quinta-feira, 6 de outubro de 2016
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Like? Never!
Se
for polícia nunca coloque um “like” numa mensagem em que as
qualidades e/ou virtudes do seu superior são colocadas em causa.
É
proibido.
Escrevia
ontem Rosa Ramos no JN que «um oficial e dois agentes da PSP estão
a ser alvos de processos disciplinares por terem feito um “like”
na rede social facebook. O caso ainda não está encerrado porque os
polícias recorreram da decisão, mas o Núcleo de Deontologia e
Disciplina da PSP já proferiu a acusação e entende que deverão
mesmo ser castigados.
A
história passou-se em maio de 2015, quando o jornal "Observador"
partilhou uma notícia sobre o Corpo de Segurança Pessoal (CSP) da
PSP no seu perfil de Facebook. Um leitor, que se identificou como
"Manuel Carlos", escreveu um comentário ao post, começando
por elogiar o trabalho dos agentes do CSP. Mas tecendo, logo a
seguir, duras críticas à adjunta do comandante do Corpo de
Segurança Pessoal...»
Todos
sabemos como se atribuem “likes” - muitos, muitos mesmo – por
simpatia, amizade, exibicionismo, sem lermos sequer o que lá está
escrito. Não sei se foi o caso, mas acredito que os autores do
“like” em questão leram o texto.
À
luz do Direito um castigo com base nestes pressupostos não é apenas
uma aberração jurídica, é crime!
domingo, 18 de setembro de 2016
Um apelo
Não é nosso hábito, mas abrimos uma exceção.
Não conheço o Diogo, mas conheço seu pai - Manuel Venes - que é natural de Quintos.
Oxalá o dador apareça a tempo de salvar a Vida do Diogo.
Não conheço o Diogo, mas conheço seu pai - Manuel Venes - que é natural de Quintos.
Oxalá o dador apareça a tempo de salvar a Vida do Diogo.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Mãe!!! Tou aqui!!!
Seria este o grito de contentamento
que, se pudesse, daria a amiga Philae no passado dia 2 quando foi
casualmente encontrada pela sonda Rosetta. Estava incomunicável há
mais de um ano, perdida na escuridão do cometa
Churyumov-Gerasimenko.
Fonte: ESA
Pingue-pongue
Pingue-pongue é um jogo inventado no
século XIX em Inglaterra. Mais tarde, após se tornar uma marca
registada, na Europa mudou o nome para ténis de mesa, sendo o nome
pingue-pongue usado apenas no jogo de fins recreativos (fonte
Wikipédia).
Nos dias que correm serve até para
atribuir o direito a visto de entrada no Reino Unido, como satiriza o
Matt no Daily Telegraph de hoje.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Pilinhas, o pedófilo
Pedofilia, uma “atividade” milenar.
Durante séculos não só aceite como – nalgumas civilizações –
considerada nobre.
Hoje é crime.
Excerto da crónica de António Lobo
Antunes - o melhor escritor do mundo - na revista Visão:
«O Pilinhas
Quando acabei a
instrução primária (…) os meus pais matricularam-me no Camões
onde encontrei dois mestres inesquecíveis. O professor de
Matemática, de alcunha Bolinhas (…) [e] uma segunda criatura que
não era tão estúpida, era apenas um criminoso, conhecido pelo
epíteto de Pilinhas. Esse não se ocupava de Matemática, ocupava-se
da Religião e Moral, e sofri-lhe as aulas durante os dois primeiros
anos. Chamavam-lhe Pilinhas porque repetia, vezes sem conta, a mesma
frase:
– Só se pode mexer na pilinha para cinco
coisas: fazer chichi, lavar, ajeitar, coçar mas não muito e pôr
remédio.
Ao contrário dos outros professores de Moral não
era padre: era médico, era careca (por acaso o Bolinhas também)
fazia-nos festas e, por amor a Deus, nunca casou. Dava as aulas
inteiras sentado atrás da secretária (as secretárias do Camões
eram fechadas, quer dizer havia um espaço para as pernas e tudo o
resto era madeira) e ia-nos introduzindo, em voz baixa e suave, na
intimidade com o Divino, Mandamentos, Inimigos Do Homem, que são
três, Mundo, Demónio e Carne e, a propósito da Carne, lá vinham
as cinco coisas acerca da pilinha, cuja relação com a Carne (ele
não explicava que espécie de carne, eu achava que rosbife) eu não
entendia muito bem.
(…)
O Pilinhas, enquanto
nos instruía acerca dos difíceis caminhos da Fé, começou a chamar
um de nós para sentar-se ao seu lado, durante as aulas, atrás da
dita secretária fechada, talvez, pensava eu, porque a proximidade
mestre-discípulo por um lado premeia os bons alunos, por outro
permite ao professor tomar melhor o pulso à temperatura pedagógica
da turma através das reações, sentidas de perto pelo mestre, das
nossas inocentes almas infantis. Só achava esquisitas as caras dos
meus colegas no fim das aulas mas atribuía isso ao maravilhamento da
honra de estar cinquenta minutos no estrado, diante da turma, numa
posição de privilégio. Até que uma manhã ouvi o Pilinhas
chamar-me
– Antunes
e dilatei-me de orgulho na carteira porque o
privilégio ia, finalmente, pertencer-me. Ao
– Antunes
e eu era o único Antunes ali, seguiu-se um
– Chega aqui, Antunes
mavioso e risonho e viajei até ele num orgulho
infinito, sentando-me na cadeira ao lado da sua, em cujo tampo o
Pilinhas batia uma palma convidativa.
(…)
De quando em quando os
dedos do Pilinhas roçavam-me o cotovelo e acabaram por ancorar nos
meus joelhos, acariciando-me de leve ao início, cada vez com mais
força depois, subindo- -me as coxas em beliscões simpáticos,
avaliando-me a textura da pele, encontrando-me o elástico das
cuecas, tudo isto enquanto dissertava acerca do Espírito Santo e me
alcançava subtilmente o a seguir ao elástico, procurando, em
movimentos convulsos, aquilo em que só se podia mexer para cinco
coisas e tentando juntar-lhe uma sexta. A certa altura convidou a
turma a ler os Mandamentos em voz alta e, aí pelo terceiro ou
quarto, inclinou-se para mim numa expressão que nunca esquecerei,
parecida com a do camaleão da minha tia Graça, que morava numa
gaiola na cozinha, antes da boca expulsar uma compridíssima língua
instantânea que filava uma mosca desprevenida, enquanto o Pilinhas,
de lábios quase colados à minha orelha, perguntava num cicio que me
horrorizou, enquanto me apertava com langor as cuecas que a minha mãe
adaptava do meu pai para mim:
– Já tens leitinho aí?
pergunta que me deixou atónito: quem tinha leite
era a minha mãe, que amamentava os meus irmãos que sucessivamente
iam nascendo, de mim a única coisa que saía era chichi e, portanto,
cheguei a casa confusíssimo. O meu pai estava, como de costume, no
escritório, de olho no microscópio, e levei que tempos a ganhar
coragem para lhe falar. Via-lhe apenas as costas e não era capaz até
que, sem conseguir aguentar-me mais, me saiu sei lá de onde a
pergunta aflita
– Ó pai eu tenho leite?
O resto foi simples e rápido, não demora muito a
contar. O meu pai ficou imóvel até olhar para mim numa expressão
de estranheza:
– O quê?
Repeti embaraçadíssimo
– Já tenho leite?
o meu pai, franzido
– Que história é essa?
eu
– O professor de Moral perguntou-me se eu tinha
leite neste sítio
a apontar-lho enquanto o meu pai
– Repete lá essa história
eu
– O professor de Moral perguntou-me se eu tinha
leite neste sítio e convidou-me para em lugar de almoçar no Camões
almoçar em casa dele
e depois vi o meu pai de pé, e depois vi o meu
pai a vestir o casaco numa velocidade impensável, e depois vi o meu
pai sair a correr, e depois vi o meu pai, da janela, entrar no carro,
e depois vi-o chegar uma ou duas horas depois, e depois ficámos sem
lições de Moral durante um mês. Um dos contínuos informou-nos que
o professor estava doente. O meu pai nunca foi para graças.
Lembro-me que nesse dia jantou em silêncio. Quer dizer não bem em
silêncio porque entre o prato e a sobremesa
(o meu lugar ficava à sua direita)
(o meu lugar ficava à sua direita)
o ouvi murmurar
– Filho da puta
e não tornou a abrir a boca. Teria trinta e
poucos anos nessa altura, não dizia palavrões e foi o único que
alguma vez lhe escutei. E é tudo quanto conheço acerca desse
assunto.»
Os fundamentalistas
Nos
dias que correm, fundamentalismo
é «uma
crença irracional e exagerada, uma posição dogmática ou até um
certo fanatismo em relação a determinadas opiniões»,
Wikipédia.
O
cartoonista Matt dá um bom exemplo disso mesmo no The Telegraph.
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Festival de Contos
No
concelho de Beja, na próxima semana entre os dias 24 e 28,
contam-se contos.
Por
exemplo:
O
Programa do Festival Contos do Mundo, que esta semana serve de capa
publicitária ao Diário do Alentejo, refere que no dia 25 de agosto
pelas 17H30 Vítor Fernandes + Mariana Machado estarão em “Contos
d’ir ó fresco” na freguesia de Penedo Gordo.
Nesse
mesmo dia pelas 21H30 estará Rodolfo Castro + José Craveiro noutros
“Contos d’ir ó fresco” na mui nobre freguesia de Mina da
Juliana.
Antes
desta reforma administrativa a freguesia de Penedo Gordo pertencia às
freguesias de Beja (Santiago Maior e São João Batista) e a atual
freguesia de Mina da Juliana pertencia à união de freguesias de
Santa Vitória e Mombeja.
É
no que dá o parlamento estar de férias.
Nesta
nova reforma administrativa Quintos não consta, pelo que deduzo que
continua a pertencer à união com a Salvada…
![]() |
| Foto: RVP |
domingo, 14 de agosto de 2016
Preso por ter cão, ou não
Diz
o anedotário da minha aldeia
(Quintos) o seguinte:
-
Você
está preso!
-
Preso, eu?! Porquê?
-
Não tem licença do cão.
-
Mas eu não tenho cão!
-
Não tem, arranje.
Quando
se quer criticar (ou prender, na versão da anedota supra) adapta-se
a “verdade dos factos” aos nossos interesses. Sempre assim foi e
não creio que a coisa mude nos próximos séculos.
Vem
isto a propósito da notícia da página 8 do Diário do Alentejo
desta semana; diz a notícia “ULSBA deixou de enviar doentes para
tratamentos | Clínica da Cruz Vermelha (de Beja) encerra no final de
agosto”.
A
primeira ideia que nos vem à cabeça é: Está mal! (ou, estás
preso!, na anedota).
Não
sei quem tem razão, desconheço a situação e a notícia do DA
também a não esclarece.
Se
a
ULSBA (grosso modo hospital e centros de saúde)
tem condições – técnicas e humanas – para prestar este
tipo de serviço não se compreende porque o não fará. Pior, não
se percebe porque o não prestou ao longo destes últimos 30 anos.
Se
não tem condições – técnicas e humanas – para essas funções
é urgente que esclareça e corrija a decisão antes que seja tarde
de mais.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Dia de São Lourenço
Hoje,
10 de agosto, o calendário católico celebra o dia de São Lourenço.
Há
meio século era dia de azáfama nas residências das famílias
abastadas da nossa região. Era o dia em que a classe nobre –
latifundiários e comerciantes da nossa praça – visitava a feira
de Beja e assistia à corrida de toiros.
O
dia 15, dia de Santa Maria, estava reservado para os pobres. Era o
dia em que – os que podiam – se deslocavam a Beja à feira.
Também estes tinham direito a corrida de toiros, não com cartel de
luxo como a de São Lourenço, era tipo garraiada para gente pobre.
Eram
dias inesquecíveis para todos, em especial para a criançada. Ainda
hoje me lembro da secura
que me dava ver os vendedores com as suas quartas de água das
Cavadas ou do Poço da Malta…
Era
a célebre feira de São Lourenço e Santa Maria.
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Foto:
Retirada de Beja Y Arrabaldes
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