terça-feira, 9 de setembro de 2014

Amor sem limites

  
Há pessoas que adoram julgar os outros mas são incapazes de se olhar ao espelho. Eu, reconheço, tenho uma má relação com o espelho.
Não vou julgar (quem sou eu?!) mas vou aqui publicamente tirar o meu chapéu a duas Senhoras, Vivian Boyack e Alice Dubes.
Vivian com 91 anos de idade e Alice com 90, vivem numa relação há 72 anos e, no passado sábado, resolveram casar-se.
O casamento teve lugar em Davenport, Iowa, EUA.
Os meus sinceros parabéns ao casal!
 
Foto e fonte: The Independent 
 
 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Água, líquido precioso

  
Nos países ricos pouco valor se dá à água potável. É um bem que tem o dever e obrigação de estar sempre à nossa disposição, pensamos nós.
Mesmo numa situação pontual em que ela falta na torneira, resmunga-se e vamos ao supermercado comprá-la.
No entanto há milhões de pessoas que têm que andar diariamente quilómetros para obter um pouco de água mais ou menos potável para as suas refeições.
Outros há que apesar de rodeados de água, esta está contaminada e é imprópria para consumo.
Até os meteorologistas da nossa praça dizem com frequência "mau tempo" para dias de chuva e "bom tempo" para dias de sol, mesmo em pleno inverno.
Recordo-me de antigamente ouvir em Quintos a pessoas entendidas em agricultura: "Bela tarde de água! E assim mansinha fica toda na terra!"
Outros tempos...

Fotos: Anupam Nath / Associated Press





terça-feira, 2 de setembro de 2014

A magia do conto

 
Convido-vos a lerem, vale a pena! 
«Jasmine e o seu conto
O meu nome é Jasmine, tal como a princesa do conto de Aladino.
Tenho 10 anos e hoje a professora disse que como eu tinha o nome de personagem de uma história, que escrevesse sobre outros protagonistas de outras histórias.
E então eu escrevi isto. 
Era uma vez uma menina que nasceu num país mágico onde o sol sempre brilhava e a temperatura era sempre amena.
Mas um dia todos os habitantes desse país acordaram com tudo coberto de neve.
Durante a noite e pela primeira vez tinha nevado e tudo estava branco, de uma maravilhosa brancura que levou todos para a rua desfrutar daquela prenda da natureza.
Nesse mesmo estranho dia, nasceu uma menina a quem foi posto o nome de Branca de Neve.
Branca de Neve era muito bonita mas ao contrário do nome, era uma menina morena de cabelos e olhos pretos como a maioria dos habitantes desse país.
Quando tinha 8 anos a Mãe morreu e quando tinha 16 o Pai, com quem sempre vivera feliz, casou de novo com uma senhora viúva que tinha 2 filhas.
E Branca de Neve começou a sentir-se infeliz porque eram muito más para ela.
Quando o Pai estava em casa eram atenciosas, mas quando ele não estava, o que acontecia frequentemente pois tinha de viajar muito por motivo de negócios, faziam-na trabalhar o tempo todo e mal tinha tempo para estudar e sair com as amigas.
Numa tarde fresca de verão, vestiu o seu polar vermelho de capuz e foi dar uma volta pelos bosques pois gostava de ver os esquilos e de sentir o aroma dos pinheiros e demais árvores.
Naquele dia, quando estava sentada a descansar um pouco apareceu um lobo que lhe gritou: “Vou-te comer! Tu és a Menina do Capuchinho Vermelho e eu tenho de te comer como no conto.”
Branca de Neve ficou muito assustada e desatou a correr com quantas forças tinha, até que cansado, o lobo que era gordo e não corria tanto como ela acabou por desistir e ir procurar outra coisa para o almoço.
Quando finalmente parou de correr e viu que o lobo já nem se avistava, respirou descansada e viu ao longe uma pequena casa.
Como já não sabia bem onde estava, dirigiu-se para lá a fim de pedir um copo de água e telefonar para casa a pedir para a irem buscar.
Mas quando chegou viu que aquela casa era toda feita de chocolate e doces.
Quando ia tocar à campainha para ver quem seriam os seus estranhos habitantes, reparou que esta era uma bela bomboca de chocolate e não resistiu a comer um bocadinho.
Depois foi espreitar pela janela onde estavam uns vasos feitos de gomas e provou também um bocadinho.
Como não viu ninguém, empurrou a porta que era uma tablete de chocolate e entrou.
Estava tudo impecavelmente arrumado mas parecia uma casa de bonecas, pois tudo lá dentro era pequenino.
No quarto havia sete camas de chocolate com colchas de gelatina.
Os candeeiros das mesas de cabeceira eram brigadeiros e não resistiu a comer um…
Estava para se ir embora quando ouviu umas vozes a cantar ao longe.
Espreitou pela janela e viu sete anões que todos em fila a marchar enquanto cantavam alegremente:
“Eu vou eu vou
Para casa agora eu vou
Parara-tim-bum
Parara-tim-bum
Eu vou
Eu vou
Eu vou
Eu vou
Eu vou
Para casa
Agora eu vou“
Branca de Neve sentiu-se cheia de vontade de ver de perto aqueles estranhos habitantes de uma casa de chocolate perdida na floresta.
Quando chegaram foram simpáticos para com ela e convidaram-na para almoçar.
Comeram frutos silvestres, pão com mel e beberam sumo de malvas.
No fim, Branca de Neve despediu-se deles, agradeceu a hospitalidade e pediu que lhe indicassem o caminho para casa.
O Dengoso prontificou-se para a acompanhar enquanto o Soneca dormitava sentado numa cadeira de mortadela de chocolate e o Atchim não parava de espirrar porque sofria de alergias.
Quando iam a caminho, passaram por uma casa a cuja janela uma carochinha gritava:
“Quem quer casar com a Carochinha que é rica e bonitinha”?
E uma data de animais iam-se oferecendo para a desposar e ela ia rejeitando todos.
Até que apareceu um rato muito bem vestido que disse que gostaria muito de casar com ela pois adorava comer coisinhas boas e sabia que ela era uma ótima cozinheira.
A Carochinha aceitou e enquanto se beijavam felizes Branca de Neve retomou o caminho para casa.
De repente viu um bonito rapaz num descapotável amarelo que parou ao pé dela, retirou um sapato de cetim da mala do carro e perguntou se podia ver se lhe servia.
Ela disse que não se importava mas que achava o sapato feio e com ar incómodo e que não precisava de apenas um sapato pois tinha dois pés.
Então o rapaz ajoelhou-se aos pés dela e delicadamente enfiou-lhe o sapato no pé direito.
Quando viu que lhe servia perfeitamente, ergueu-se e com ar radiante declarou:
Finalmente encontrei a rapariga com quem andei a dançar no baile da rosa e que fugiu perdendo este sapato!
Branca de Neve disse-lhe que estava confundido pois não tinha ido a nenhum baile.
Então o rapaz perguntou-lhe se ela queria ao menos ir tomar uma bebida com ele.
Como era um rapaz bonito e educado, ela esqueceu que não devia aceitar boleia de estranhos e despedindo-se e agradecendo a Dengoso ter andado com ela, lá foi no descapotável amarelo com os cabelos pretos ao vento.
Pronto, eu gostava de escrever mais, porque ainda há muitas mais personagens de que gostava de falar mas a campainha tocou e tenho de entregar o meu conto.
Espero que a professora goste e me dê uma boa nota.
Jasmine»

Escreveu Maria Eduarda Palma (Abrantes, Portugal) na revista online de literatura luso-brasileira Subversa
 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Mil milhões de pratos vazios

  
É este o título da entrevista que a Revista Ñ faz a Martín Caparrós, autor do livro El Hambre.
"A fome foi, desde sempre, o motor de mudanças sociais, progressos técnicos, revoluções, contra-revoluções. Nada influenciou mais a história da humanidade. Nenhuma doença, nenhuma guerra matou mais pessoas. Porém, nenhuma praga é mais letal e, ao mesmo tempo, tão evitável. Eu não sabia."
Quem assim escreve é Martín Caparrós, que acaba de publicar um livro com mais de 600 páginas sobre a fome no mundo. Neste trabalho confluem todas as suas facetas: o investigador, o escritor, o viajante, o etnógrafo, o cronista.
Leia a entrevista da Revista Ñ aqui.

  
 
 
 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

África, tão perto e tão longe

  
"De repente, olhamos para a África com medo de que nos contagiem com o Ébola. Normalmente não olhamos para eles, porque a fome não é contagiosa..."
Copiado daqui
  

  

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O banho

  
Quando o fim é higiénico é recomendável.
Quando o fim é de solidariedade é louvável.
Quando o fim é jantarada (facebook português) é uma cópia infeliz e grosseira.

Cartoon: jornal californiano OC Register, 26/08/2014


 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sol que se apagou

  
Uma verdade que ocultamos a nós próprios, intencionalmente ou não.
Escreveu Hernâni Matos no seu blogue, que aqui transcrevemos com a devida vénia:

«A vida é uma longa caminhada, feita de afectos e emoções, alegrias e tristezas, ilusões e desilusões, medos e actos de coragem, vitórias e derrotas, avanços e recuos. Enfim, de tudo um pouco.
Atingir os objectivos pessoais previamente fixados, é fruto de muito esforço e disciplina, mas também de alguma imaginação. Condições favoráveis também ajudam. Porém, mal de nós se estivermos à espera que o maná nos caia do céu.
Podemos levar a vida a sério ou não. O que é certo é que a vida nos acaba sempre por pregar partidas. Quando damos por nós, somos um sol que se apagou.»

 
 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O cisne ataca, de novo

  
A ação passa-se no rio Cam que atravessa a cidade de Cambridge, Inglaterra.
Há uns anos havia por lá um cisne que tinha a mania de atacar quem passeava de barco pelo rio Cam. As autoridades foram forçadas em 2012 a retirá-lo do rio e levá-lo para um local seguro a cerca de 100 kms de Cambridge.
Quando todos já tinham esquecido o agressivo cisne eis que surge no rio um outro cisne, mais jovem e também mais agressivo que o anterior. É o pavor de quem passeia de barco no rio Cam. John Gale de Cambridge diz "É o cisne mais cruel que eu já vi!". Ataca sem dó nem piedade todos os que se passeiam no rio. Já se tornou vedeta fazendo com que muitas pessoas se desloquem à beira rio só para fotografar os seus ataques.
Recordo-me, quando miúda de tenra idade, visitar os meus avós numa quinta perto de Quintos onde havia, não cisnes, mas patos. Patos mudos, diziam. Perdi a conta às vezes que fugi chorando à frente deles. Para mim aquilo não eram patos, eram aves enormes e monstruosas tipo pterossauros!

Fonte: The Daily Telegraph
  
Foto: Geoff Robinson in Telegraph
  
 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Feira da conversa

  
O que nos leva a uma feira? Ou melhor, o que nos levava a uma feira?
A feira era o local onde tudo se podia comprar, desde gado, roupa, artigos diversos para a casa, alfaias agrícolas, etc.. Era um mundo onde a diversão também não faltava.
A feira da Salvada era uma feira especial, sui generis. Para além de tudo o que as outras feiras tinham – à sua escala, evidentemente – tinha como divisa a conversa. Sem a grandeza da feira de Beja, Serpa, Moura ou Ferreira do Alentejo, a feira da Salvada sempre encantou pela fraternidade, pela forma familiar como todos se tratavam fossem eles da terra ou não. A conversa à mesa ou balcão das várias tasquinhas fluía acompanhada com o bom petisco e o bom vinho que os salvadenses sempre souberam produzir.
A feira de Beja, majestosa como foi outrora, morreu, mas a feira da conversa continua de pé graças à vontade de quem não quer deixar morrer as tradições.
15, 16 e 17 de agosto são os dias em que a feira da Salvada se vai realizar.
Não tem a grandiosidade dos anos 60 e 70 do século passado, mas as tasquinhas, os produtos regionais, a diversão e acima de tudo “o saber receber bem” vão estar presentes.
Por tudo isto apareça pela Salvada este fim de semana!
  

  

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Sucata

  
Confesso que já não recordo quem foi o 'inteligente' que teve a brilhante ideia de construir um aeroporto em Beja. Para essa mente brilhante constrói-se uma infraestrutura desta envergadura e, com um estalar de dedos, as pessoas aparecem. Não sei por que se não lembrou de construir um porto de águas profundas junto ao moinho dos Machados, em Quintos...
O Paulo Barriga escreve esta semana no editorial do Diário do Alentejo que já se descobriu qual vai ser o destino final e rentável do aeroporto de Beja: um parque de sucata. Não, a ideia não é dele, é do presidente dos Aeroportos de Portugal.
Turismo? Plataforma logística? Investigação e fabrico de componentes aeronáuticos?
Nada disso, o lixo é que está a dar.
Bom, se isto também não der resultado pode ser transformado num aterro sanitário da Amalga.