optaram (em Quintos) por uma outra
modernice, a colza. Dá um colorido bonito à paisagem
alentejana em contraste com o verde da erva ou o castanho da terra
arada. Mas é apenas isso, beleza visual.
Foto: campo de colza
em flor | Luísa Maria in facebook
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Homenagem em vida
Elogiar
alguém após a sua morte é – por vezes – auto-elogio, ou seja,
o morto é secundário, o que interessa é que as pessoas nos oiçam
(e elogiem o nosso elogio).
Há
uma pessoa que nos merece – SEMPRE! - o maior dos elogios enquanto
viva, por vezes e por alguns tão maltratada que é, é a nossa
Mãe. Foi ao longo da nossa vida o bordão que nos amparou e, um dia
mais tarde, quando precisou ela de amparo, depositámo-la num depósito
de velhos. Arquivámo-la.
Sobre
este Ser que nos gerou, escreve Luís Covas Lima no seu artigo de
opinião no Diário do Alentejo desta semana, do qual aqui deixo um
pequeno excerto:
«Quero
que ela me leia em vida (porque, regra geral, as homenagens são,
quase sempre, póstumas), quero que ela saiba quanto a admiro e pode
ser que, de permeio, todos nos lembremos de que a mulher de quem falo
existe também na vida de todos nós. (…) A mulher de
quem vos falo e que existe também na vida de todos vós é, claro, a
minha mãe! Espero que, de permeio, todos sejamos capazes de render
homenagem às nossas mães. Obrigado, mãe.»
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
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