domingo, 8 de maio de 2016

O Amor e o Ódio


Vítor Encarnação escreve na sua crónica “nada mais havendo a acrescentar…” no Diário do Alentejo desta semana sobre a dicotomia “Amor – Ódio”.
Com a devida vénia, transcrevo:
«O amor e o ódio
O amor e o ódio são gémeos verdadeiros que vivem abraçados um ao outro. Enquanto o primeiro vive o outro faz-se de morto, esconde-se num sítio escuro, anicha-se na penumbra dos ácidos e das amarguras e por ali fica, às vezes uma vida inteira sem se dar por ele, outras vezes basta uma insatisfação, um capricho não satisfeito e eis que ele mata o amor, inapelavelmente, com uma facada nas costas. Mas primeiro é o amor, primeiro é o absoluto encantamento, primeiro é essa coisa maior do que o mundo, maior do que a vida. Haja pele e carne e olhos e mãos para ver, para tocar, para ter. O problema do amor comum é esse, o problema do amor comum é que gosta de ter, espera sempre mais do que dá, gosta de ser amo do próprio amor. O amor tem um molde onde o outro tem de encaixar para que tudo seja perfeito. E quando esse molde não se preenche, quando o egoísmo assoma à boca e ao pensamento, o amor dá lugar ao seu irmão gémeo. E então o ódio sai das catacumbas que as pessoas trazem no peito, rasga as memórias e os beijos e a eternidade e as promessas e o casamento e os filhos e o mundo e a vida toda e grita uma intensa e cega raiva. Só que enquanto o ódio vive, o amor morre mesmo. Para sempre. E se não morrer, nunca mais será verdadeiro.»
Vítor Encarnação in DA 1776 (II Série) | 06 maio 2016

  

sábado, 7 de maio de 2016

Público vs Privado


Num Estado democrático deverá existir sempre um serviço público em áreas vitais para permitir àqueles que têm menos recursos terem acesso a determinados serviços ou atividades. Em Portugal, a Constituição da República obriga o Estado a assegurar diferentes serviços públicos, desde aqueles que se referem a áreas de soberania do Estado - defesa, segurança e justiça - à prestação de cuidados de saúde, segurança social, disponibilização de escolas e até o próprio serviço de rádio e televisão. A qualidade de vida das pessoas, em especial das mais desfavorecidas, exige ainda que se garanta a prestação universal de certos serviços básicos, como energia, transportes e telecomunicações, seja a cargo dos próprios poderes públicos, seja por empresas privadas que se obrigam a fornecê-los. Os serviços públicos constituem um elemento essencial do Estado social e do modelo social europeu.
Quando o Estado – por rotura, incompetência ou outro motivo – não consegue assegurar esses serviços ou atividades, deve recorrer ao setor privado, pagando, obviamente, por esses serviços ou atividades prestados.
Julgo que este princípio é pacífico.
O que não é pacífico – é brutal, até! (em minha opinião) – é que setores privados exijam que o Estado pague ou subsidie a sua atividade normal. Porquê?!
Vem esta minha interrogação a propósito da cruzada agora em voga do ensino privado.

  

terça-feira, 19 de abril de 2016

Presidente da República em Quintos


Foto: Wikipedia
O Presidente da República visita Quintos no próximo sábado. Bom, não será propriamente uma visita à aldeia de Quintos, mas não deixará de ser uma visita à freguesia de Quintos (atualmente designada Salvada e Quintos).
Segundo a nota de imprensa divulgada pela Presidência da República, sábado 23 o Presidente da República estará de visita às instalações da empresa Paxberry sitas em Monte dos Meloais, Quintos.
Esta empresa – Paxberry, Lda. – dedica-se ao cultivo de morangos em estufa na Herdade dos Meloais, como aqui referenciámos em 09-07-2014.
A Paxberry utiliza como técnica de cultivo de morangos a hidroponia. A hidroponia consiste no cultivo de plantas sem utilização de “solo, onde as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada que contém água e todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta. Na hidroponia as raízes podem estar suspensas em meio liquido (NFT) ou apoiadas em substrato inerte (areia lavada por exemplo)” [https://pt.wikipedia.org/wiki/Hidroponia].
A visita do Presidente da República à Paxberry terá início às 12H25, estando a receção a cargo de Hugo Condesso Pereira, gerente da Empresa, com visita às estufas seguindo-se uma passagem pela sala de processamento.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Caminhadas?! As melhores são em Quintos!


É já no próximo sábado 16 que se realiza o Passeio Pedestre SAL “Azenhas e Fortins do Guadiana”.
A partida do Largo da Ponte em Quintos está agendada para as 10H das manhã. O percurso tem uma extensão aproximada de 15 quilómetros e uma duração prevista entre as 4 e as 5 horas. A paisagem é deslumbrante que o irá fazer esquecer as dificuldades de algumas subidas que irá encontrar.
Às 20 horas será o jantar de confraternização.
A inscrição poderá e deverá ser feita aqui e o seu custo é de 12,50 EUR ou 6,00 EUR para os possuidores de cartão SAL.
SAL – Sistemas de Ar Livre – é a Empresa organizadora deste invento.
Para mais informações consulte a sua página na internet.

Foto: SAL
 

sábado, 2 de abril de 2016

O orgulho de ser português


Às vezes – muitas, demasiadas até – dizemos mal deste país a que pertencemos (e que nos pertence!) como se ele não fosse apenas e só o reflexo de todos nós. Falo de Portugal, se se passa o mesmo em outros pouco me importa.
Às vezes, também, ouvimos e lemos testemunhos de uma Portugalidade vindos de onde menos se espera e nos comovem. Falo por mim, obviamente.
É um pequeno/grande testemunho dessa Portugalidade que Vos quero apresentar. Trata-se de um artigo intitulado “Ki Nobas?” publicado em 15-03-2011 no extinto sítio Raia Diplomática de autoria de Cátia Candeias. Um pequeno excerto:
«Um dia, uma amiga chinesa visitou-me em Malaca e levei-a a conhecer a comunidade. Cruzámo-nos com o Senhor António, que caminhava com o seu carrinho de mão e as suas redes de pesca ao longo da rua Teixeira. Apresentei-o falando em inglês, dizendo que era o meu amigo António. A minha amiga disse “Hello Anthony”, ao qual ele respondeu “My name is António, Portuguese name” apertando a mão e sorrindo. (…) Conheço gente com verdadeira alma lusitana sem nunca terem visitado Portugal. Sentem-se portugueses, sem renegarem a sua nacionalidade Malasiana. Houve uma evolução diferente do Português na comunidade luso-descendente de Malaca, uma evolução que resultou da simples vontade e necessidade de querer comunicar na língua materna. Foi esta vontade, este sentir, esta necessidade de se identificarem com os seus antepassados que permitiu que ainda hoje se possa ouvir em Malaca: “Sou Português”.»
Sinto-me pequeno perante este tipo de testemunhos.




sábado, 26 de março de 2016

A paz esteja convosco!


Com o devido respeito, transcrevemos a mensagem pascal dos Bispos de Beja D. António Vitalino e D. João Marcos, publicada hoje na página da Diocese de Beja.

«Desejamos a todos uma vivência intensa da Páscoa.
O Senhor vos abençoe e vos dê a Sua paz e a Sua alegria!
Rezai por nós.

Queridos irmãos e irmãs:
Regressado da morte e trazendo no seu corpo as chagas gloriosas, Jesus saúda os discípulos com palavras habituais entre os judeus mas que neste momento alcançam a plenitude do seu significado e da sua eficácia: “a paz esteja convosco!” Com esta saudação entrega-lhes o precioso fruto da Sua Páscoa: a paz e a alegria do perdão e da reconciliação com o Pai que têm o poder de nos recriar, de fazer de nós criaturas novas. E envia-os pelo mundo inteiro com o poder de anunciar e de dar esse mesmo perdão a todos aqueles que acreditarem no Evangelho: “assim como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós”. Dito isto soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos”. (Jo.20,21-23)
Libertar as pessoas da escravidão do pecado e do medo, esta é a missão da Igreja em todos os tempos e lugares, esta é hoje a nossa missão e a maior obra de misericórdia que devemos praticar: anunciar a vitória de Cristo sobre a morte e ajudar as pessoas a encontrar-se com Ele para que recebam o perdão dos seus pecados, tenham Vida em seu nome e possam cantar connosco: é eterna a sua misericórdia!»
D. António Vitalino Dantas
D. João Marcos

  

sexta-feira, 25 de março de 2016

Quintos, na rota do Guadiana


No passado sábado 19 a Câmara Municipal de Beja fez a apresentação na Casa do Povo de Quintos de um novo percurso pedestre homologado “Azenhas e Fortins do Guadiana”.
São 7 quilómetros junto à margem direita do rio Guadiana, numa paisagem entrecortada pelo seco e o exuberante, onde o rio, umas vezes fino e lento, outras muito rápido e largo, faz grandes barragens naturais, as bacias hidrográficas, salpicadas por azenhas e fortins que outrora vigiavam as fronteiras com Espanha.
O Percurso
Começa-se no Largo da Ponte, em Quintos, e segue-se para leste, junto ao ribeiro, pela rua que se torna em caminho rural. Tomar a direcção do Monte da Gravia dos Pisões onde se vira à direita junto à fonte. Eis que estamos em pleno terreno fértil, onde o regadio impera graças à chegada por via subterrânea das águas do lago Alqueva. Cerca de mil e duzentos metros à frente, fazer uma viragem apertada à esquerda, atravessam-se as ruínas do que já foi o importante Monte da Gravia do Meio, após o qual se inicia descida do barranco da Gravia para cruzar a sua linha de água que, em alturas de chuvas, implica atravessar a vau. Sobe-se a vertente sul do barranco passando ao lado do Monte do Telheirinho para virar à esquerda e seguir pela estrada municipal 1067 pouco mais de dois quilómetros, onde se vai de novo virar à esquerda em direcção à azenha do Vau, junto ao Rio Guadiana, que está a cerca de quilómetro e meio. Neste caminho, à direita, encontra-se a fonte do Vau de Baixo. Visitar a azenha, esta e outras, com extremo cuidado para não escorregar ou cair ao rio. Volta-se ao caminho para seguir rio acima, encontrando junto a este o Forte do Vau ou de D. Isabel, uma curiosa construção defensiva, sem portas nem janelas, que serviu de controlo à travessia que aqui acontecia de barca. Um pouco mais à frente encontra-se a azenha de Quilos, segue-se rio acima (atravessa-se o barranco da Gravia, que, em alturas de chuvas intensas, é difícil passar a pé) até avistar a azenha dos Machados, virando antes desta para uma longa subida em direcção ao Monte da Gravia dos Pisões. A partir daqui fazer o mesmo troço inicial até ao local de partida.
Ficha Técnica
Nome do percurso: Azenhas e Fortins do Guadiana
Freguesia: Quintos (atual União freguesias Salvada e Quintos)
Localização geográfica: Quintos | Beja | N37°57'46" W07°42'21"
De Beja para Quintos seguir pela EM 511, virar à esquerda para EM 513 e novamente à esquerda pela EN 391, passar a ponte e entrar na povoação, estacionando logo à direita, onde pode avistar o Painel Informativo do percurso.
Tipo de percurso: Circular
Distância: 14,8 km
Duração aproximada: 4 a 5h
Tipo de piso: Caminhos naturais e rurais
Desníveis: Subida longa
Grau de dificuldade: Algo difícil
Piso: Terra batida
Ponto de partida e ponto de chegada: Quintos, aldeia
Onde estacionar: Na entrada da aldeia, à direita



terça-feira, 22 de março de 2016

Horror


Terror!
Horror!
Sinto-me sem palavras perante o cenário que as televisões transmitiram.
Bruxelas, cidade multicultural onde trabalhei várias vezes, viveu hoje momentos de terror.
É triste, arrepiante até, ver inocentes pagar por erros cometidos por quem nunca é apanhado num atentado ou numa explosão.
Até quando?

 


domingo, 20 de março de 2016

Je suis Labrego



O editorial do “Diário do Alentejo” desta semana, escrito, como é hábito, pelo seu Diretor Paulo Barriga, tem o título Labregos.
Sem entrar na campo da etimologia, digo-lhe, caro leitor, que também sou Labrego e com muito orgulho!
Mais, subscrevo na íntegra o que Paulo Barriga escreveu!
Um pequeno excerto do editorial que poderá ler na sua totalidade aqui.
«Labregos
(…) Sou freguês de uma aldeia ao redor de Beja, mas pago impostos como paga o patrício da freguesia do Parque das Nações. Pelo que não me parece nada equitativo, fundado e até legítimo que o companheiro de Lisboa desfrute de meia-dúzia de hospitais à escolha carregadinhos de médicos até aos sótãos e, às minhas filhas, nem sequer lhes seja distribuído um simples médico de família. Alabregado, como já o disse, pensava eu que havia falta de médicos em Portugal. Mas não. Não há. Há é falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde. O setor privado está muito bem e recomenda-se. E até estamos a exportar boa matéria-prima para os países ricos do norte europeu. A abundância de médicos em Portugal é de tal ordem que, esta semana, a Associação Nacional de Estudantes de Medicina, veio reclamar ao Governo uma redução no número de alunos que anualmente tem acesso à universidade. Dizem que os estudantes e os médicos nas grandes cidades são tantos que até encalham uns nos outros em certas aulas práticas. A imagem até seria cómica, não fosse tão triste o cenário. Há gente neste País que morre por falta de assistência médica e estes lorpas a quem pagamos o curso (meio milhão de euros entre formação básica e especialidade), que estudam nas universidades públicas e que se formam em hospitais do Serviço Nacional de Saúde, sempre às nossas tenças, ainda têm a lata e o despudor de vir fazer exigências cretinas.»




quinta-feira, 17 de março de 2016

A falta de decoro

 
Um político não é um cidadão qualquer.
É - ou deveria ser - um exemplo de decoro.
Não basta ser sério, tem obrigação de parecer sério.
Este circo político-mediático a que Lula da Silva se pôs a jeito é triste, muito triste.
O Povo brasileiro merecia - e merece! - mais respeito.