domingo, 21 de março de 2010

O Sino, Boletim Paroquial de Quintos

Acabou de chegar a Boston (USA) o Boletim Paroquial de Quintos referente ao mês de março de 2010. Desta vez escolhi para aqui publicar um poema. Um poema do amigo, poeta e diácono de Quintos José Rosa Costa. A ele se deve a existência de O Sino - Boletim Paroquial de Quintos. Também a ele se deve a existência de alguns sinais de cristianismo que ainda existem em Quintos. Remando contra ventos e marés, sacrificando até a sua saúde, o diácono Costa continua o arauto da Fé Cristã em Quintos.
Por tudo isso, e por muito mais que haveria a dizer do Senhor diácono José R. Costa, o meu muito obrigada!
Dia do Pai
Rasgou-se o Céu com um doce sorriso
Alvas açucenas de olor que não se esvai
Caem ora suavemente vindas do Paraíso
Das mãos de S. José neste Dia do Pai!

Ramo simbólico de açucenas do Céu caído
Guarneça neste lindo dia o teu coração
Junta ao beijo que dás ao teu pai, envolvido
Um abraço de carinho, amizade e gratidão!

Neste dia, assim perfumado, haja lugar
Para uma palavra e um sorriso amoroso
Que nasçam bem do recôndito do teu EU.

Um gesto ternurento, um sorriso amistoso …
São a melhor prenda que ao teu pai podes dar
E, com viva saudade, uma oração, se já morreu.

                                   José Rosa Costa

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Enxovalho

É com alguma perplexidade que assisto à invasão pacífica que termos anglófonos estão a efectuar na língua portuguesa.
Não sendo português nem tão pouco residindo em Portugal, mas conhecendo o suficiente da língua de Camões para afirmar que não só é muito rica com dispensa anglicismos pós-modernos, fico um pouco triste quando vejo, oiço e leio palavras em inglês quando há sinónimos em português.
Há duas entidades, na minha opinião, que são as grandes culpadas deste crime. Os políticos que as utilizam provavelmente para parecerem cultos e os jornalistas talvez com o mesmo triste objectivo.
Passivamente os portugueses assistem impávidos e serenos. Até quando?
Vou dar três exemplos hoje muito em voga e curiosamente da área da criminalogia.
Bullying – Acto de violência física ou psicológica de forma continuada e intencional sobre outrem.
Carjacking – Roubo de viatura com recurso a violência física ou verbal.
Homejacking – Roubo em residência com o proprietário no seu interior.
Todos estes crimes, excepto o carjacking, são praticados à milhares de anos e são perfeitamente explicáveis em português sem necessidade de recurso a outra língua.
Há 20 anos estas três palavras não constavam do vocabulário português. Hoje são utilizadas com tanta frequência e despudor que até parecem palavras portuguesas.
Utilizá-los num discurso em português é enxovalhar a língua de Portugal.
Devia ser crime.
Ou, pelo menos, devia haver vergonha.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A Justiça é cega ... mas só de um olho

Diz o Senhor Procurador Geral da República que uma aproximação entre politica e justiça não é saudável para ninguém. Como é do conhecimento de todos há muito que o poder e a justiça andam de braço dado. Ou melhor, desde sempre. Primeiro foi a Igreja toda poderosa que punha e dispunha da justiça. Depois da perda de poder por parte da Igreja a justiça passou a ser comandada pelos políticos. A promiscuidade entre uns e outros sempre foi visível à vista desarmada. Hoje é mais sofisticada, mais camuflada, mas quando o verniz estala utilizam métodos do século XIX.
É, ainda hoje, extremamente difícil constituir arguido um político ou poderoso. Condená-lo (transito em julgado) a uma pena de prisão efectiva é impossível. Provavelmente há jurisprudência a criar essa impossibilidade.
Recordo-me de, há uns anos, um juiz desembargador num programa televisivo afirmar que enquanto juiz de 1ª instância ter mandado para a prisão indivíduos que, com outro advogado, teriam saído em liberdade. Todos nós, pobres de tudo menos de dignidade, sabemos que isso é verdade. A verdade da justiça a que temos direito. Ou que podemos pagar.
A paz, o pão, a habitação e a justiça não são um direito como consagra a Constituição. Não! Quem os quiser tem que os pagar. Paradoxalmente quanto menos poder económico tiver, maior valor lhe exigem por esses direitos.
O acesso à Justiça é um Direito Universal. Negar esse direito é crime! Prolongar ad aeternum uma sentença é uma forma de negar a Justiça.

domingo, 7 de março de 2010

O Dia D. Delas!

Celebra-se amanhã, 8 de Março o Dia Internacional da Mulher.
Passados que são cem anos sobre a proclamação deste Dia Internacional, a Mulher está longe de atingir a emancipação por que sempre tem lutado. E a que tem direito!
Não me refiro apenas à Mulher que vive nos países do 3º mundo ou sob ditaduras politico ou religiosas. Nos países desenvolvidos a Mulher é vista, muitas das vezes, como um ser inferior. No trabalho é, não só descriminada, como alvo dos “avanços” do chefe. Para um cargo de responsabilidade é facilmente ultrapassada por um colega homem, mesmo que este apresente um mérito inferior.
Na politica, basta olhar para a Assembleia da República e ver o número de deputadas.
No lar a coisa ainda se agrava mais. Tratar dos filhos, cozinhar e limpezas continuam ainda a ser tarefas exclusivamente femininas.
“As mulheres trabalham mais 16 horas por semana que os homens”, artigo no Diário Digital. E adianta, “No emprego chegam a ganhar menos 30 por cento em cargos idênticos aos deles”.
É óbvio que a melhoria tem sido muita neste último século. E nos últimos 20 / 30 anos tem sido evidente a aproximação dos direitos e deveres entre homem e mulher.
Mas muito caminho falta ainda percorrer.

Um bom dia da Mulher a todas as mulheres.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Alentejo Solidário

O Alentejo é uma das regiões mais pobre de Portugal.
Sempre o foi.
Mesmo quando era o 'Celeiro da Nação'.
Mas o Alentejo ou, para ser mais preciso, os alentejanos, sempre foram solidários. Sempre deram a mão a quem precisava de ajuda.
Mesmo nos momentos de maior pobreza nunca recusaram uma migalha a quem nada tinha. Os finais dos anos 30 do século passado são disso um exemplo. Fugidos a uma guerra civil centenas e centenas de espanhóis procuraram refúgio no Alentejo. Apesar da miséria em que vivia nessa altura, o alentejano foi solidário e a fome matou a muitos 'nuestros hermanos'. Sem regatear. Sem perguntas.

Hoje, ou melhor, no próximo dia 12 de Março no Cine Teatro Pax Júlia em Beja realizar-se-á um espectáculo de solidariedade com o Povo da Madeira vítima de uma intempérie como não há memória em Portugal.
A sala do Cine Teatro vai, seguramente, estar cheia.
Os alentejanos, mais uma vez irão ser solidários.
Infelizmente em Quintos há quem pense que estes gestos são perda de tempo.

Tive conhecimento desta iniciativa no blogue de João Espinho, de onde retirei o cartaz aqui reproduzido.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Melhor Filho

Um velho etíope, na altura de morrer, chama os seus três filhos e diz-lhes:
 - Não posso dividir em três o que possuo. Isso deixaria muito poucos bens a cada um de vós. Decidi dar tudo o que tenho em herança ao que se mostrar o mais hábil, o mais inteligente. Ou seja: ao meu melhor filho. Pousei em cima da mesa uma moeda para cada um de vós. Pegai nelas. Aquele que, com a sua moeda, comprar com que encher o telheiro terá tudo.
Partiram. O primeiro filho comprou palha, mas só conseguiu encher o telheiro até meia altura.
O segundo filho comprou sacos de penas, mas também não conseguiu encher o telheiro.
O terceiro filho – que ficou com a herança – comprou apenas um pequeno objecto. Era uma vela. Aguardou a noite, acendeu a vela e encheu o telheiro de luz.

Jean-Claude Carrière in “Tertúlia de Mentirosos”

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Sino, Boletim Paroquial de Quintos

Já se encontra nas casas de todos os paroquianos de Quintos O Sino de Fevereiro de 2010. Aqui a Boston também já chegou!
O artigo que escolhi para aqui publicar retrata um fenómeno que é transversal a toda a sociedade dita civilizada, quer aí na Europa, quer aqui na América. A falta de amor e carinho com que tratamos o nosso semelhante. Ou melhor, o desprezo com que o tratamos.
Nos dias que correm esse desprezo já não se aplica apenas aos desconhecidos, mas também aos nossos entes mais próximos.
Se fazemos parte da classe média-alta colocamos os nossos velhos num lar sofisticado e com todas as mordomias que o dinheiro pode pagar; aos nossos filhos damos o último grito de tecnologia que há no mercado. Amor, carinho, atenção … não podemos ter tempo para tudo, não é verdade!?
Na classe pobre dá-se mais amor, carinho, atenção … talvez porque nada mais há para dar.

Eis o artigo de O Sino de Fevereiro/2010:

*Encontro*

Ali mesmo no coração da cidade, encontrei um pobre velho – um velho mais velho do que eu.
Estava sentado no chão, encostado à parede de um prédio muito alto. Tinha um chapéu sobre a calçada, de copa para cima.
Passava gente. Muita gente …
De instante a instante, caíam moedas de pouco valor no fundo do chapéu deixadas por alguns transeuntes.
Era um mendigo igual a tantos outros que sofrem em silêncio.
Mas este chorava.
De facto, eu vi as suas lágrimas de tristeza a escorrerem pelas suas rugas fundas do seu rosto magoado.
Parei.
Olhei este pobre velho, e continuei o meu caminho. Dei alguns passos, voltei atrás e deitei uma moeda no chapéu, mas o pobre velho continuava a chorar … a chorar.
Retomei o meu caminho pensando que razões levariam aquele pobre mendigo a chorar tanto.
Terá frio?!
Terá fome?!
Estará doente?!
E as respostas foram chegando, porque quando pensamos que a culpa é dos outros as respostas chegam sempre.
Continuei a andar, mas ele ficou dentro de mim. As suas lágrimas pareciam uma acusação.
Frio? Fome? Doente?
Ele, naturalmente, precisava de amor e eu tinha-lhe dado uma moeda.
Quantas pessoas não existem a nosso lado que, mais do que dinheiro, precisam do nosso amor e do nosso carinho, da nossa atenção e da nossa palavra amiga.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Melhor Post de Fevereiro

Escolhi este. Poderia ter escolhido outro qualquer deste blogue que a escolha não seria menos digna.
A Sorte Protege os Audazes é um blogue que deve ser lido e seguido. Foi através do blogue da RTP sobre a viagem de circum-navegação do Navio Escola Sagres que tive conhecimento deste “Diário de Bordo” fantástico. Pena é que o NRP Sagres não passe aqui por Vladivostok para o visitar. Se me for possível deslocar-me-ei a Tóquio para o ver.

O título do post indica as coordenadas geográficas pelas 23H50 do 19º dia de navegação.

05º 48’.2S 032º 05.1W, dia 19, 23h50.

Acordei cedo, às 5h00. O dia amanheceu devagar, que não sabe da nossa pressa e ânsia e vontade de chegar. Não sabe que o marinheiro Afonso, a quem todos tratam por Wally pelas notórias parecenças físicas e aros pretos dos óculos, pediu licença para se ir casar a Portugal em Setembro, o que motiva já que, qualquer um, quando quer saber dele, pergunte:
- Onde está o Wally?
O dia também não sabe ainda que o segundo marinheiro Manuel Monteiro tem o dom da música e que com o seu violino alegra as noites dos seus camaradas, que de outra forma seriam mais longas. O dia não sabe ainda que o cabo M. Santos vai ser pai daqui a sete meses. O dia amanheceu devagar. À tarde, avistamos golfinhos. Adivinhando a teimosia do mar que não acaba e a indiferença do dia que corre lento, sem se importar com cada uma das histórias que estes homens carregam, os golfinhos aparecem, sem aviso, de ambos os bordos da Sagres. Exibem-se, o que nos faz correr de um bordo ao outro e outra vez para o primeiro, procurando não perder nada. Não há como o trabalho para ir enganando o tempo, que demora a passar. Lá fora, desde a manhã que se continua a trabalhar para que o navio chegue ao Recife sem mácula. Lá dentro, a azáfama não é menor, em especial para o tenente Pinto Ferreira. O Pinto Ferreira é o oficial formado em administração naval, responsável por toda a logística da Sagres. Não há nada que entre no navio que não passe por ele. É ele o garante que a Sagres tenha uma autonomia de trinta dias consecutivos no mar, sem que nada falte a bordo, do combustível à farinha com que se faz o pão. Só o comandante, o imediato e o Oliveira, “seu escola”, usam a prerrogativa de o tratar por “tulha”. Uma rápida consulta ao dicionário diz-nos que “tulha” significa “celeiro”, “montão de cereais ou frutos secos” ou “casa ou compartimento onde se guardam cereais em grão”, e é esta a razão pela qual desde há muitos anos que a sua função ganhou esse nome, o que o Pinto Ferreira aceita com fleuma. O tulha não pára, é um corrupio de faxes e emails a negociar os preços e as condições de toda a sorte de mantimentos que serão embarcados no Recife. Toda a troca de emails e restante documentação fica imediatamente disponível no WISE - acrónimo de Web Information System Environement e, na prática, uma folha de rosto para todo o arquivo vivo do navio, o Facebook interno da Marinha - para o comandante aprovar. Às 14h00, metade da guarnição assiste à palestra sobre a cidade do Recife. Começa o tenente Eusébio, que dá alguns conselhos sobre segurança – andar em grupo, ter uma pequena quantia de dinheiro separada para dar sem oferecer resistência em caso de assalto,… prossegue o Sousa Luís, com indicações úteis sobre a cidade, o que há para ver e fazer. Juntos não demoram mais de dez minutos. Os restantes vinte são dedicados à Medicina do Viajante. O Bruno começa por referir que, nesta zona do globo, são cinco os grupos de doenças que recorrentemente afectam os turistas. As doenças resultantes da ingestão de alimentos ou águas contaminadas como as hepatites A, D e E ou a febre tifóide, que têm a diarreia como primeiro sintoma.
- Com os alimentos é mais difícil. Com a água, tudo é mais fácil: sempre que possível, bebam água engarrafada e evitem pedir gelo nas bebidas – explica.
Prossegue com as doenças transmitidas por vectores animais, designadamente, artrópodes (carraças, pulgas, mosquitos), que podem provocar malária, dengue ou febre amarela e cujos primeiros sintomas são febres altas e prostração.
- Um simples repelente pode fazer a diferença – continua.
Demora-se uns minutos com as doenças transmitidas por contacto pessoal próximo e por contacto sanguíneo ou sexual. Toda a gente presta atenção. Termina com a doença transmitidas por contacto da água com a pele, a Leptospirose.
- É uma bactéria que pode estar em águas estagnadas, fossas ou rios com um caudal pequeno, que coloniza o rim do rato e que faz com que este contamine tudo à sua volta quando urina – diz sem precisar de levantar a voz e continua, mantendo a audiência presa – É de diagnóstico difícil, confunde-se com tudo e fulmina o rim humano.
Às 14h30, a palestra é repetida à outra metade da guarnição. Depois do lanche, o comandante convida-me a sair no semi-rígido para fotografar a Sagres. Mal nos afastamos do navio, voltamos ao fim de muitos dias a vê-lo inteiro, em toda a sua beleza e imponência. Um postal. O céu está limpo, há apenas algumas nuvens para o compor. Vista daqui, do meio do mar, a Sagres deixa de ser uma sucessão de pequenos compartimentos ligados entre si por onde deambulam 147 almas. São quinze minutos aos solavancos sempre a pressionar o botão da máquina. Antes do jantar, há uma nova faina geral de mastros. É a mais dura de todas as que foram feitas até agora.
- Preciso de saber com o que posso contar dos meus homens – dirá o comandante mais tarde.
No fim da faina, o mestre Meireles está visivelmente contente.
- Foi um bom teste, ainda há aspectos a melhorar, mas foi um bom teste – diz o mestre que comandou todas as manobras com os assobios do seu apito.
Jantar. É a vez de o engenheiro Gaspar se apresentar à câmara dos oficiais. Voltam à farda branca que, nem à força do hábito de a ver, me parece bonita. Passamos a refeição a detalhar com graça todos os seus e nossos azares. Primeiro, a osmose, depois os radares, que continuam inoperacionais. O dia passou indiferente a tudo, sem pressa.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quintos Não Está de Luto

O governo decretou 3 dias de luto nacional pelas vítimas do temporal que assolou a Região Autónoma da Madeira (Decreto nº 1-A/2010 de 22 de Fevereiro).
Diz o nº 1 do Artigo 7º do Decreto-Lei nº 150/87 de 30 de Março que “Quando for determinada a observância de luto nacional, a Bandeira Nacional será colocada a meia haste durante o número de dias que tiver sido fixado.”
Hoje, 24 de Fevereiro, é o último dia de luto nacional, mas a sede da Junta de Freguesia de Quintos que funciona no edifício da Casa do Povo de Quintos continua sem a Bandeira Nacional a meia haste.
Confrontado com esta situação – se não sabia que o governo português tinha decretado 3 dias de luto nacional – o senhor presidente da Junta de Freguesia – António Felizardo – respondeu, laconicamente: “Não sei de nada!”, virando costas à interlocutora foi-se embora.
Diz a interlocutora, que nos pediu anonimato, que o senhor presidente da Junta de Freguesia de Quintos gosta mais de festas.
Esquece o senhor presidente da Junta de Freguesia que Quintos, na noite de 5 de Novembro de 1997, já foi assolada por um temporal que deixou a aldeia isolada do resto do mundo por alguns dias. Nessa noite, só por milagre, o temporal não fez mortes em Quintos.
Como a memória é curta!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Profeta

Quando a desgraça bate à porta nunca entra sozinha. Consigo vem também o profeta. Da desgraça. Olha-nos nos olhos e de indicador direito em riste dispara: Eu avisei! Eu já tinha dito! Era espectável! Etc …
Mentira! Nunca tinham avisado, nunca tinham dito e nem sequer era espectável.
Perante um desgraça, uma tragédia, uma catástrofe, quando a dor e o sofrimento nos toldam a razão ele está sempre lá. De indicador em riste. A acusar. Quem? Não importa. Ele tem que acusar algo ou alguém. E como a dor e o desespero são enormes captam com facilidade a atenção dos desprotegidos. Dos desesperados. Num cenário de catástrofe, de guerra, de dor ele, o profeta, torna-se importante. É o seu momento de glória. Usa e abusa da fragilidade das pessoas em sofrimento.
O que aconteceu no passado sábado na Pérola do Atlântico foi uma calamidade. A quantidade de água que se abateu na Ilha da Madeira no espaço de tempo de algumas horas, causaria o caos e destruição em qualquer parte do mundo com a orografia da Madeira.
Agora é fácil apontar o dedo. Mas os erros – que existiam, tal como existem em todo o lado – não foram feitos na sexta-feira anterior. Estavam lá há muito tempo …
Os apontadores de dedos nestas ocasiões dispensam-se. Precisam-se, isso sim, de braços para ajudar a reconstruir. E corrigir o que estava mal.