A crise é enorme.
É para comprar carne?
Comprar pão?
Comprar leite?
Não ... que disparate!
É para comprar o novo iPhone 4.
Isto foi ontem, 24/06/2010 à porta da loja Apple, aqui em Londres.
Se calhar as minhas grandes paixões passaram-se entre os doze e os quinze anos: por cromos de artistas de cinema que vinham nas embalagens das pastilhas elásticas, pela tia de um colega da escola que me passou a mão no cabelo, por meninas que patinavam no Jardim Zoológico e não me ligavam nenhuma, por uma senhora da idade da minha mãe que encostou a perna à minha no eléctrico, por uma outra, mais velha ainda, que me pegou na mão no cinema. No intervalo, loiríssima, fumou um cigarro de filtro doirado sem olhar para mim a fim de que não pensassem que namorávamos, visto que os assuntos sérios querem-se com recato e eu ainda não tinha dito nada aos meus pais, tornando o noivado oficial, mas a seguir ao intervalo, no escuro, discreta e suave, pegou-me na mão outra vez, largou-a para me acariciar o joelho
Protestando assim a sua inocência e declarando-se imerecedor da malevolência dos seus vizinhos, que sem dúvida o tinham denunciado para destruírem a sua excelente reputação, o homem foi solto.