domingo, 11 de abril de 2010

Ter ou Não Ter Classe


Nós, cidadãos comuns, olhamos para a classe politica de baixo para cima. Para os gestores das grandes empresas, também. Para os magistrados, idem.
Porquê?!
Porque são pessoas superiores.
São pessoas que colocam o interesse colectivo acima do interesse particular. São pessoas que foram formadas e educadas para serem líderes. São pessoas íntegras.

Mas há excepções.
Há deputados da nação que vivem há anos em Lisboa mas mantêm como residência oficial a casinha lá na terra. Resultado, solicitam ajudas de custo para a deslocação da sua casa (algures no interior do país) até ao seu posto de trabalho (Lisboa). Há agora o caso da miúda com residência em Paris. Qualquer dia aparece um com residência em Auckland ou até mesmo na Estação Espacial Internacional. O ridículo já não tem limites.

Depois há os casos bem mais violentos, mas que, até prova em contrário é tudo boa gente: Portucale, Freeport, submarinos. Uma coisa é certa, os números que a comunicação social tem atirado ao ar, não passam de trocos comparados com a realidade.

No entanto, se o Zé Manel, que está a receber subsídio de desemprego porque a empresa onde trabalhava fechou, for apanhado a fazer um biscate para um vizinho, não é preso, mas tem que devolver o dinheiro recebido da segurança social com dois palmos de língua de fora.

Moral da história: não há!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Madre Teresa

 
Há pessoas que nasceram para sofrer.

Apesar de sempre ter vivido só a pensar no seu semelhante, ajudando sem olhar a quem, por vezes – sabe Deus! - com que sacrifício, fazendo projectos a amigos e desconhecidos sem cobrar um tostão e vem o Público, ingrato, acusá-lo de operações menos claras enquanto deputado.

Logo ele, um Santo homem!

Será que o Público não tem mais nada que fazer do que difamar, ultrajar, enlamear o bom nome deste Santo?

Não estará na altura de riscar a azul (ou rosa) este pasquim a soldo de comunistas?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Chi Ha Paura Della Verità?

Diz o Senhor Bispo de Beja, D. António Vitalino Dantas na sua Mensagem Pascal que “os lobbies dos poderes anti-igreja, que não aceitam a verdade da fé cristã, (…) montaram uma campanha, que tem como objectivo denegrir e derrubar o actual Papa”.
Vem isto a propósito dos conhecidos e cada vez mais abundantes casos de pedofilia no seio da Igreja. Há muito que se sabia que a pedofilia existia no seio da Igreja. Comentava-se, não abertamente
por receio, mas era do conhecimento geral que crianças entregues à guarda de instituições religiosas eram abusadas sexualmente. Não por estranhos, mas por pessoas dessas instituições.
Não eram todos, como é óbvio. Eram (ou são!) uma minoria a abusar sexualmente das crianças. Felizmente há pessoas ligadas à Igreja, a maioria, que são contra esta praga de tarados.
No entanto, quem tenta denunciar estes casos é, muitas das vezes, confrontado com a acusação de estar a tentar lavar roupa suja em praça pública. Em contrapartida as mais altas instâncias da Igreja Católica têm feito uma tentativa de branqueamento de clérigos envolvidos em acusações de pedofilia.
De que tem medo a Igreja?
Por que se tenta esconder um crime hediondo?

O Melhor Post de Março

Há criminosos que nós abençoamos.
E quando não são abençoados são, pelo menos tolerados. Tolerados por nós cidadãos comuns, tolerados pelo sistema judicial e abençoados por uma máfia instituída. Uma máfia legal. E poderosa.
Os criminosos a que me refiro são as claques desportivas. Todas.
É sobre elas o post que nós elegemos como o melhor do mês de Março escrito por JPB no blogue Janelas.

Onde Falhámos?

O facto de largas centenas de criaturas terem como passatempo portarem-se colectivamente de uma forma que faria corar de embaraço qualquer bando de babuínos é um facto que seria apenas intrigante e, vá lá, deprimente, se não fosse assustador. As claques de futebol fornecem hoje em dia um dos espectáculos mais boçais que é possível imaginar.
Onde é que falhámos todos, que tornámos possível - ou até, se calhar, encorajámos - semelhante barbárie? Onde é que falhámos, que produzimos gente como os dirigentes desportivos que são capazes de apelar a "ambientes difíceis" na recepção aos adversários e não são imediatamente levados perante um juiz que lhes imponha, no mínimo, um termo de identidade e residência? Que pactuamos com a vacuidade moral, ética e intelectual deste mundo de criaturas mafiosas, corruptas e pindéricas que gira em torno e no futebol, e os tratamos como heróis do quotidiano e até modelos de virtudes?
Onde é que falhámos, que produzimos aquela sub-humanidade idiota e ululante das claques? Que achamos natural ver aquelas multidões de imbecis acarneirados empilharem-se voluntariamente em autocarros escoltados por polícias que os conduzem como gado que afinal são, sovando-os aqui e ali com indisfarçável e compreensível gosto? Onde falhámos, que não sucumbimos logo a um ataque de vergonha por partilharmos com eles (em princípio, pelo menos) a mesma natureza humana?
Onde é que falhei, que ao vê-los começo a pensar em sítios feios com arame farpado à volta?

Que Deus tenha piedade de mim.

Escrita por JPB em 22/03/2010


domingo, 21 de março de 2010

O Sino, Boletim Paroquial de Quintos

Acabou de chegar a Boston (USA) o Boletim Paroquial de Quintos referente ao mês de março de 2010. Desta vez escolhi para aqui publicar um poema. Um poema do amigo, poeta e diácono de Quintos José Rosa Costa. A ele se deve a existência de O Sino - Boletim Paroquial de Quintos. Também a ele se deve a existência de alguns sinais de cristianismo que ainda existem em Quintos. Remando contra ventos e marés, sacrificando até a sua saúde, o diácono Costa continua o arauto da Fé Cristã em Quintos.
Por tudo isso, e por muito mais que haveria a dizer do Senhor diácono José R. Costa, o meu muito obrigada!
Dia do Pai
Rasgou-se o Céu com um doce sorriso
Alvas açucenas de olor que não se esvai
Caem ora suavemente vindas do Paraíso
Das mãos de S. José neste Dia do Pai!

Ramo simbólico de açucenas do Céu caído
Guarneça neste lindo dia o teu coração
Junta ao beijo que dás ao teu pai, envolvido
Um abraço de carinho, amizade e gratidão!

Neste dia, assim perfumado, haja lugar
Para uma palavra e um sorriso amoroso
Que nasçam bem do recôndito do teu EU.

Um gesto ternurento, um sorriso amistoso …
São a melhor prenda que ao teu pai podes dar
E, com viva saudade, uma oração, se já morreu.

                                   José Rosa Costa

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Enxovalho

É com alguma perplexidade que assisto à invasão pacífica que termos anglófonos estão a efectuar na língua portuguesa.
Não sendo português nem tão pouco residindo em Portugal, mas conhecendo o suficiente da língua de Camões para afirmar que não só é muito rica com dispensa anglicismos pós-modernos, fico um pouco triste quando vejo, oiço e leio palavras em inglês quando há sinónimos em português.
Há duas entidades, na minha opinião, que são as grandes culpadas deste crime. Os políticos que as utilizam provavelmente para parecerem cultos e os jornalistas talvez com o mesmo triste objectivo.
Passivamente os portugueses assistem impávidos e serenos. Até quando?
Vou dar três exemplos hoje muito em voga e curiosamente da área da criminalogia.
Bullying – Acto de violência física ou psicológica de forma continuada e intencional sobre outrem.
Carjacking – Roubo de viatura com recurso a violência física ou verbal.
Homejacking – Roubo em residência com o proprietário no seu interior.
Todos estes crimes, excepto o carjacking, são praticados à milhares de anos e são perfeitamente explicáveis em português sem necessidade de recurso a outra língua.
Há 20 anos estas três palavras não constavam do vocabulário português. Hoje são utilizadas com tanta frequência e despudor que até parecem palavras portuguesas.
Utilizá-los num discurso em português é enxovalhar a língua de Portugal.
Devia ser crime.
Ou, pelo menos, devia haver vergonha.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A Justiça é cega ... mas só de um olho

Diz o Senhor Procurador Geral da República que uma aproximação entre politica e justiça não é saudável para ninguém. Como é do conhecimento de todos há muito que o poder e a justiça andam de braço dado. Ou melhor, desde sempre. Primeiro foi a Igreja toda poderosa que punha e dispunha da justiça. Depois da perda de poder por parte da Igreja a justiça passou a ser comandada pelos políticos. A promiscuidade entre uns e outros sempre foi visível à vista desarmada. Hoje é mais sofisticada, mais camuflada, mas quando o verniz estala utilizam métodos do século XIX.
É, ainda hoje, extremamente difícil constituir arguido um político ou poderoso. Condená-lo (transito em julgado) a uma pena de prisão efectiva é impossível. Provavelmente há jurisprudência a criar essa impossibilidade.
Recordo-me de, há uns anos, um juiz desembargador num programa televisivo afirmar que enquanto juiz de 1ª instância ter mandado para a prisão indivíduos que, com outro advogado, teriam saído em liberdade. Todos nós, pobres de tudo menos de dignidade, sabemos que isso é verdade. A verdade da justiça a que temos direito. Ou que podemos pagar.
A paz, o pão, a habitação e a justiça não são um direito como consagra a Constituição. Não! Quem os quiser tem que os pagar. Paradoxalmente quanto menos poder económico tiver, maior valor lhe exigem por esses direitos.
O acesso à Justiça é um Direito Universal. Negar esse direito é crime! Prolongar ad aeternum uma sentença é uma forma de negar a Justiça.

domingo, 7 de março de 2010

O Dia D. Delas!

Celebra-se amanhã, 8 de Março o Dia Internacional da Mulher.
Passados que são cem anos sobre a proclamação deste Dia Internacional, a Mulher está longe de atingir a emancipação por que sempre tem lutado. E a que tem direito!
Não me refiro apenas à Mulher que vive nos países do 3º mundo ou sob ditaduras politico ou religiosas. Nos países desenvolvidos a Mulher é vista, muitas das vezes, como um ser inferior. No trabalho é, não só descriminada, como alvo dos “avanços” do chefe. Para um cargo de responsabilidade é facilmente ultrapassada por um colega homem, mesmo que este apresente um mérito inferior.
Na politica, basta olhar para a Assembleia da República e ver o número de deputadas.
No lar a coisa ainda se agrava mais. Tratar dos filhos, cozinhar e limpezas continuam ainda a ser tarefas exclusivamente femininas.
“As mulheres trabalham mais 16 horas por semana que os homens”, artigo no Diário Digital. E adianta, “No emprego chegam a ganhar menos 30 por cento em cargos idênticos aos deles”.
É óbvio que a melhoria tem sido muita neste último século. E nos últimos 20 / 30 anos tem sido evidente a aproximação dos direitos e deveres entre homem e mulher.
Mas muito caminho falta ainda percorrer.

Um bom dia da Mulher a todas as mulheres.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Alentejo Solidário

O Alentejo é uma das regiões mais pobre de Portugal.
Sempre o foi.
Mesmo quando era o 'Celeiro da Nação'.
Mas o Alentejo ou, para ser mais preciso, os alentejanos, sempre foram solidários. Sempre deram a mão a quem precisava de ajuda.
Mesmo nos momentos de maior pobreza nunca recusaram uma migalha a quem nada tinha. Os finais dos anos 30 do século passado são disso um exemplo. Fugidos a uma guerra civil centenas e centenas de espanhóis procuraram refúgio no Alentejo. Apesar da miséria em que vivia nessa altura, o alentejano foi solidário e a fome matou a muitos 'nuestros hermanos'. Sem regatear. Sem perguntas.

Hoje, ou melhor, no próximo dia 12 de Março no Cine Teatro Pax Júlia em Beja realizar-se-á um espectáculo de solidariedade com o Povo da Madeira vítima de uma intempérie como não há memória em Portugal.
A sala do Cine Teatro vai, seguramente, estar cheia.
Os alentejanos, mais uma vez irão ser solidários.
Infelizmente em Quintos há quem pense que estes gestos são perda de tempo.

Tive conhecimento desta iniciativa no blogue de João Espinho, de onde retirei o cartaz aqui reproduzido.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Melhor Filho

Um velho etíope, na altura de morrer, chama os seus três filhos e diz-lhes:
 - Não posso dividir em três o que possuo. Isso deixaria muito poucos bens a cada um de vós. Decidi dar tudo o que tenho em herança ao que se mostrar o mais hábil, o mais inteligente. Ou seja: ao meu melhor filho. Pousei em cima da mesa uma moeda para cada um de vós. Pegai nelas. Aquele que, com a sua moeda, comprar com que encher o telheiro terá tudo.
Partiram. O primeiro filho comprou palha, mas só conseguiu encher o telheiro até meia altura.
O segundo filho comprou sacos de penas, mas também não conseguiu encher o telheiro.
O terceiro filho – que ficou com a herança – comprou apenas um pequeno objecto. Era uma vela. Aguardou a noite, acendeu a vela e encheu o telheiro de luz.

Jean-Claude Carrière in “Tertúlia de Mentirosos”