Nada
acrescento porque se o fizesse iria tirar beleza ao texto de Hernâni
Matos, apenas digo: subscrevo!
«Temos
carácter. Somos alentejanos!
Muitos
de nós, andamos cansados, pelos mais diversos e respeitáveis
motivos. Todavia, a eminência de expulsão dos bofes não é
compatível com o verbalismo retórico.
A
ameaça de ingresso na zona meã da temperatura a que ferve o ângulo
recto, ceifa-nos, quer por baixo, quer por cima. Mas isso, não
importa. Somos neo-realistas obstinados, anarco-libertários do
rebimba-ó-malho, à prova de combustão, seja ela qual for.
Somos
homens e mulheres de sequeiro, que bebemos das raízes que mergulham
no barro e no xisto e, quando é necessário, na dureza fria do
mármore.
Não
abdicamos, nem nos vendemos, nem tão pouco nos rendemos. O nosso
lugar, é aqui.
Temos
carácter. Somos alentejanos.
Recomendamo-nos!»
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Costumes
Alentejanos (1923) de Jaime Martins Barata.
Aguarela sobre papel,
Museu Grão Vasco, Viseu.
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