sábado, 31 de maio de 2014

Estabilizar uma arritmia

  
No passado 19 de maio escrevemos aqui, sob o título Ritmo &Arritmia, que o município de Beja não tapava os buracos da estrada municipal entre Quintos e Beja. Lamentámos a falta de intervenção.
Imagem: Google, Street View
Esta semana, funcionários da autarquia bejense, começaram a tapar os buracos maiores da referida estrada.
Não é um favor que estão a fazer à população de Quintos (é um dever, uma obrigação), mas quero aqui deixar, em nome do Blogue Quintos, o nosso Obrigado e registar o acontecimento.
Obviamente que esta reparação do asfalto nada teve com a publicação do nosso artigo, tratou-me de uma mera coincidência.
Uma coincidência feliz!
Na fotografia, retirada do Street View da Google, está assinalada a vermelho a zona mais problemática de buracos para quem transitava no sentido Beja – Quintos. Até aqui, para quem vem de Beja, a situação está mais ou menos resolvida. A outra zona grave situa-se a +/- 500 metros desta, antes do Monte dos Meloais, e creio que será solucionada nos próximos dias.
  
 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Valsa

 
A valsa

Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co'as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Valsavas:
— Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros,
Os olhos
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias,
P'ra outro
Não eu!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
— Eu vi!...

Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem ?!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas,..
— Eu vi!...

Calado,
Sozinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!

Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!

Quem dera
Que sintas!...
— Não negues
Não mintas...
— Eu vi!

Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então;
Qual pálida
Rosa
Mimosa
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida.
No chão!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
— Não negues,
Não mintas...
Eu vi!


Casimiro de Abreu, poeta brasileiro (1839-1860)



terça-feira, 27 de maio de 2014

Onde Para a Polícia I, III e IV

  
Pra mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.”
Escreveu António Aleixo, poeta popular de Vila Real de S. António.
Vem isto a propósito dos “concursos com chamada telefónica de valor acrescentado '0,60 € + IVA'” das nossas televisões generalistas RTP, SIC e TVI (I, III e IV, como também são conhecidas e daí parte do título deste artigo).
Estes concursos são uma farsa. Uma farsa “legal”, mas é uma farsa. Grave.
Dizem eles que quem ligar para o 760... fica habilitado a ganhar milhares de euros. É mentira dito assim porque induzem os incautos em erro. “Ah mas há um regulamento no teletexto e na página de internet do canal televisivo”. Que descaramento! Bombardeiam as pessoas horas a fio para ligar porque se não ligar não vai ganhar, nada dizem sobre que tipo de prémio estão a falar (apenas que se trata de milhares de euros!) e depois esperam que alguém vá ler as letrinhas miúdas e difíceis de encontrar de um malfadado regulamento, tenham paciência.
Todos sabemos, ou deveríamos saber, que em Portugal apenas a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e os casinos podem dar prémios em dinheiro. Todos os outros, quando o fazem, é ilícito.
As televisões portuguesas não estão a fazer jogo ilícito porque não dão dinheiro a ninguém, mas acho criminoso não explicarem isso às pessoas. Compreendo que se o fizessem não teriam 0,1% das chamadas telefónicas que recebem, mas a isso deveriam ser obrigadas, isto é, a explicarem que tipo de prémio é que falam sem aso a qualquer equivoco ou mal interpretação.
Isto para não falar no marketing agressivo e vergonhoso de dizer 60 cêntimos mais IVA; porque não dizem tão simples quanto 74 cêntimos?! Quando vamos a um café e perguntamos o seu preço ninguém, no seu juízo prefeito, dirá que são 49 cêntimos mais IVA...
  

domingo, 25 de maio de 2014

Os Filipes

  
Em 15 de abril de 1581 reuniram-se as Cortes de Tomar onde declaram Filipe II de Espanha rei de Portugal, ficando por cá com o título de Filipe I de Portugal. Antes, desde a morte de D. Sebastião em 1578, já todo um trabalho de sapa tinha sido executado por traidores portugueses para abrir caminho ao rei de Espanha.
Bom, o século XVI já lá vai e estamos em pleno século XXI.
Já não há traidores?
Já não há entrega da soberania Portuguesa a outros? 
Haver há, tem é outros nomes, mais finos.
Nos anos 80 do século passado Portugal entregou a sua soberania a outros. Económica, financeira, política, etc.. Eu sei que não foram os Portugueses, foram outros cristovãos de moura, enfim. Houve Cortes? Ou seja, transpondo para a nossa época, os Portugueses foram consultados (eleições)? Que eu saiba, aquilo que se perdeu não foram uns trocados, foi tudo! Esta maldade ou infelicidade não bateu apenas à nossa porta, Espanha, Grécia, Irlanda, Eslóvenia ou Letónia, estão no mesmo Titanic.
Alemanha, Inglaterra e França mandam, os outros obedecem.
E agora exigem-me: Vote!
Mas voto em quem?!
Obviamente que não votei.
  

terça-feira, 20 de maio de 2014

Porque será?!...

  
A página 5 do Boletim Paroquial de Quintos “O Sino” do corrente mês traz um tema de vital importância para todos nós católicos. De autoria do sr. Diácono José Rosa Costa e intitulado “Porque Será?!...” remete-nos a uma introspeção que urge fazermos.
Eis o texto, na integra:

No V domingo da Quaresma participei, em Beja, na solene procissão do Senhor dos Passos formada por dois longos 'cordões' humanos entre crianças, jovens e adultos de ambos os sexos, e todas as idades, além das inúmeras pessoas que assistiam ao longo do percurso. Uma grande manifestação de religiosidade do nosso povo, que me impressionou. Admito que a maior percentagem desta multidão participante tenha motivos de fé para assim se expor publicamente, mas ainda não consigo entender (porque será?) que nas Missas, mesmo nas dominicais, haja um débito notório de participantes. Não ponho em causa a participação em procissões, pelo contrário, até acho importante que se participe, porque está a ser evocado o patrono da nossa terra e, como tal, avivamos o dever de o cultuarmos e imitarmos o seu exemplo no amor ao Evangelho, para a glória de Deus. Mas a Missa ou Eucaristia é uma ato insubstituível por qualquer outro ato litúrgico, porque celebra a Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Redentor e nosso Salvador, portanto, o ápice da fé católica.
Sociologicamente, pode haver explicações para o comportamento de quem, afirmando-se católico, participa nas procissões, mas raramente (ou nunca) participa na Missa, contudo, eu continuo a perguntar-me 'Porque Será?!.
Para quem se diz católico, é tempo de levar muito a sério a sua vida cristã, participando nas procissões, mas nunca deixando de participar na Santa Missa.”
Diácono José Rosa Costa in “O Sino”
  
 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Ritmo & Arritmia

  
Prosseguem a bom ritmo as obras de construção do Circuito Hidráulico Baleizão-Quintos que, como já aqui foi dito, irá irrigar uma área superior a 8 mil hectares.
Esta obra, para além dos benefícios que irá trazer em termos de produção agrícola após a sua conclusão, traz, no imediato, emprego aos desempregados da nossa região assim como uma lufada de ar fresco ao comércio local, nomeadamente a restauração.
Mas, como todos sabemos, o progresso tem custos. É a outra face da moeda, o prejuízo ou malefício. Na classe do malefício há vários, mas vou salientar dois:
1 – O impacto paisagístico que esta obra está a provocar. O desventrar terrenos provoca danos não apenas visuais mas, com o tempo e por força da atuação do Homem e da Natureza, esse desarranjo vai diluir-se, assim cremos.
2 – A degradação do pavimento das vias de comunicação. A utilização de viaturas de mercadorias pesadas no transporte de inertes – provavelmente com excesso de peso – provocou a criação de autênticas crateras nas faixas de rodagem. Dizem em Quintos que no final da obra a EDIA vai reparar o pavimento. Acho bem.
O que não acho bem, bem pelo contrário, é a atividade (ou falta dela) do município de Beja. Poderia, se um mínimo de respeito ou consideração tivesse pelos habitantes de Quintos, tapar os buracos maiores que o pavimento apresenta. Mas não, deixa-os aumentar sabe-se lá com que intenção.
No entanto, tapou alguns buracos na estrada que liga Quintos à Estação da CP de Baleizão e por isso chamo à sua atividade arritmia, caso contrário seria inércia.
Tapou apenas os buracos desta estrada porquê?
Ninguém sabe.
Há quem diga que foi porque Baleizão tem Junta de Freguesia.
Más línguas...
  

terça-feira, 1 de abril de 2014

O inverno em abril

  
Há quem gostasse de estar com tempo primaveril – atendendo à época do ano – mas não está. Está em pleno inverno. Outros há que, lamentando o tempo que faz, não estranham este inverno em abril, é sua sina o inverno começar a 21 de dezembro e terminar a 20 de dezembro.
Vem isto a prepósito da indignação que anda por aí, na moda.
Quem são estes indignados?
São, como se dizia nos meus tempos de jovem, os burgueses.
É uma classe média (baixa, média, alta, é indiferente) que vê mexerem nos seus rendimentos, nos seus privilégios. E não gosta.
Enquanto o estado roubava os que pouco ou nada tinham, ainda vá. Publicamente diziam que estava mal, mas na hora da verdade (eleições) votavam nos que sabiam defender a Sua Classe.
Imagem tirada daqui
Agora as coisas estão a complicar-se e eles estão dispostos a morder na mão que lhes tem dado de comer.
Como?
Votando à esquerda?
Jamais!
As portas da extrema direita estão escancaradas.
Contrariando a vontade do Poeta, as portas que Abril abriu há muito que foram encerradas. E entaipadas.
--
Quando disse que estas manifestações de indignação são moda não me referia apenas aos betinhos nacionais que de iPhone ou iPad em punho convocam manifestações como se homens de luta se tratassem. Elas acontecem também em Espanha, no Egito, na Líbia ou na Ucrânia. Há uma componente que é comum em todas elas: o ideal de extrema direita ou nazista nalguns casos.
É uma nova era, um novo poder que está a nascer.
  

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Interrupção

  
Por motivos alheios à nossa vontade, somos forçados a interromper a nossa atividade durante os próximos três meses aqui no Blogue de Quintos, assim como na nossa página do Facebook.
O nosso regresso à atividade normal está previsto para o dia 19 de maio.

 
 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Aula de anatomia

  
Estão todos atentos e preparados para assistir à desmembração de uma girafa.
É uma aula. É uma lição, triste e deprimente.
Abateram uma girafa com 2 anos de idade, saudável, para evitar a consanguinidade, dizem.
Se outra solução não conseguem arranjar é melhor que se dediquem a outra atividade (para não dizer outra coisa)...

 
Foto: Kasper Palsnov / Scanpix / Reuters
 

Ordem ou Barbárie?

  

Barbárie, é a resposta dada a esta questão por Rachel Sheherazade na Folha SP.

Eis o artigo publicado na coluna Tendências / Debates de hoje.

«O fenómeno da violência é tão antigo quanto o ser humano. Desde sua criação (ou surgimento,dependendo do ponto de vista), o homem sempre esteve dividido entre razão e instinto, paz e guerra, bem e mal.
Há quem tente explicar a violência, a opção pela criminalidade, como consequência da pobreza, da falta de oportunidades: o homem fruto de seu meio. Sem poder fazer as próprias escolhas, destituído de livre-arbítrio, o indivíduo seria condenado por sua origem humilde à condição de bandido. Mas acaso a virtude é monopólio de ricos e remediados? Creio que não.
Na propaganda institucional, a pobreza no Brasil diminuiu, o poder de compra está em alta, o desemprego praticamente desapareceu... Mas, se a violência tem relação direta coma pobreza, como explicar que a criminalidade tenha crescido em igual ou maior proporção que a renda do brasileiro? Criminalidade e pobreza não andam necessariamente demãos dadas.
Na semana passada, a violência (ou a falta de segurança) voltou ao centro dos debates. O flagrante de um jovem criminoso nu, preso a um poste por um grupo de justiceiros deu início a um turbilhão de comentários polémicos. Em meu espaço de opinião no jornal “SBT Brasil”, afirmei compreender (e não aceitar, que fique bem claro!) a atitude desesperada dos justiceiros do Rio.
Embora não respalde a violência, a legislação brasileira autoriza qualquer cidadão a prender outro em flagrante delito. Trata-se do artigo 301 do Código de Processo Penal. Além disso, o Direito ratifica a legítima defesa no artigo 23 do Código Penal.
Gravura: Herman Tacasey
Não é de hoje que o cidadão se sente desassistido pelo Estado e vulnerável à ação de bandidos. Sobra dinheiro para Cuba, para a Copa, mas faltam recursos para a saúde, a educação e, principalmente, para a segurança. Nos últimos anos, disparou o número de homicídios, roubos, sequestros, estupros... Estamos entre os 20 países mais violentos do planeta. E, apesar das estatísticas, em matéria de ações de segurança pública, estamos praticamente inertes e, pior: na contra-mão do bom senso!
Depois de desarmar os cidadãos (contrariando o plebiscito do desarmamento) e deixá-los à mercê dos criminosos, a nova estratégia do governo, por meio do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, é neutralizar a polícia, abolindo os autos de resistência.
Na prática, o policial terá que responder criminalmente por toda morte ocorrida em confronto com bandidos. Em outras palavras, é desestimular qualquer reação contra o crime. Ou será que a polícia ousará enfrentar o poder de fogo do PCC (Primeiro Comando da Capital) ou do CV (Comando Vermelho) munida apenas de apitos e cassetetes?
Outra aliada da violência nossa de cada dia é a legislação penal: filha do “coitadismo” e mãe permissiva para toda sorte de criminosos. Presos em flagrante ou criminosos confessos saem da delegacia pela porta da frente e respondem em liberdade até a última instância.
No Brasil de valores esquizofrénicos, pode-se matar um cidadão e sair impune. Mas a lei não perdoa quem destrói um ninho de papagaio. É cadeia na certa!
O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), o Estatuto da Impunidade, está sempre à serviço do menor infrator, que também encontra guarida nas asas dos direitos humanos e suas legiões de ONGs piedosas. No Brasil às avessas, o bandido é sempre vítima da sociedade. E nós não passamos de cruéis algozes desses infelizes.
Quando falta sensatez ao Estado é que ganham força outros paradoxos. Como jovens acusados pela violência que tomam para si o papel da polícia e o dever da Justiça. Um péssimo sinal de descontrole social. É na ausência de ordem que a barbárie se torna lei.»

Rachel Sheherazade, jornalista in Folha de S. Paulo, 11/02/2014