domingo, 3 de julho de 2016

Bendita sejas tu… Entre os homens


Há mulheres assim, como que do outro mundo.
Invejo-as, eu não sou assim. Nunca fui.
Idade, 29 anos, mãe solteira de uma criança de três anos. Mineira.
Ser mãe solteira, nos dias que correm, já é uma tarefa bem pesada, demasiado árdua. Juntar a este estado a profissão de mineira (não de superfície, tipo lavadaria ou outro, mas lá nas profundezas onde poucos ousam ir) é, para mim, do outro mundo! Sinto um enorme orgulho nesta Mulher!
Prontuário de Gerúndios, assim se chama a coluna do Diário do Alentejo que esta semana trouxe, para conhecimento de todos nós, a ousadia desta Mulher, Lídia Gamito de seu nome.
Um pequeno excerto do artigo do DA:
«“Temos de estar sempre atentos aos barulhos”. Aos rumores das máquinas e às próprias contorções da terra. As minas também falam. Entender o que dizem pode fazer toda a diferença. Quanto ao resto, “entregamo-nos todos os dias nos braços de Santa Bárbara”. Principalmente eles, os jumbistas, os operadores dos poderosos engenhos mecânicos que revolvem o subsolo em busca de riquezas minerais. Na mina de Aljustrel quem disser “eles” terá que acrescentar “ela” (…) “É um mundo de homens, uma mulher até parece que está lá infiltrada”.»
Foto: Rui Cambraia | DA
   

sábado, 2 de julho de 2016

A canzoada


 Cão que ladra não morde, diz-se e com pouca razão. Andam por aí matilhas a ladrar com o único objetivo de nos desviar do caminho que queremos e a obrigarem-nos a optar por atalhos. É para isso que os açodam e, como ovelhas bem comportadas ou por medo, nós obedecemos.
Sobre este tema escreve Paulo Barriga no editorial do Diário do Alentejo de ontem.
Um pequeno excerto, com a devida vénia:
«Os jornais, as rádios e as televisões, pressionados como nunca dantes pelas audiências, vivem hoje do imediato, do direto, da ligeireza, da entretenga, do agora. A informação que hoje se reproduz, fragmentada e sem qualquer tipo de enquadramento, não passa de um osso sem carne que é abundante e repetidamente remastigado pelos diferentes membros da alcateia mediática. Cujos machos alfa, esganados, se perpetuam a todo o custo no topo da hierarquia. Nos últimos tempos tem-se assistido a um bailo que tem tanto de degradante como de revelador do estado pré-revolucionário em que persiste a imprensa pátria. Diretores de diferentes órgãos de comunicação social têm permutado de lugar, exclusivamente entre si, numa valsinha tão promíscua quanto perigosa para o que ainda resta de dignidade na imprensa portuguesa. E enquanto os líderes da canzoada vão trocando de cadeiras e disseminando a cartilha dos seus donos (sim, há outros donos disto tudo), as redações jornalísticas vão ficando reduzidas a estagiários, à precariedade laboral, à mansidão, ao silêncio. E ao medo. Que é uma bela denominação para dar hoje àquilo a que Salazar chamou censura e Caetano, até ao 25 de Abril, exame prévio.»
Foto: Imagem retirada do filme húngaro “Feher Isten” (Deus Branco)
  

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Joaninha avoa avoa...


Em 2011 começou a operar o aeroporto de Beja. Após um investimento que rondou os trinta e três milhões de euros provenientes de fundos comunitários e do Orçamento do Estado há unanimidade em que estamos perante um fiasco. Fiasco que se sabia que iria acontecer muito antes do início das obras.
Ninguém, no seu juízo prefeito, tentará vender arcas congeladoras na Gronelândia. Construir um aeroporto em Beja roça (roçou) a loucura. Ou não! Há sempre várias formas de analisar o problema, contudo, o resultado final é sempre o mesmo: o aeroporto de Beja é um enorme fiasco!
Poderiam ter-lhe chamado aeródromo, não parecia tanto mal. Agora aeroporto!? Tenham dó.
Um aeroporto que tenha, em média, um tráfego mensal de passageiros inferior a quarenta mil está condenado ao fracasso. Segundo a ANA entre 2011 e 2014 o aeroporto de Beja teve um tráfego de 6.624 passageiros, não por mês, mas nos três anos em causa. Teve, no mesmo período, um movimento de 245 aeronaves.
Há em Portugal aeródromos com um movimento 20 ou 30 vezes superior a este aeroporto.
Isto são factos, não são ses

Foto & fontes: ANA Aeroportos | Lusa



quarta-feira, 1 de junho de 2016

Quando o amor é cego…


A criança é um ser especial. Há crianças mais especiais que outras e que, por isso, necessitam de uma atenção especial. Ou melhor, necessitam que quem está próximo – pais, educadores – estejam atentos antes que seja tarde de mais.
Sobre isso escreve Sara Cardoso na Start&Go que transcrevo e subscrevo:
«Quando o amor é cego…
Enquanto educadora, ao longo dos anos tenho vindo a deparar-me com cada vez mais crianças com necessidades educativas especiais (NEE). Não sei o que se passa com a nossa sociedade para tal estar a acontecer, mas é uma realidade crescente.
Mas, o que mais me incomoda não é este número significativo de crianças com NEE, mas o tempo que as famílias demoram a assumir as dificuldades e a “meter os pés ao caminho”. Sim, porque mais do que identificar, rotular, catalogar o que a criança tem, o importante é ela ser devidamente acompanhada desde cedo.
Atualmente, há imensas instituições de terapias multidisciplinares que fazem um trabalho de excelência de intervenção precoce junto destas crianças e que veem o fruto do seu trabalho quando há envolvimento e comprometimento por parte das famílias.

Foto: Start&Go
Cada vez mais, são os educadores e professores que têm de alertar para questões para as quais as famílias não estão despertas. E quando não há abertura dos pais, estes refugiam-se nos pediatras, que nem sempre estão atentos a estas questões. Sim, porque também me intriga porque que é que a criança num consultório apenas é vista do ponto de vista fisiológico, quando sabemos a importância do todo: o cognitivo, o social, o emocional.
Também me interrogo porque é que quando uma criança tem uma dor de garganta, ouvido, etc. recorremos logo ao pediatra a fim de diagnosticar e medicar, mas quando apresenta dificuldades na comunicação, regulação ou socialização temos receio de procurar um terapeuta, um psicólogo, um pediatra do desenvolvimento.
Devíamos ver as terapias como um suporte, um apoio no desenvolvimento dos nossos filhos e não como uma marca negativa que evidencia as dificuldades dos mesmos. É importante reconhecer que estas existem para nos ajudarem, e que uma intervenção precoce pode fazer a diferença no futuro dos nossos filhos. Adiar só vai demarcar as dificuldades que se vão acentuando com o passar dos anos. Pais que estão em negação são pais que adiam o sucesso das crianças.
Por isso, não adie a felicidade do seu filho, até porque quanto mais cedo intervir mais e melhores resultados terá, e menos tempo de terapias precisará.»
Sara de Sousa Cardoso
Supervisora Pedagógica da Escola de Pais

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Contas de cabeça


No Tribuna Alentejo do passado sábado desafia-nos Carla Santos, doutorada em matemática aplicada e professora no IP Beja, a fazer contas de cabeça ou de papel e lápis com o seguinte problema:

«Há cinco anos, a mãe tinha o quadruplo da idade actual da filha. Daqui a 5 anos, a idade da filha será um terço da idade actual da mãe.
Quais são as idades da mãe e da filha, presentemente?
Solução:
Tomemos como ponto de partida a seguinte tabela:
Mãe, idade atual = x
Mãe, idade há 5 anos = x-5
Mãe, idade daqui a 5 anos = x+5
Filha, idade atual = y
Filha, idade há 5 anos = y-5
Filha, idade daqui a 5 anos = y+5
Os dados do problema:
Há cinco anos a mãe tinha o quadruplo da idade actual da filha
Idade da mãe há 5 anos era x-5 anos

Idade actua da filha é y anos, o seu quádruplo é 4y
Segundo o enunciado x-5=4y
Daqui a 5 anos a idade da filha será um terço da idade actual da mãe.
A idade da filha daqui a 5 anos será y+5 anos.
A idade actual da mãe x anos. Um terço desse valor é x sobre 3.
Segundo o enunciado y +5= x sobre 3, ou seja, 3(y+5)=x
Sabemos então que a idade actual da mãe é 3(y+5), portanto a sua idade há cinco anos seria 3(y+5)-5.
Como sabemos que há cinco anos a mãe tinha o quadruplo da idade actual da filha, temos
4y=3y+15-5
Resolvendo esta equação
4y=3y+15-5
4y-3y=15-5
Y=10
A idade actual da filha é 10 anos
Substituindo o valor de y por 10, na igualdade 3(y+5)=x obtemos
3(10+5)=x
45=x
A idade actual da mãe é 45 anos.»
Fácil, não é?!

  

sábado, 28 de maio de 2016

Crescer com a Natureza


É este o tipo de crescimento com que deveríamos privilegiar as nossas crianças. Bem mais saudável, formativo e barato que o computador, telemóvel ou tablete com que brindamos as nossas crianças, por vezes ainda de tenra idade.
Sobre este tema escreve – e bem, como é seu hábito – a Sara Cardoso na revista Start&Go de abril, que transcrevo:
«Crescer com a natureza
Numa altura em que as tecnologias são o centro das atenções para a maioria das crianças, é emergente que os pais criem outras oportunidades educativas ricas em experiências sensoriais que permitam às crianças desligarem-se do mundo virtual e entrarem em contacto com a natureza.
Estar ao ar livre é extremamente entusiasmante para as crianças e é também muito importante para o seu desenvolvimento, uma vez que a natureza lhe proporciona um número ilimitado de brincadeiras e lhes permite aprender ativamente, isto é, explorando, descobrindo, inventando e resolvendo problemas.
A natureza estimula os sentidos, uma vez que a criança tem contacto com diversos tipos de cheiros sons, cores e texturas.
Desenvolve ainda, o potencial criativo da criança, ao favorecer a atenção, a contemplação, as sensações e emoções.
É importante mostrar à criança a beleza das pequenas coisas da vida, fazê-la encantar-se com o chilrear dos pássaros, com os brilhos da montanha. Muitos são os artistas que se inspiram nos cheiros e sons da natureza, pois ela faz realçar a sensibilidade que reside em todos nós.
Foto: revista Pais&Filhos
Crianças que crescem na natureza têm também boas capacidades físico-motoras, têm mais consciência do seu corpo e do espaço que as rodeia. O contacto com a natureza ajuda a diminuir a hiperatividade e outras perturbações do comportamento, pois estudos revelam que entre os benefícios do contacto com o verde estão expansão das atividades do cérebro, criação de novas redes neurais e o aumento das conexões entre os neurónios.
A criança não se desenvolve bem numa bolha sem vida, sem Mundo. Bons pais mostram o Mundo às crianças, permitem-lhes explorar o melhor que a vida tem: caminhar na relva descalços, rebolar nas dunas de areia, mexer na terra húmida, sentir a chuva no rosto, saltar em poças de lama, ouvir os grilos ao entardecer, trincar uma maçã acabada de colher, beber água duma fonte, correr num campo de trigo, trepar uma árvore, brincar na neve, etc... Estas e outras experiências permitem às crianças aprofundar os seus conhecimentos sobre o mundo, fortalecer o seu sistema imunológico e estreitar laços familiares.
Crie experiências significativas, invista em tempo de qualidade com os seus filhos e colherá bons frutos. A vida é feita de momentos, alguns são esquecidos pelo tempo, outros ficam e perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos.»

Sara de Sousa Cardoso
Supervisora Pedagógica da Escola de Pais
Start&Go ABR2016

 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Lição de Grandeza


O Diário do Alentejo de hoje republica excertos de duas entrevistas dadas a este jornal por Leonel Cameirinha, falecido na semana passada.
À pergunta “Se fosse eleito primeiro-ministro qual seria a medida que punha imediatamente em marcha em Portugal?” respondeu Leonel Cameirinha, singelamente, “É difícil responder. Eu era empresário e tive muito êxito como empresário. Para os negócios e para as minhas empresas eu chegava muito bem, agora para analisar os aspetos das prioridades de um país é outra coisa...”.
Todos nós temos soluções para tudo, em especial para aquilo que não estamos vocacionados. Só alguns nunca perdem a noção do ridículo. Leonel António Cameirinha era um daqueles que não perdia a noção do ridículo e não tinha pejo em reconhecer o seu «não saber», como na resposta acima dada.
É, sem dúvida, uma lição de grandeza.
  
Foto: José Serrano

 

sábado, 14 de maio de 2016

Quadradura da roda


Não é todos os dias que podemos ver isto, uma roda quadrada! Por norma é expetável que quando olhamos para uma roda de avião – ou outra qualquer – a vejamos redonda, quadrada nunca.
No entanto foi assim que aterrou em Heathrow (UK) o Airbus A380-800 com o registo G-XLEB da British Airways proveniente de Hong Kong (China) no passado dia 05 de maio.
Os pilotos verificaram que havia perda de pressão num dos 22 pneumáticos após a descolagem, mas optaram por continuar o voo para Londres informando os controladores aéreos ingleses que necessitavam de medidas de segurança suplementares para uma aterragem em segurança.
A aterragem ocorreu sem qualquer sobressalto na pista 09L de Heathrow. 

Foto & fonte: Aviation Herald

 
 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sexta-feira, 13. Sorte ou azar?


Há quem diga que a má reputação da sexta-feira 13 vem da Sexta-feira Santa, o dia da crucificação de Jesus Cristo. Isto porque, na Última Ceia de Cristo eram treze que estavam sentados à mesa. A nossa cultura tem uma predileção pelo número doze (doze meses, doze horas, etc), o treze é Judas, daí, 13 e sexta-feira em conjunto “cheirarem” a traição, a azar.
Para muitos outros o número treze é número de sorte.
Há até quem diga que a sorte não cai do céu, procura-se!
Um verso de Eneida de Virgílio, diz “Audaces Fortuna Juvat”, i.e., “A Sorte Protege os Audazes, lema adotado pelo Regimento de Comandos da Amadora.
Fonte: Le Figaro


 

segunda-feira, 9 de maio de 2016