segunda-feira, 1 de abril de 2019

Javardice


Falta de asseio; acumulação de sujidade; porcaria. São exemplos.
Todos nós metemos, mais do que deveríamos, o pé na poça. Há cargos públicos que exercemos (presente do indicativo ou pretérito perfeito) que nos “proíbem” esse tipo de deslize, a diplomacia é um deles.
Há dias um embaixador português apelidou de javardo um treinador de futebol. Reconheceu, depois, que foi exagerado. Um diplomata nunca pode exagerar.
Uma antiga diplomata portuguesa anda por aí a defender com unhas e dentes um pirata informático. Não questiono o que ele sabe sobre os podres do sistema futebolístico de Portugal e arredores. Há entidades (judiciais e policiais) que têm o dever e obrigação de investigar estes casos, de uma forma legal.
Defender um pirata que conseguiu informação de uma forma ilícita é como defender o uso tortura para obter a confissão que nos interessa.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Pobreza versus saúde



Para que conste, e sem outro tipo de comentário, aqui Vos deixo um pequeno excerto da entrevista de Francisco George ao Diário do Alentejo (15/02/2019):
«Mas se existem fatores individuais, como o fumo, alimentação desequilibrada ou a falta de exercício físico, há um que é “determinante” para a saúde ou para a doença: a pobreza.
A pobreza é, comprovadamente, geradora de desigualdades e cava um fosso entre as famílias com mais e menos rendimentos, de tal forma que as doenças, a incapacidade e a demência surgem 15 anos antes nas famílias mais pobres quando comparadas com outras de mais rendimento.»

Sentença de Mãe!




Mais palavras para quê?


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Fundamentalismos

 
Foi hoje publicada em Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros nº 21/2019 que extingue a expressão “Direitos do Homem” e substitui-a por “Direitos Humanos”.
Esta moda – medo da palavra homem – parece que veio para ficar.
Aguardo com alguma perplexidade a breve extinção do “Dia do Trabalhador” que será substituído por uma aberração qualquer. A expressão “médico de família” também deverá estar em vias de extinção, o “cartão de cidadão” idem e outras se seguirão.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Baile da Pinha em Quintos


O Baile da Pinha em Quintos foi durante muitos anos o maior acontecimento cultural da freguesia de Quintos.
No tempo de Salazar e Caetano realizaram-se algumas vezes o cortejo de oferendas com o objetivo de apoiar instituições públicas (hospital de Beja, por exemplo) em que viaturas engalanadas, maioritariamente de tração animal, percorriam os vários montes da freguesia de Quintos onde recolhiam as dádivas (oferendas) para a causa. No final realizava-se uma festa popular com comes, bebes e baile nas traseiras da antiga escola primária.
Nunca este acontecimento atingiu a projeção do Baile da Pinha.
Mais tarde surgiu um outro acontecimento cultural – o almoço de celebração do 25 de Abril. Foi durante décadas o expoente máximo de atividade cultural da freguesia de Quintos.
Hoje, quer o Baile da Pinha quer o almoço do 25 de Abril estão com frequência residual, o primeiro bem mais residual que o segundo. Porquê? Há explicações mas por agora não interessam.
O que interessa é homenagear e dar um enorme Bem Haja a quem ainda teima em manter tradições muito peculiares de Quintos.
Humildemente aqui Vos deixo a todos Vós os meus parabéns!


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Os sem palavras




Para ler e meditar. Crónica (excerto) de Helena Matos publicado em Observador a 13/01/2019:
«Primeiro os velhos tornaram-se idosos. E um dia, não se consegue já precisar qual, os cegos passaram a invisuais e o morrer tornou-se partir.
O chumbo ou reprovação transformou-se em retenção.
Os gordos passaram a obesos.
Os trabalhadores deram lugar aos colaboradores. Os despedidos a dispensados.
O sexo passou a género.
Os maridos e mulheres deram lugar ao assexuado cônjuge ou, como recomenda a União Europeia, a parceiro/parceira.
Os homens e mulheres são agora indistintamente pessoas.
Os homossexuais tornaram-se gays.
Mas eis que se constatou que tal exercício de busca de sinónimos não era suficiente. Foi aí que chegaram as perífrases ou seja esse bizarro falar por rodeios. E assim os idosos que já não eram velhos passaram a terceira idade. As prostitutas tornaram-se trabalhadoras do sexo.
Os invisuais a quem já não se podia chamar cegos deram lugar às pessoas portadoras de deficiência.
As empresas deixaram de falir e passaram a estar em reestruturação de serviços.
Os trabalhadores despedidos que entretanto tinham passado a colaboradores dispensados começaram a ser designados como elementos cuja colaboração cessou.
As coisas mais simples passaram a ter de ser referidas por sequências de palavras frequentemente sem sentido. As categorias profissionais tornaram-se uma espécie de cabides em que se acumulam palavras como quem pendura casacos: as hospedeiras deram lugar às assistentes de bordo e as funcionárias das escolas tornaram-se auxiliares de ação educativa.
Neste zelo de uma linguagem livre dos pecados do machismo, racismo, homofobia… as expressões aplaudidas num determinado momento logo se revelam desadequadas. E assim, os velhos depois de terem sido idosos e terceira idade tornaram-se seniores.
Os pretos que tinham passado a negros e em seguida a pessoas de cor são agora referidos como africanos. E para não ser acusado de discriminação de género o “Ladies and gentlemen” passou a “Hello, everyone”.
Tornámo-nos uma sociedade em que nada é dito diretamente. Falamos por rodeios. Somos os perifrásticos. Agarramo-nos a expressões neutras como sinal da nossa tolerância; por todo o país empresas e organismos oficiais produzem documentação recomendando que se recorra à linguagem neutra para “promover a igualdade entre homens e mulheres”.
Compomos frases enormes para não termos de dizer o óbvio. Recorremos ao eufemismo para mascarar a realidade. Temos medo das palavras. Usamo-las com mil cuidados não vão elas revelar o que de facto pensamos e não a forma como devemos ver o mundo.»

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Bezerra, em Quintos





Há anos (+ de 30) houve um episódio com uma bezerra, não em Quintos mas com vários jovens de Quintos; um dos protagonistas ficou com o indelével cognome “Zé da Bezerra”.
Hoje, uma bezerra (ou bezerro) jaz junto à antiga estação de caminhos de ferro de Quintos.
No dia 29 de dezembro de 2018 um habitante de Quintos fotografou o dito animal (fotos A e B) e participou o caso à GNR de Beja.
Ontem, 06 de janeiro de 2019 o que resta do animal ainda lá se encontrava (fotos C e D).
Poderia e deveria ‘soltar alguns impropérios’ com esta situação, mas não o vou fazer na esperança que, quem de direito, remova o que resta do animal urgentemente.


domingo, 16 de dezembro de 2018

O suicídio




É um tema que, por norma, está reservado a psiquiatras, mas habitualmente as suas palestras revelam-se demasiado herméticas, isto é, incompreensíveis para o comum dos mortais. Deveriam ler – eles, os psiquiatras e todos os que não são – o texto sublime sobre esta temática que escreve Vítor Encarnação na última edição do Diário do Alentejo.
Com a devida vénia aqui Vos deixo essa magnífica crónica de “Nada mais havendo a acrescentar...” com o subtítulo de “Buraco”:
«Todos temos um buraco dentro de nós, fica dentro da cabeça, existe dentro do pensamento. Tapamo-lo com o raciocínio, o amor e a autoconfiança, evitamo-lo fazendo uso da nossa vontade de viver, enquanto quisermos viver e soubermos viver, enquanto brilhar a luz dos desejos e dos planos, o buraco não nos engole.
O buraco não se alimenta de alegria, quando há certezas e harmonias dentro do nosso cérebro a brecha não nos puxa para si. Mas o buraco está atento, o buraco pressente o mais leve desequilíbrio, abre-se ao menor rumor de desorientação, o buraco é um caçador de tristezas, o buraco devora existências.
Mas não as come de uma só vez, ninguém cai para o buraco de uma só vez, primeiro a pessoa estremece, escorrega-lhe um pensamento, depois outro, começa a duvidar, toma uns comprimidos para dormir, queixa-se, às vezes ouvem-na, outras vezes não, os outros também têm os seus próprios buracos para tapar, depois resvala, agarra-se ao que pode, principalmente às obsessões, falta-lhe a força, mete-se em casa, matuta, matuta, deixa de comer, vai caindo, caindo, vai abrindo uma cova, o barulho faz-lhe confusão, o silêncio faz-lhe confusão, a vida faz-lhe confusão, pensa em coisas que já são mais morte que vida.
E cai, já não tem outro remédio a não ser cair. E o buraco é já um abismo.
Desafortunados são os que caem dentro dele para sempre.»
Vítor Encarnação in DA 14-12-2018

domingo, 11 de novembro de 2018

O que é Amar?


Ana Matos Pires, médica psiquiátrica, in Diário do Alentejo 09-11-2018 responde, é isto:
«Amar alguém ou algo é amar “com” (as diferenças, os defeitos, as divergências) e não “apesar de“ (das diferenças, dos defeitos, das divergências).»
Simples, não é?
Parece, mas não é. Complicamos em demasia.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Chuva, amor e ódio

Foto: Brett Gundlock
É muito antigo o ritual da dança da chuva. Mais recente são as procissões a pedir chuva. Desconhecia que havia “técnicas” para evitar ou reduzir a chuva, mais precisamente, o granizo.
É por causa dessa “técnica” que está a população camponesa de Puebla, no México, em pé de guerra com uma fábrica local da Volkswagen que está a recorrer a uma arma anti-granizo (nada científico!) para evitar danos nos carros. Trata-se de um canhão (na foto a torre branca ao centro) que dispara uma forte onda de ar comprimido para as nuvens quando se está a formar a tempestade, com o objetivo de reduzir o tamanho das pedras de gelo fazendo com que elas se transformem em água e assim reduzir o impacto nos automóveis parqueados. Os agricultores de Puebla e arredores acreditam que esta “técnica” é responsável pela grave falta de chuva que tem afetado a região nos últimos meses.


Fonte: The New York Times 09-11-2018

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Como lidar com um aluno problemático


  
Para ler e refletir. Texto de João André Costa no Público de hoje.
«A culpa do mau comportamento nas escolas não é das crianças, nunca foi, não será e não pode ser. A culpa é nossa, dos adultos, a começar pelos pais e familiares mais próximos e a acabar nos professores e na escola.»

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Turismo radical

Foto: Owen Humphreys | PA Wire

Para quem gosta de emoções fortes e com sangue muito frio, recomendo um cruzeiro destes. A imagem retrata o MS Princess Seaways da empresa dinamarquesa DFDS a entrar no rio Tyne, a nordeste de Inglaterra, com uma agitação marítima de pôr os cabelos em pé!

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Os Ditadores


Esperemos que esta "moda" que escreve Martha Cecilia Rosero no The New York Times não se generalize «Antigamente os ditadores imponham-se. Hoje somos nós que os elegemos!».

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Halloween exagerado


Este motorista levou longe de mais o seu gosto pelo Halloween.
Foi filmado na 101 Freeway, perto de Los Angeles, com o carro coberto de sangue e partes de um corpo humano, assemelhando acidente horrível.
Pode ver o vídeo aqui.
Fonte: New York Post, 29-10-2018

 

domingo, 21 de outubro de 2018

Ser juiz


Foto: Lawyers Weekly

Adoram julgar os outros e, cereja em cima do bolo, sentenciá-los. Gravemente, de preferência.
Será que as pessoas nas redes sociais (na vida real já não se comprometem tanto) não têm noção do ridículo?
Proferem sentenças sem qualquer fundamento jurídico sustentadas apenas e só no achismo, mas, pior que isso, quando a decisão judicial não vai de encontro (normalmente) à sua sentença é porque os juizes são incompetentes.
Ser juiz é muito mais do que isso. Parafraseando e adaptando o poema da célebre alentejana Florbela:
«Ser “juiz” é ser mais alto, é ser maior
do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!»

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Vida selvagem


Algumas fotos a concurso para o prémio de melhor foto cómica de vida selvagem deste ano.
São uma delícia!

Three bears up a tree | Valtteri Mulkahainen

Bear on drive safe sign | Jonathan Irish

Rhino with peacock backside | Kallol Mukherjee

Squirrel saying STOP | Mary McGowan
 

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

O populismo



Nesta década que está a findar tivemos (e mantém-se) um caso gritante de populismo, Donald Trump. Para nos abanar a consciência outro se perfila, Jair Bolsonaro.
Apelidar de burros americanos ou brasileiros é, honestamente, leviano. Se fossemos saber ao certo o que é que muitos portugueses têm a dizer sobre alguns dos pontos mais polémicos das ideias de Bolsonaro perceberíamos que são muitos, muitos mesmo, os que se identificam, os que pensam que algumas coisas “até fazem sentido”, os que não teriam coragem de, cara a cara, dizer o que efetivamente pensam com medo do politicamente incorreto, mas concordariam com as atrocidades que o candidato fascista brasileiro diz e defende.
Bom, então porque é que em Portugal quem defende ideias de extrema-direita tem sempre resultados inexpressivos? Porque a essas pessoas falta aquilo que Bolsonaro ou Trump têm de sobra: fatos caros e vistosos, discursos que pretendem unicamente dizer aquilo que as pessoas querem ouvir, com soluções simples e populistas para problemas sérios e complexos, e umas caras de pau do tamanho do mundo para conseguirem dizer tudo como os malucos com o ar mais sério do mundo. E isso, em política, vale muito, muitos votos, muito apoio silencioso.
Fonte: Ricardo M Pereira | Magg 12-10-2018

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Uns míseros trocos



Há cerca de cinco anos a República Popular da China desenvolveu um plano para obter uma maior influência global, mediante o financiamento de grandes projetos na Ásia, Europa do leste e África.
Com essa cartada conseguiu um importante posicionamento global na disputa com os EUA em áreas primordiais como são a economia, o desenvolvimento tecnológico e a política internacional.
Na passada semana, tentando contrariar a cada vez maior influência chinesa, Donald Trump aprovou um pacote de 60 000 000 000 (sessenta mil milhões!) de dólares para financiar projetos de infraestruturas em África, Ásia e América Latina com o objetivo de bloquear as ambições expansionistas de Pequim.
Fonte: New York Times 15-10-2018

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

‘Tá tudo preso!

Foto: David Swanson | The Inquirer

Adoramos que alguém, mesmo que apenas indiciado de um crime, vá preso. É a justiça a funcionar, seja esse alguém culpado ou não, porque, a nossa sentença está sempre protegida pela máxima demolidora que “não há fumo sem fogo”.
Partindo do princípio que “a execução da pena de prisão, servindo a defesa da sociedade e prevenindo a prática de crimes, deve orientar-se no sentido de reintegração social do recluso, preparando-o para conduzir a sua vida de modo socialmente responsável, sem cometer crimes” o melhor local para o criminoso é a cadeia… ou não.
Sem mais delongas e com a devida vénia um excerto do belo texto de José Lúcio, juiz Presidente da Comarca de Beja no LN:
«Se atentarmos nas reclamações que explodem diariamente nos meios de comunicação social e nas redes sociais – vejam-se as caixas de comentários – somos levados a pensar que meio país só ficava satisfeito depois de conseguir prender outro meio. E como o sentimento dessas metades é inevitavelmente recíproco, não se descortina ninguém insuspeito para ficar do lado de fora guardando a multidão de presos.
O júbilo com que é acolhida a notícia de que alguém foi para a cadeia e a imensa frustração com que são recebidas as notícias referindo alguém que não foi, a ânsia e a aspiração exuberante a mais e mais prisões, parecem naturalmente intrigantes. Esta devoção pela cadeia, ou crença ingénua de que as prisões em massa podem resolver problemas sociais de diversa ordem, devem ser algo de novo, próprio da nossa época e sociedade.
(…)
Olhe-se para o exemplo americano e aí sim constata-se uma taxa de encarceramento impressionante. Presos aos milhões. Todavia, temos que perguntar pelos resultados. A sociedade americana é mais segura, pacífica e tranquila do que a nossa? Existem menos assaltos, menos tiroteios, menos homicídios? Quais foram os resultados dessa política? Quem souber responder que responda.»

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Crescer bem, envelhecer melhor


Qual é o segredo para envelhecer bem? Os especialistas indicam que o melhor é estar satisfeito: aceitar que o avanço da idade é apenas mais uma etapa para poder lidar melhor com o que surge à medida que nos aproximamos da velhice.
O exercício físico (caminhadas, natação, etc) assim como o exercício mental (leitura, jogos de paciência, etc) são excelentes contributos para nos manter o mais em forma possível. Mas a melhor forma de responder ao envelhecimento não está no ginásio, está na sua (nossa) mente.
Imagem: Robert Nicol
Texto adaptado de The New York Times 08-10-2018